Mulheres egípcias fazem sua própria revolução

A tensão e a violência vividas nos últimos dias não impediram as mulheres de saírem às ruas neste momento histórico.

Armadas com cartazes, megafones e inclusive pedras, as mulheres egípcias têm rompido com os preconceitos existentes na sociedade e aparecem lado a lado com os homens durante os protestos contra o regime de Hosni Mubarak.

A tensão e a violência vividas nos últimos dias, quando se começaram os confrontos entre os partidários e opositores do presidente, não impediram as mulheres de saírem às ruas neste momento histórico.

"Vamos mudar o sistema, queremos liberdade", assegurou nesta sexta-feira à Agência Efe na praça Tahrir a egípcia Amel Said, que não pode controlar sua euforia nesta jornada batizada de "Dia da Saída".

Said, uma mulher de meia idade pertencente às classes populares, explicou que seu marido e sua família a encorajaram a participar das manifestações, algo inovador em uma sociedade conservadora e patriarcal na qual a mulher tem em geral um papel secundário.

"Como as mulheres tomam parte nesta revolução, agora terão voz nos assuntos do Egito", ressaltou Said, sentada na entrada da tenda onde dorme há uma semana no centro da praça Tahrir.

Esta confiança é compartilhada por muitas mulheres, que não escondem a surpresa perante a participação feminina nesta revolta popular.

Como disse à Agência Efe a diretora do Centro Egípcio para os Direitos da Mulher, Nehad Abul Komsan, "o que aconteceu nestes dias nas ruas é impressionante".

"Era possível ver mulheres se manifestando ao lado dos homens. Isto é extraordinário", acrescentou.

Para Komsan, as protagonistas destas manifestações são "uma nova geração de mulheres que tem estudos, expressa seus sentimentos na internet e que é bem recebidas nos movimentos de protesto".

Esta descrição se encaixa muito bem com as jovens de classe média e alta que armadas com seu BlackBerry protestaram nos primeiros dias e informavam minuto a minuto dos eventos no microblog Twitter.

Na praça Tahrir, se encontrava nesta sexta-feira também a jovem Sara Ismail, que reside há um ano na Síria e retornou no sábado passado ao Egito para participar dos protestos políticas contra Mubarak.

Ismail assegurou que nesta revolta a situação melhorou para as mulheres.

"Me visto normalmente e nem as pessoas mais conservadoras falaram alguma coisa", assinalou com alegria esta jovem ativista, que acrescentou que também não ouviu falar de casos de assédio sexual, uma praga na sociedade egípcia.

"A solidariedade é o que está fazendo com que a revolução seja do povo e não de uma certa classe social ou de um único gênero", resumiu Ismail.

A praça Tahrir, epicentro da revolta popular que começou no dia 25 de janeiro, não tem tribunas públicas mas improvisadas, onde qualquer se lança com palavras de ordem que a multidão repete com euforia. As mulheres não ficam para trás.

"O Governo de Mubarak é ilegal", "o Parlamento é ilegal", "Mubarak renuncie já, hoje é o Dia da Saída", gritava nesta sexta-feira uma jovem com um lenço palestino, enquanto cerca de 30 homens e mulheres cantavam seus lemas.

Fonte: Terra