Família reencontra mulher resgatada viva em escombros de Bangladesh

Reshma Begum foi achada viva 17 dias após desabamento de edifício.


Família reencontra mulher resgatada viva em escombros de Bangladesh

Quando desapareciam as esperanças de encontrar mais sobreviventes do colapso de uma fábrica em Bangladesh ocorrido no dia 24 de abril, a família de Reshma Begum se confortava com um pedido simples: que o corpo da jovem de 19 anos fosse o próximo a ser escavado dos escombros para que eles pudessem, pelo menos, dar-lhe um enterro decente. Mas em vez disso, Begum foi trazida de volta do mundo dos mortos e içada para uma maca na sexta-feira, depois que um socorrista a viu acenando de uma lacuna nas ruínas onde ela passou 17 dias presa em um cubículo sem luz.

Quando seu irmão, Zahidul Islam, chegou ao hospital militar onde estava a irmã, ele foi dominado pelas lágrimas. Islam disse em uma entrevista por telefone à agência Reuters que Begum pediu que ele não chorasse. Ele abraçou a irmã e desmaiou. "O mesmo aconteceu com a minha mãe quando ela soube que Reshma estava viva", disse ele.

Segundo o oficial Moazzem Hossain, envolvido no resgate, Begum conseguiu dizer mais algumas palavras no sábado sobre seus dias de agonia. "Em algum momento eu dormi, mas de repente eu acordei e era difícil saber se era dia ou noite."

O tenente-coronel Hassan Morshed, um médico militar, disse que Begum estava se recuperando bem. "Seus rins e outros órgãos essenciais estão funcionando normalmente, embora ela esteja sofrendo de desidratação aguda", disse ele à Reuters.

Assim como os outros parentes de desaparecidos, a família de Begum viajou de seu bairro e ficou alojada perto da fábrica de roupas que colapsou em Savar, bairro industrial da capital Daca, onde as famílias mantiveram uma vigília sombria para seus entes queridos desaparecidos.

Horas antes de Begum ser encontrada, as equipes de emergência haviam retirado o milésimo cadáver do monte de entulho, metal retorcido e máquinas. O exército disse que o número de mortos do desastre, o pior do mundo desde Bhopal, na Índia, em 1984, havia alcançado 1.089 neste sábado.

Quando a notícia se espalhou de que uma mulher, identificada pela mídia de Bangladesh no início apenas como "Reshma", tinha sido encontrada - presa, mas vivos - seus parentes começaram a acreditar no inimaginável.

A tragédia de Savar evidenciou as más condições trabalhistas e de segurança que afligem os funcionários de fábricas têxteis em Bangladesh, que abastecem grandes multinacionais ocidentais.

Nos últimos seis meses houve quatro graves acidentes - três incêndios e um desabamento - em fábricas do ramo têxtil em Bangladesh, sendo o último deles um incêndio em um bairro de Daca que deixou sete pessoas mortas, na quinta.

Fonte: G1