Vítima de estupro coletivo se suícida após ser obrigada a deixar caso e casar com agressor

Vítima de estupro coletivo se suícida após ser obrigada a deixar caso e casar com agressor

Caso é semelhante ao de estudante de 23 anos que mobilizou o país.

Uma menina indiana de 17 anos vítima de um estupro coletivo se suicidou depois que a polícia a pressionou a abandonar o caso e se casar com um de seus agressores, informou a polícia e parentes nesta quinta-feira (27).

Em meio a mobilizações sobre o estupro coletivo de uma estudante em um ônibus em Nova Délhi no começo desse mês, este caso colocou novamente em evidência o modo como a polícia lida com crimes sexuais.

Um policial foi demitido e outro suspenso pela conduta depois do ataque durante o festival de Diwali, no dia 13 de novembro, na região de Patiala no Punjab, de acordo com oficiais.

A adolescente foi encontrada morta na noite de quarta-feira (26), após ingerir veneno.

O inspetor-geral, Paramjit Singh Gill, disse que a adolescente "ficou andando de um lado para o outro para que seu caso fosse registrado", mas os policiais não abriram um inquérito formal.

"Um dos policiais tentou convencê-la a retirar a queixa", Gill, chefe policial da área, disse à AFP.

Antes de sua morte, não houve prisões sobre seu caso, apesar de três pessoas terem sido detidas na quinta. Duas delas eram os supostos estupradores e uma terceira era uma mulher suspeita de ser cúmplice.

A irmã da vítima contou à rede de televisão indiana "NDTV" que propuseram à adolescente aceitar uma quantia em dinheiro como acordo ou se casar com um de seus agressores.

A Pess Trust of India também relatou que um policial foi suspenso por supostamente se negar a registrar uma queixa de estupro no estado de Chhattisgar (norte).

A irmã da vítima levou o caso ao oficial local de maior patente e foi iniciada uma busca por seu agressor, um condutor de riquixá.

Segundo caso

Uma estudante indiana de 23 anos vítima de um estupro coletivo foi levada para cingapura, onde recebe tratamento médico, após 10 dias de protestos na Índia.

No dia 16 de dezembro, seis homens estupraram em um ônibus a estudante de Fisioterapia, a agrediram com uma barra de ferro e jogaram a vítima do veículo. A agressão provocou graves lesões internas e a jovem está em situação crítica, depois de passar por três cirurgias.

O governo indiano anunciou uma investigação especial sobre o crime, chamado de "atroz" pelo primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.

O estupro provocou manifestações em Nova Délhi contra a polícia e as autoridades, acusadas de não levar a sério as denúncias de estupros e agressões sexuais em um país dominado pelos homens e onde mais de 90% dos crimes violentos registrados em 2011 tiveram como vítimas uma ou várias mulheres.

Números oficiais mostram que 228.650 do recorde de 256.329 crimes violentos no ano passado na Índia foram contra as mulheres.

O número real, contudo, pode ser muito mais alto, já que muitas mulheres hesitam em denunciar os ataques à polícia.

Durante um discurso para ministros chefe dos estados da Índia na quinta, o primeiro-minitro, Manmohan Singh prometeu novas leis contra os ataques às mulheres.

Fonte: G1