Egípcios desafiam toque de recolher e acontece saque

Moradores tentam proteger suas propriedades em meio à desordem

As Forças Armadas do Egito exigiram que manifestantes obedeçam imediatamente ao toque de recolher ordenado pelo governo e deixem as ruas da capital, enquanto relatos de saques, destruição de propriedades e incêndios se espalham pela cidade.

Milhares de egípcios estão desobedecendo o toque de recolher e continuam com manifestações contra o governo. Houve relatos de saques e habitantes de subúrbios ricos do Cairo relataram a chegada de veículos militares nestas localidades, com o objetivo de impedir novos ataques a propriedades.

A brasileira Larissa Amorim, que mora nos arredores da capital, contou à BBC que o medo era muito grande na sua vizinhança devido aos saques que ocorriam na cidade. "Meu marido foi à rua juntamente de outros homens do bairro com facas e bastões para proteger as propriedades", contou ela, que é casada com um egípcio e mora no país desde 2007.



"Nós estamos muito nervosos, mas os moradores falaram que, por enquanto, não havia sinais de distúrbios na área."

A rede de TV CNN exibiu imagens de pessoas armadas nas ruas do Cairo. Portando rifles, pistolas e outros instrumentos mais simples, como bastões e até tubos de aspirador de pó, eles tentavam espantar grupos que circulam em motos, supostos saqueadores.

Prédios do governo também foram alvos de tentativas de invasão, que deixaram dezenas de feridos. Os militares disseram que vão agir "com firmeza" para restabelecer a ordem e impor o toque de recolher. Em uma prisão no Cairo, os detentos armaram uma tentativa de fuga em massa, que foi contida. Oito presos morreram.

A brasileira Rossana dos Santos, que mora em Alexandria, outra cidade sob toque de recolher, disse, em entrevista à Globonews (veja vídeo acima), que ali também há homens armados tentando proteger os edifícios.

Ofensiva política

Ao mesmo tempo em que os confrontos entre manifestantes egípcios e a polícia voltavam a ganhar caráter violento, o governo do Egito lançou ofensiva política. O ex-ministro da Aviação Civil, Ahmad Shafic, foi confirmado pelo governo como primeiro-ministro. Shafic, que é um ex-comandante da Força Aérea, será o resposável por formar o novo gabinete de ministros, que foi dissolvido neste sábado (29), em consequência às ações dos opositores ao atual governo do presidente Hosni Mubarak .

Fonte: g1, www.g1.com.br