Britânica é condenada por matar filho com injeção de heroína

Britânica é condenada por matar filho com injeção de heroína

Frances Inglis, que diz ter tentado acabar com sofrimento do filho em coma

A britânica Frances Inglis, que foi condenada em janeiro por matar o filho com uma injeção de heroína, teve seu apelo contra a sentença negado pela Justiça nesta sexta-feira (12).

Inglis, de 57 anos, tinha sido condenada à prisão perpétua pelo assassinato de seu filho Thomas, de 22 anos, em novembro de 2008. Thomas havia sofrido uma lesão cerebral e estava sob tratamento intensivo desde que caiu de uma ambulância em 2007.

A mãe confessou ter administrado a droga ao filho, por acreditar que estaria livrando o jovem de um "sofrimento terrível".

Em janeiro passado, ela foi condenada por um júri popular. O juiz afirmou que Inglis deveria cumprir a pena mínima de nove anos e ser monitorada pelo resto da vida.

Na corte de apelação, três juízes rejeitaram seu pedido de revisão da sentença, mas reduziram a pena mínima de nove para cinco anos.

"Amor materno"

Thomas Inglis ficou em coma permanente após ter pulado de uma ambulância em movimento em julho de 2007, quando estava sendo levado para um hospital para tratar de um corte no lábio, após uma briga em um bar em julho de 2007.

Dois meses depois do acidente, sua mãe teria tentado matá-lo com heroína pela primeira vez, no Queens Hospital em Romford, Essex. O coração de Thomas parou por seis minutos, mas ele foi ressuscitado.

Ela foi acusada de tentativa de assassinato, mas, ainda em liberdade, repetiu a tentativa de matar o filho com heroína, fazendo-se passar por sua irmã.

Desta vez, a overdose da substância, aplicada no braço e na coxa de Thomas Inglis, conseguiu matá-lo.

O juiz do caso disse que "a lei não distingue entre assassinato cometido por razões malévolas e assassinato cometido por amor materno".

Na audiência de apelação, o advogado de Inglis, Alan Newman, afirmou que ela temia que seu filho morresse em agonia, e que deu a injeção para dar fim à sua vida de maneira "pacífica e indolor".

Newman afirmou ainda que Inglis "estava completamente tomada pela crença de que Tom estava sofrendo".

No entanto, o juiz disse que as evidências mostravam que Inglis não havia perdido o controle e que utilizou sua mente para pôr em prática o "objetivo de matar seu filho".

"A condição de Thomas fazia dele alguém especialmente vulnerável, e por esta e outras razões - mesmo que ele fosse morrer alguns meses depois - sua vida estava protegida pela lei. Ninguém, nem mesmo sua mãe, poderia ter dado um fim prematuro a ela", declarou.

Os três juízes da corte de apelação decidiram que a contestação de Inglis estava "fora de discussão".

Fonte: g1, www.g1.com.br