"Não suporto que vítimas de estupro se sintam culpadas", diz Agelina Jolie

Ela e o chanceler britânico William Hague visitaram a Bósnia e conversaram com vítimas de estupro



Em viagem à Bósnia, numa campanha contra o abuso sexual em zonas de conflito, a atriz norte-americana Angelina Jolie falou sobre as mulheres que sofreram abusos sexuais. "Não suporto o fato que mulheres estupradas sentem-se culpadas", disse.

A atriz e embaixadora da boa vontade do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e o chanceler britânico, William Hague, conversaram com as vítimas de estupro da Guerra da Bósnia, que, 20 anos depois, ainda esperam por justiça. "A utilização do estupro como arma de guerra é um dos crimes mais atrozes e mais selvagens contra os civis. É tão brutal, é uma violência tão extrema, que é até difícil falar a respeito", afirmou.

A atriz fez um apelo para que as missões de paz em todo mundo tenham como prioridade impedir estes crimes. Por sua parte, Hague lamentou que a violência sexual seja utilizada deliberadamente como arma de guerra em conflitos como na Síria, República Centro-Africana e Sudão do Sul.

Milhares de mulheres, em sua maioria muçulmanas, foram estupradas durante a guerra na Bósnia e apenas 33 autores desses crimes foram julgados e condenados.

Estupros no Brasil

O número de estupros no Brasil subiu 18,17% em 2012, na comparação com o ano anterior, de acordo com o 7º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Em todo o país, foram registrados 50,6 mil casos, o correspondente a 26,1 estupros por grupo de 100 mil habitantes. Em 2011, a taxa era de 22,1.

Os estados com as maiores taxas de estupro para cada 100 mil habitantes foram Roraima, Rondônia e Santa Catarina. As menores taxas, por sua vez, ocorreram na Paraíba, no Rio Grande do Norte e em Minas Gerais.

Segundo dados do documento, o total de estupros - 50,6 mil casos - superou o de homicídios dolosos (com intenção de matar) no país. Foram registradas 47,1 mil mortes por homicídio doloso em 2012, subindo de 22,5 mortes por grupo de 100 mil habitantes em 2011, para 24,3 no ano passado, uma alta de 7,8%.

Fonte: Correio Braziliense