Filho de famoso tenor é condenado a 10 anos de prisão por estuprar jovem

Vítima foi abusada sexualmente por cinco homens em um quartel de hotel

O filho do famoso tenor e militar chinês Li Shuangjiang, Li Guanfeng, foi condenado a 10 anos de prisão após ser considerado culpado do estupro coletivo de uma jovem, de acordo com a sentença anunciada nesta quinta-feira (26) por um tribunal de Pequim.

O Tribunal Popular do distrito pequinês de Haidian concluiu que Li, junto com outros quatro homens, obrigaram uma mulher em fevereiro a deixar um bar do distrito universitário da capital - onde os jovens beberam até ficarem embriagados - para ir até um quarto de hotel, onde a estupraram coletivamente.

Segundo as conclusões do tribunal, divulgadas pela imprensa chinesa, Li também agrediu a vítima para obrigá-la a entrar no hotel. Os outros acusados foram condenados a entre 3 e 4 anos de prisão, com exceção de um deles, de sobrenome Wang, sentenciado a 12 anos de prisão por ser o único que era maior de idade quando o crime foi cometido.

Além disso, três dos condenados já pagaram 150 mil iuanes (mais de US$ 24 mil) em compensações para a vítima. A família de Li vai recorrer da sentença, segundo o advogado do menor, Lan He, após o final do julgamento na quinta-feira, publicou a imprensa estatal.

O caso atraiu muita atenção da mídia devido à popularidade do acusado, filho do reitor do Departamento de Música do Exército de Libertação Popular (na China, as forças armadas têm amplas ramificações em todos os âmbitos, inclusive no cultural, no empresarial e no esportivo).

O pai de 74 anos, Li Shuangjiang, é um famoso tenor e comandante do Exército, embora, de acordo com uma recente ordem do presidente Xi Jinping, que é o chefe das Forças Armadas, o Exército Popular de Libertação chinês proibiu desde agosto que artistas como Li estejam associados com cargos militares.

Nos últimos meses, a família de Li e seus advogados tentaram divulgar informações sobre a vítima e o dono do bar para os meios de comunicação para tentar desacreditar seus depoimentos no julgamento, afirmou o jornal independente "South China Morning Post".

A mãe de Li, Meng Ge, chegou a publicar um comunicado no qual pedia que o tribunal considerasse que a vítima era "uma menina má", que era paga para se encarregar dos clientes no bar, um argumento que o tribunal rejeitou, ao considerar que a profissão da vítima "não guardava qualquer relação com as acusações apresentadas".

O filho do tenor cometeu outro crime em 2011, quando ele e outro jovem atacaram um casal que bloqueava a passagem do carro que conduziam, apesar de serem menores de idade, em uma área residencial de Pequim e, por isso, foi internado em um reformatório durante um ano.

Este caso, que foi amplamente comentado nas redes sociais voltou a motivar o debate sobre o mau comportamento de muitos filhos de pessoas do alto escalão político e militar no país asiático que, às vezes, acreditam que o poder de sua família os coloca acima da lei.

Fonte: r7