Corpos se decompõem nas ruas e governo teme epidemia nas Filipinas

As provisões estão chegando muito lentamente às províncias centrais.

O forte cheiro de decomposição dos cadáveres tomou nesta terça-feira a cidade filipina de Tacloban, onde dezenas de milhares de sobreviventes sofrem com a falta de alimentos e de água após a passagem do tufão Haiyan na sexta-feira passada.

As provisões estão chegando muito lentamente às províncias centrais de Samar, Leyte e ao norte de Cebu, as mais afetadas pelo desastre natural, e as agências nacionais e internacionais começaram a se deslocar para a região.

Segundo a equipe da Agência Efe pôde observar, praticamente nada da ajuda internacional chegou a Tacloban, na ilha de Leyte, onde menos de um terço das construções ficaram de pé, a maioria em situação deplorável, e toneladas de esbanjamentos.

Só no centro permanecem de pé os prédios de alvenaria e concreto, embora o tufão tenha levado os telhados de zinco e quebrado as janelas, com rajadas de até 300 km/h que arrancaram como palha os barracos dos bairros.

Uma autoridade local, que não quis revelar seu nome, explicou que o governo está preocupado porque os corpos, que permanecem nas ruas, possam gerar uma epidemia, já que se encontram por todas partes.

A tensão é notável nas filas de pessoas desesperadas que resistem para conseguir o pouco arroz que o exército reparte nas ruas inundadas pelas últimas chuvas em Tacloban, situada uns 852 quilômetros ao sudoeste de Manila.

Via Mabag, uma enfermeira filipina de 24 anos, vive na vizinha ilha de Cebu e, após informar-se do desastre, decidiu ir até Leyte para comprovar se seus parentes tinham sobrevivido ao tufão.

"Normalmente a viagem é feita em cerca de 5 horas, mas com o mau estado das estradas, demoramos 23 horas", contou à Efe a jovem, ainda visivelmente comovida pelos corpos de mulheres e crianças e a destruição que observou durante sua viagem.

"Como é possível que isso tenha acontecido? Graças a Deus, minha família está bem, mas muitos amigos e conhecidos estão desaparecidos. Me sinto culpada por não estar aqui na hora", desabafou, entre lágrimas.

"No hospital, nos ensinam a controlar as emoções, mas aqui foi impossível. Passei muito mal", acrescentou a enfermeira.

A maioria dos sobreviventes não pode ocultar sua comoção pelo pesadelo que viveucom a passagem de "Haiyan", que além de ventos furiosos criou uma onda gigante que arrasou tudo que encontrou pelo caminho.

Fonte: UOL