Quatro crianças morrem em um ataque das forças líbias

Forças leais ao ditador líbio, Muammar Kadhafi, bombardearam nesta terça-feira (22) a cidade de Misrata

Forças leais ao ditador líbio, Muammar Kadhafi, bombardearam nesta terça-feira (22) a cidade de Misrata, no oeste do país e controlada por rebeldes. Entre as vítimas estão quatro crianças, mortas quando o carro em que estavam foi atingido, disse um morador à agência de notícias Reuters.

O ditador está há 42 anos no poder e, desde o começo do ano, está numa campanha violenta para reprimir uma rebelião que começou com manifestações antigoverno pela sua deposição. Na semana passada, a ONU aprovou uma resolução apoiando quaisquer medidas necessárias para impedir um massacre de civis no país.

"A situação aqui é muito ruim. Tanques começaram a bombardear a cidade nesta manhã", disse o morador, chamado Mohammed, por telefone. Ele estava do lado de fora do hospital da cidade. "Atiradores de elite estão participando das operações também. Um carro civil foi destruído, matando quatro crianças que estavam nele, a mais velha tinha 13 anos", acrescentou.

Segundo a agência, 40 pessoas foram mortas só na segunda-feira por forças leais a Kadhafi na cidade, segundo um morador. O número não pôde ser verificado independentemente e autoridades líbias não confirmaram imediatamente.

A televisão estatal líbia disse que várias localidades de Trípoli sofreram ataques aéreos na segunda-feira.

Impasse

Enquanto os rebeldes contrários a Kadhafi têm dificuldades em criar uma cadeia de comando que capitalize os ataques aéreos contra tanques e defesas aéreas da Líbia, as nações ocidentais ainda têm que decidir quem controlará as operações depois que Washington se retirar.

Os Estados Unidos cederão o controle da ofensiva aérea em questão de dias, disse o presidente Barack Obama, no momento em que as divisões na Europa alimentam a especulação de que Washington será forçado a manter a liderança das patrulhas aéreas em substituição ao bombardeio inicial.

"Prevemos que essa transição ocorra em questão de dias e não semanas", disse Obama, que tem sido questionado sobre os militares dos EUA estarem se atolando em um terceiro país muçulmano, em uma coletiva de imprensa durante visita ao Chile.

Os rebeldes, que foram forçados a recuar a seu reduto em Benghazi antes dos ataques aéreos deterem um avanço das forças de Kadhafi, nada fizeram para retomar seu plano de avanço sobre Trípoli - despertando temores de que a guerra pode chegar a um impasse.

Mas Washington, temeroso de se envolver em mais uma guerra após as longas campanhas no Iraque e no Afeganistão, descartou uma ação específica para derrubar Kadhafi, embora a França tenha dito na segunda que espera que o governo líbio caia de dentro para fora. Obama não especificou que nação ou organismo assumiria a campanha, mas Grã-Bretanha e França tomaram a dianteira nos assaltos aéreos à Líbia, que já destruíram boa parte de suas defesas aéreas.

O primeiro-ministro britânico David Cameron disse que a intenção é transferir o comando à Otan, mas a França declarou que os países árabes não querem a aliança encabeçada pelos EUA a cargo da operação no país produtor de petróleo.

Caça

Um caça F-15E da Força Aérea norte-americana caiu na Líbia entre a noite de segunda e a manhã de terça-feira, os dois tripulantes foram recuperados, de acordo com os militares dos Estados Unidos. A queda provavelmente foi causada por falha mecânica e não fogo hostil, disseram.

Deslocados

Milhares de pessoas fugiram de suas casas no leste da Líbia, anunciou nesta terça o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), com base nos depoimentos de pessoas que cruzaram a fronteira com o Egito.

"A equipe do Acnur na fronteira do Egito com a Líbia tem ouvido notícias das pessoas que chegam que milhares de líbios estão desabrigados no leste do país, buscando refúgio em casas, escolas e universidades", declarou Adrian Edwards, porta-voz do Acnur.

Zintan

A cidade de Zintan, no oeste da Líbia, foi alvo na segunda-feira de pesado bombardeio das forças leais a Kadhafi, segundo testemunhas, o que forçou moradores a fugir, indo até para cavernas numa região montanhosa próxima. "Várias casas foram destruídas e um minarete de uma mesquita também foi derrubado", disse à agência Reuters o morador Abdulrahmane Daw, por telefone, falando de Zintan. "Mais forças foram enviadas para sitiar a cidade. Há agora pelo menos 40 tanques no sopé das montanhas perto de Zintan."

Fonte: UOL