Menino diz que se fingiu de morto para sobreviver a ataque na Síria

Em entrevista concedida à agência de notícias Associated Press, o garoto disse que só assim conseguiu escapar da morte.

Quando um homem desconhecido entrou em sua casa e começou a atirar em seus familiares, durante o massacre em Houla, na Síria, no último final de semana, Ali El-Sayed, 11, se jogou no chão ao lado dos corpos dos irmãos para se fingir de morto.

Em entrevista concedida à agência de notícias Associated Press, o garoto disse que só assim conseguiu escapar da morte.

Os pais e três irmãos foram mortos pelos invasores, 11 ao todo, que ainda não foram identificados. Ali disse apenas se lembrar de que eles tinham a cabeça raspada e barbas longas.

"Coloquei o sangue do meu irmão nas minhas roupas e agi como se estivesse morto", disse Ali em uma entrevista concedida aos repórteres da agência via Skype e facilitada com ajuda de ativistas de direitos humanos contrários ao regime do ditador sírio Bashar Al-Assad.

O irmão mais novo de Ali, Nader, de apenas seis anos, morreu com dois tiros, assim como seu outro irmão, Aden, 8, e sua irmã, Rasha.

O atirador acertou Nader e Aden, mas errou o tiro em Ali, segundo ele mesmo contou. "Foi terrível. Meu corpo inteiro tremia", diz ele ao lembrar-se de como se escondeu entre os irmãos.

Ali é um dos sobreviventes do massacre em Houla que deixou mais de 100 mortos no final de semana. Segundo a ONU, a maior parte das mortes é atribuída aos atiradores da milícia shabiha, partidários do governo de Assad. No entanto, ativistas afirmam que não podem provar que o grupo agiu a mando do governo.

Segundo ativistas, os responsáveis pelo massacre podem nunca serem responsabilizados, já que em casos como esse, as testemunhas costumam desaparecer, com medo de represálias.

Após o massacre, países da União Europeia, Estados Unidos, Canadá e Austrália, entre outros, expulsaram os embaixadores da Síria de seus países.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta quinta-feira (31) que a Síria corre o risco de entrar em uma "catastrófica guerra civil".

"Massacres como os que vimos no fim de semana passado podem levar a Síria a uma catastrófica guerra civil, uma guerra civil da qual o país nunca se recuperará", disse Ban durante o fórum da Aliança de Civilizações em Istambul.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU realizará uma sessão especial sobre a Síria na sexta-feira (1º) para investigar as mortes em Houla.

No entanto, China e Rússia, aliados da Síria e que têm o poder de vetar quaisquer sanções da ONU, recusaram-se a culpar as forças leais a Assad pelos assassinatos em Houla, o que já impede qualquer possibilidade do Conselho impor medidas duras sobre o governo sírio. (Com Associated Press e agências internacionais)

Fonte: UOL