Empresa cobra ao menos US$ 500 de "vítima" para forjar sequestro bem real

O que para a maior parte das pessoas é um grande pesadelo, para um grupo se traduz como prazer

Você sai de casa cedo para trabalhar, dobra a primeira esquina e seu carro é interceptado na rua por homens usando capuz. Em seguida, você é violentamente jogado na mala de outro veículo, que sai em alta velocidade pela contramão. Naquele ambiente claustrofóbico, você não tem dúvida: é um sequestro! Desespero? Que nada! Você gosta. Pode parecer absurdo, mas a última frase não tem qualquer erro. E sobra adrenalina.


Empresa cobra ao menos  US$ 500 de

O que para a maior parte das pessoas é um grande pesadelo, para um grupo se traduz como prazer. E, a fim de saciá-lo, os mais ousados contam com a ajuda da Extreme Kidnapping (Sequestro Extremo) ? uma empresa de Detroit, no estado americano de Michigan, especializada em fazer sequestros encomendados pela própria vítima. Tudo encenado, mas com doses generosas de realidade. Só não está combinado com a polícia, e os sequestradores da empresa precisam driblar os agentes da lei para dar vida à brincadeira radical e masoquista. O risco de dar errado, obviamente, acrescenta mais tempero à fantasia. Recentemente, uma simulação de sequestro de um casal em Nova York ? que não foi operada pela Extreme Kidnapping ? fez a polícia investigar o caso.

A Extreme Kidnapping foi criada sob inspiração da sétima arte. A ideia começou a germinar quando Adam Thick (foto ao lado) assistiu ao filme "The game" (no Brasil, "Vidas em jogo"), de 1997, estrelado por Michael Douglas. Nele, um banqueiro ganha como presente de aniversário o serviço oferecido por uma empresa de diversão. Durante o jogo, todos à volta do milionário parecem querer matá-lo.


Empresa cobra ao menos  US$ 500 de

"Percebi que um dia aquilo teria potencial para se tornar um negócio de verdade. Dez anos depois, decidi focar no aspecto lúdico de um sequestro e lancei a minha empresa", contou Thick com exclusividade ao PAGE NOT FOUND.

O negócio da Extreme Kidnapping é muito simples: o cliente deseja ser sequestrado, e a empresa cuida de todos os detalhes para a satisfação do freguês. Ou o dinheiro de volta.

"Nossos clientes são, na maioria, homens brancos com idade entre 30 e 35 anos, com curso superior e dinheiro sobrando. Também temos clientes do sexo feminino, mas elas são apenas 10%", afirmou o empresário americano do ramo do entretenimento inusitado.

A brincadeira não é barata. Um sequestro com quatro horas de duração sai por US$ 500 (cerca de R$ 1.000). Esse produto é chamado de ?sequestro econômico?. Quem quiser um sofrimento mais prolongado terá que desembolsar US$ 1.000 (cerca de R$ 2.000) por dez horas de cativeiro, contratando o ?sequestro padrão?. Para os que estão com muito dinheiro sobrando há a opção ?luxo?, na qual o sequestro pode levar até dois dias. Preço e sofrimento a combinar.

"O preço é válido apenas para serviços efetuados em Detroit. Temos disponibilidade para viajar, mas as despesas de viagem e estada da equipe são por conta do cliente. Ele tem que optar pelo pacote luxo?, afirmou Thick.


Empresa cobra ao menos  US$ 500 de

O que também é combinado é o roteiro do sequestro. A vítima pode elaborar o enredo ou, para ter mais emoção, deixar a trama a cargo da Extreme Kidnapping. Torturas também podem ser requisitadas.

"A maior parte dos sequestros reais não envolve tortura. O que os sequestradores querem é dinheiro. Então não é razoável que os criminosos danifiquem seu valioso bem. Qualquer violência usada por eles é para enviar uma mensagem aterrorizante ou estabelecer o controle da situação. Podemos fazer tudo isso, e, caso o cliente deseje, pode haver abuso físico. Mas não temos a intenção de machucar ninguém. A segurança dos nossos clientes é a nossa preocupação número 1. Nós nos especializamos na ilusão de perigo e violência. Nada é feito contra a vontade do cliente", explicou o empreendedor.

