EUA têm acesso a viúvas de O. Bin Laden para interrogatório

Governo interrogou 3 mulheres que estavam no esconderijo

O Paquistão concedeu acesso ao governo dos Estados Unidos às viúvas de Osama bin Laden, para interrogatório sobre a presença do líder da Al-Qaeda no Paquistão, segundo informou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

De acordo com o Departamento de Defesa dos EUA, o governo americano interrogou três viúvas do líder da Al-Qaeda. O porta-voz do Pentágono, o coronel Dave Lapan, no entanto, não quis dar detalhes sobre o teor das perguntas ou mesmo se o interrogatório irá continuar.

Na quinta-feira, um agente do serviço secreto do Paquistão (ISI) classsificou como "delito" a operação americana que matou Bin Laden e disse que os interrogatórios que os EUA queria fazer com as três viúvas do líder da Al-Qaeda dependia da "autorização" dos países de origem das mulheres.

"Se fizerem a solicitação, o procedimento é pedir permissão aos países de origem. Se for autorizado, eles terão acesso", explicou a fonte.

"Mina de ouro"

Vistas como ricas fontes de informação sobre os planos de atentados terroristas da Al-Qaeda, as viúvas de Bin Laden podem não ser a mina de informações que alguns supõem, já que tiveram uma vida de clausura, segundo alguns oficiais e analistas. De acordo com o rigoroso código do islã seguido por Bin Laden, elas nunca se encontraram com homens fora de sua família imediata e não eram informadas por Bin Laden sobre seus negócios.

As viúvas, juntamente com a mulher do mensageiro de confiança de Bin Laden e diversas crianças detidas no casarão de Bin Laden em Abbottabad permanecem nas mãos das forças de segurança paquistanesas, que controlam o fluxo de informações sobre elas.

Há relatos conflitantes a respeito de quantas mulheres e crianças existem e quem são elas. Relatórios iniciais indicaram que 12 mulheres e crianças estavam no recinto, mas agora parece que havia até 17. Algumas das informações dadas por oficiais de inteligência parecem destinadas a gerar dúvidas sobre o relato da ação militar americana, tal como apresentado pelas autoridades dos Estados Unidos, mas nenhuma foi verificada de maneira independente.

Autoridades de segurança paquistaneses, pedindo o anonimato, afirmaram que, juntamente com as viúvas havia 13 crianças, oito das quais eram de Bin Laden.

A quarta mulher, uma paquistanesa que foi ferida no ataque, indicou aos oficiais que primeiro chegaram no casarão que seu marido havia sido morto, disse Asad Munir, um brigadeiro reformado e ex-oficial do serviço de inteligência. Seu marido era Arshad Khan, o mensageiro de confiança de Bin Laden, a quem pertencia o casarão e o protegeu durante mais de cinco anos.

As viúvas de Bin Laden foram identificadas como Um Hamza, ou Mãe de Hamza, cujo verdadeiro nome é Khairiah Sabar e é de Jidá, na Arábia Saudita; Khalid Hum, ou Mãe de Khalid, cujo nome é Siham e é de Medina, na Arábia Saudita; e a mais nova, uma iemenita, Amal al-Saddah, 29 anos. Seu nome como identificado em seu passaporte é Amal Ahmed Abdulfattah.

Filha

A filha de Bin Laden com Al-Saddah, Safia, que tem 12 ou 13 anos, também estava presente e pode ter até mesmo testemunhado o assassinato de seu pai. Os oficiais também disseram que há um filho de Bin Laden de 5 anos e que quatro das crianças são seus netos de uma filha morta em um ataque aéreo em áreas tribais do Paquistão.

Um de seus filhos foi morto no ataque, no entanto não se sabe se trata-se de Hamza ou Khalid. Ambos nasceram no mesmo ano de mulheres diferentes e teriam 22 anos.

Bin Laden já foi casado cinco vezes, de acordo com o livro Growing up Bin Laden, escrito por seu quarto filho, Omar bin Laden, em colaboração com o escritor americano Jean Sasson e sua mãe, Najwa bin Laden, a primeira mulher e prima de Bin Laden.

Em respostas a perguntas encaminhadas por Sasson, Omar bin Laden disse que seu pai mantinha suas esposas, e muitas vezes seus filhos, presos dentro de casa. Sua mãe se esgueirava ao jardim quando Osama bin Laden estava longe, advertindo as crianças para não contar ao pai que tinha ousado pisar fora da casa. As crianças também raramente tinham permissão para sair. Omar bin Laden disse que sua memória mais triste é a de estar preso em sua casa, em Jidá, e olhar pela janela todas as outras crianças brincando lá fora.

Sudão e Afeganistão

O livro que Omar e sua mãe escreveram detalha a vida da família de Bin Laden no Sudão e no Afeganistão até 2001. Ele descreve como a primeira esposa de Bin Laden o deixou pouco antes dos atentados de 11 de Setembro de 2001, e como ela agora vive na Síria, e como sua segunda esposa, uma mulher saudita muito bem-educada se divorciou dele em 1990 quando ele estava vivendo no Sudão.

O livro descreve as mulheres como vivendo em uma ?purdah?, ou separação total dos homens, muito rigorosa. Elas nunca saem de casa, exceto totalmente veladas e acompanhadas por seus maridos ou parentes próximos, e não são informadas de seus negócios. Bin Laden também tomava todas as decisões no lar, incluindo sobre a decoração e tudo que dissesse respeito à educação, viagens e casamento dos filhos.

Quando a família se mudou do Sudão para o Afeganistão em 1996, nenhuma das esposas ou seus filhos crescidos, sabia para onde estavam indo até que o avião fretado pousou. "Pelo que nós mulheres fomos informadas, nem mesmo os homens sabiam se estávamos voltando para a Arábia Saudita ou mudando para o Iêmen ou Paquistão", escreveu Najwa bin Laden.

As viúvas de Bin Laden, no entanto, podem pelo menos conseguir informar aos investigadores como e onde têm vivido desde 2001 e como escaparam. Sua mulher mais jovem, Al-Saddah, voltou para o Iêmen, onde deu uma entrevista à uma revista saudita para mulheres chamada Al-Majalla, em 2002, e de alguma forma voltou a viver com Bin Laden no Paquistão.

Se for verdade, isso gera novos questionamentos sobre como ela entrou novamente no Paquistão e reencontrou seu marido sem ser detectada pelas autoridades. Aos oficiais paquistaneses, ela disse que antes de ir para o casarão em Abbottabad no fim de 2005, eles viveram dois anos e meio em uma aldeia perto da cidade de Haripur, cerca de 80 quilômetros ao sul.

Fonte: IG