Pelo menos 4 morrem durante protestos contra ditador no Iêmen

Os manifestantes gritaram palavras de ordem e usaram cartazes para pedir que Saleh seja julgado pelos delitos cometidos

Pelo menos quatro pessoas morreram no Iêmen nesta quinta-feira e mais de 40 ficaram feridas por tiros em uma manifestação que pedia o julgamento do ditador do país, Ali Abdullah Saleh.

Grupos armados de supostos partidários do líder abriram fogo contra um grande protesto em Sanaa, um dia após Saleh assinar na Arábia Saudita a iniciativa que prevê sua saída do poder e a realização de eleições presidenciais.

Milhares de pessoas participaram nesta quinta-feira de uma manifestação na praça de Al Taguir, epicentro da revolta, e se dirigiram à entrada de uma rua que conduz a uma área de edifícios oficiais, incluindo o Palácio Presidencial.


Manifestação contra ditador deixa ao menos quatro mortos no Iêmen

Os manifestantes gritaram palavras de ordem e usaram cartazes para pedir que Saleh seja julgado pelos delitos cometidos. Alguns exigiam inclusive sua execução.

Além disso, criticaram os partidos da oposição que assinaram a iniciativa do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), que estipula a transferência do poder nos próximos 30 dias e a realização de eleições presidenciais.

Os manifestantes não concordam que estes grupos tenham "dado a oportunidade" ao presidente iemenita de abandonar o poder sem se submeter a um processo judicial por seu suposto envolvimento na morte de manifestantes.

O protesto foi protegido pelas forças do general dissidente Ali Mohsen al Ahmar até chegar a uma rua controlada pelas forças leais a Saleh. Nesse ponto, as forças desertoras se retiraram e deixaram os manifestantes indefesos diante dos tiros de grupos armados que estavam vestidos à paisana e eram supostos seguidores do presidente.

Além dos quatro mortos, 20 pessoas foram feridas por tiros, enquanto outros sofreram sintomas de asfixia pelo efeito do gás lacrimogêneo.

TRANSFERÊNCIA DE PODER

A violência continua no Iêmen apesar de Saleh ter assinado na quarta-feira a iniciativa incentivada por países do Golfo e considerada um passo essencial para sair da crise que atinge o país desde 27 de janeiro.

De acordo com o secretário-geral da Organizaçao das Nações Unidas, Ban Ki-moon, Saleh deve se transferir a Nova York para receber tratamento médico por causa dos problemas que sofre depois do ataque terrorista do qual foi vítima em junho.

Iêmen, o país mais pobre da península Arábica, vive uma situação de crise e de revolta popular contra o regime de Saleh, que preside o país desde a unificação entre o norte e o sul em 1990, embora desde 1978 já governasse o Iêmen do Norte.

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br