No cardápio de torturas oferecido pela Extreme Kidnapping estão, além de choques elétricos e uso intimidatório de animais, o water-boarding, prática na qual se derrama água em uma toalha colocada sobre o rosto da vítima para simular afogamento. A modalidade seria bastante usada com suspeitos de terrorismo.

"Se o cliente desejar ser submetido a uma sessão de water-boarding, podemos atender o pedido. Tudo é feito por profissionais bem preparados e sem a intenção de produzir ferimentos. Há um desconforto momentâneo. Eu poderia submeter uma pessoa ao water-boarding por dez minutos. Ela se sentiria muito desconfortável. Mas, assim que acabasse, a pessoa estaria perfeitamente bem. Apenas molhada", explicou.


Empresa cobra ao menos  US$ 500 de

Os responsáveis não apenas pela ?prazerosa? tortura, mas pela tomada da vítima na rua e pelo tempo no cativeiro, são divididos em duas equipes de profissionais, uma masculina e outra feminina. Thick alerta, entretanto, que não existe a história de ?sexo frágil? entre seus funcionários. Um experiência com a tropa de elite feminina da Extreme Kidnapping ? chamada de Elite Girls (em ação na foto ao lado) ? pode ser mais sádica do que se o cliente optasse pelo sequestro efetuado por homens. Elas são sexy, mas delicadeza e compaixão passam longe.

"O cliente tem a opção de ser sequestrado por um esquadrão de mulheres sexy. Ele também pode escolher a roupa que elas usarão durante a aventura: secretária sexy, enfermeira safada, estudante provocante, animadora de torcida... É a fantasia do sequestro no seu ápice. Mas não há qualquer contato sexual. Elas são sequestradoras profissionais, não garotas de programa", acrescentou o americano.

A Extreme Kidnapping vive um boom no número de clientes, alguns deles vindos de outros países apenas para serem sequestrados em Detroit. A empresa ainda não levou qualquer brasileiro para o cativeiro.

"Por enquanto?, finaliza o visionário Thick.

Os responsáveis não apenas pela ?prazerosa? tortura, mas pela tomada da vítima na rua e pelo tempo no cativeiro, são divididos em duas equipes de profissionais, uma masculina e outra feminina. Thick alerta, entretanto, que não existe a história de ?sexo frágil? entre seus funcionários. Um experiência com a tropa de elite feminina da Extreme Kidnapping ? chamada de Elite Girls (em ação na foto ao lado) ? pode ser mais sádica do que se o cliente optasse pelo sequestro efetuado por homens. Elas são sexy, mas delicadeza e compaixão passam longe.


Empresa cobra ao menos  US$ 500 de

"O cliente tem a opção de ser sequestrado por um esquadrão de mulheres sexy. Ele também pode escolher a roupa que elas usarão durante a aventura: secretária sexy, enfermeira safada, estudante provocante, animadora de torcida... É a fantasia do sequestro no seu ápice. Mas não há qualquer contato sexual. Elas são sequestradoras profissionais, não garotas de programa", acrescentou o americano.

A Extreme Kidnapping vive um boom no número de clientes, alguns deles vindos de outros países apenas para serem sequestrados em Detroit. A empresa ainda não levou qualquer brasileiro para o cativeiro.

"Por enquanto?, finaliza o visionário Thick.

Acredito que muitos adolescentes e adultos com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) possam estar entre esses "amantes" do prazer pelo risco, por essa busca de intensas descargas de prazer. Pessoas com TDAH apresentam déficit de dopamina e noradrenalina, são muito impulsivos e estão sempre em busca de novidade e apresentam bastante dificuldade com rotina e apresentam uma predileção por situações de grande intensidade, adoram situações que envolvam estímulos fortes.

Além de tudo podemos achar um perfil masoquista buscando esse tipo de serviço, uma fantasia de ser dominado ao extremo. Sem dúvida o que a pessoa vai experimentar não chega perto de emoções liberadas em um sequestro real em que você realmente não sabe se escapará com vida e muito menos com quantos dias de cativeiro e intensas torturas que podem ser físicas e psicológicas e deixar marcas como Transtorno de Estresse Pós-Traumático."

Fonte: OGlobo