Brasileira acusa ex-marido de crime sexual contra própria filha

Brasileira acusa ex-marido de crime sexual contra própria filha

Karla Janine fugiu da Flórida e foi encontrada no Texas, dois anos depois.

O Consulado do Brasil em Houston, nos Estados Unidos, foi acionado na terça-feira (21) por uma família brasileira para interceder no caso da pernambucana Karla Janine Albuquerque, de 41 anos. Segundo parentes de Karla, ela está presa no Texas, EUA, desde o dia 16 de janeiro e tem uma audiência marcada na corte americana para a manhã desta quinta-feira (23). ?Ela está sendo julgada porque descumpriu a ordem judicial ao sair da cidade, levar a filha com ela e não comunicar a corte. Ela não voltou mais e não deu acesso ao pai para as visitas que a Justiça tinha determinado?, conta a defensora pública aposentada Kátia Sarmento Martins, mãe de Karla, que mora no Recife.

A irmã de Karla, Karine Santos, conta que a criança foi vítima, aos 4 anos, de abuso sexual por parte do pai, um norte-americano de 54 anos -- fato que teria motivado a fuga de Karla para o Texas. A criança, hoje com 6 anos, está sob a guarda do Department of Children and Families (DCF), espécie de Conselho Tutelar dos Estados Unidos. Karine conta que a instituição do Texas está analisando os registros do ocorrido com a criança na Flórida e, apenas por isso, o pai da menina não conseguiu de volta a guarda dela. Ela, que criou um site para arrecadar fundos para pagar os custos do processo judicial, pretende brigar pela guarda da sobrinha. "Vou ver minha irmã pela primeira vez hoje", disse.

O homem que a família aponta como pai da criança está listado na lista de ?sexual offenders? (criminoso ou transgressor sexual) mantida pela Polícia da Flórida. A atendente da central telefônica da Delegacia da Flórida informou que ele foi condenado por um crime em 1996, mas não chegou a ser preso ? passou cinco anos em liberdade condicional, mas atualmente não cumpre nenhum tipo de pena no estado da Flórida. O site explica que o ?sexual offender? fica naquela lista por ter apresentado comportamentos inadequados, sem ter necessariamente consumado um estupro. A atendente explicou ainda que o nome do suposto marido de Karla não consta em uma segunda relação mantida pela polícia, a dos predadores sexuais. Para fazer parte desta, é preciso que a pessoa tenha sido declarada como predadora por um juiz. Isso normalmente acontece quando o infrator cometeu um crime mais grave ou foi condenado por diversos delitos menores, todos de teor sexual.

Nem o Itamaraty nem a Polícia da Flórida informaram o nome do homem envolvido no caso.

Karine Santos mora na Flórida e diz que os problemas conjugais da irmã são antigos. "Minha irmã pediu ajuda ao consulado quando separou-se do marido pela primeira vez, mas foi informada que, por ajuda por se tratar de um processo civil e não criminal, o consulado não poderia fazer nada", lembra. O Itamaraty disse que o Consulado Brasileiro em Houston vai primeiro procurar saber o tipo de ajuda de que Karla está precisando e garantiu que ela terá assistência, pelo fato de ser uma cidadã brasileira.

Segundo a mãe, Karla está nos EUA desde 2004 e conheceu o pai da filha em 2005. Durante boa parte do tempo em que viveu no país, a situação dela como imigrante era irregular, de acordo com Kátia. Além disso, o relacionamento dos dois era instável. "Ela conheceu esse rapaz em Palm Beach. Ele é sedutor, um manipulador nato, só soubemos tarde demais quando ela já estava casada. Ele cometeu atos libidinosos com uma enteada, já tinha uma história. Eu não percebi nada de errado, convivi muito pouco?, afirma. Karla teria casado grávida em 2006. ?Durante a gravidez, ele tentava bater nela, é um homem de quase dois metros de altura. Ele tentou vários tipos de agressões, ela tinha tudo isso gravado, mas ele confiscou o celular que tinha as agressões verbais. Em fevereiro de 2007 eles se separaram. Ela foi pra um abrigo para mulheres que sofrem violência doméstica?, relata.

Em novembro de 2010, uma publicação feita para brasileiros que vivem nos EUA, Brazilian News, veiculou uma entrevista com Karla onde ela pedia ajuda para encontrar um advogado que defendesse sua causa. Na ocasião, ela contava sua versão da história e detalhava as dificuldades que estava sofrendo para compreender as leis do país e proteger a filha.

Fonte: G1