Sequestro em café de Sydney termina com mortes de sequestrador e dois reféns

Entre os reféns, havia uma brasileira, a personal trainer goiana Marcia Mikhael, cuja família informou no Facebook que ela está bem e em segurança.

Três pessoas morreram, entre elas dois reféns e o atirador, durante a invasão policial que pôs fim a 17 horas de sequestro em um café em Sydney, na Austrália. O sequestrador, de 50 anos e que agiu sozinho, morreu no hospital depois de ser baleado em confronto com a polícia. As outras duas vítimas fatais foram um homem de 34 anos e uma mulher de 38, que também foram baleados e tiveram a morte confirmada no hospital.

A polícia de Nova Gales do Sul não informou se os reféns foram atingidos pelo próprio atirador. Ao todo, quatro pessoas entre os 17 reféns ficaram feridas. Duas mulheres foram socorridas com ferimentos leves e não correm risco de morte. Uma terceira foi baleada no ombro e um policial foi atingido por estilhaços no rosto, mas não corre risco de morrer.

Entre os reféns, havia uma brasileira, a personal trainer goiana Marcia Mikhael, cuja família informou no Facebook que ela está bem e em segurança. Em nota, o premiê australiano, Tony Abbott, lamentou as mortes dos dois reféns. "Nossos pensamentos e preces vão para as famílias dos mortos, feridos e outros reféns." Ele ainda agradeceu pela coragem e profissionalismo dos agentes policiais e socorristas envolvidos no salvamento.

O premiê do Estado de Nova Gales do Sul, Mike Baird, chamou o ataque de "horrendo e cruel" e agradeceu as forças policiais pela atuação durante o sequestro. "Os valores que tínhamos ontem, continuamos a ter hoje. São os valores da liberdade, democracia e harmonia", enfatizou Baird no início de sua fala à imprensa. "Temos que nos unir, somos mais fortes juntos e vamos superar isso", pediu aos australianos.

Andrew Scipione, comissário de polícia do Estado de Nova Gales do Sul, reforçou o pedido de união à comunidade. "Quero destacar que eles [policiais] salvaram vidas, salvaram muitas vidas, e àqueles homens e mulheres, somos gratos", disse Scipione sobre a atuação de seus agentes.

Invasão policial termina em mortes

A polícia invadiu no início da tarde desta segunda-feira (segundo o horário de Brasília, madrugada de terça no horário local) o café onde 17 pessoas eram mantidas reféns. Ouviu-se um barulho de explosão dentro da cafeteria e, em seguida, cinco pessoas pessoas saíram correndo do café Lindt. A polícia confirmou que foram disparados tiros e granadas dentro do local.

Imagens de TV mostram que algumas macas eram usadas para retirar vítimas com urgência. Um membro da Força Nacional de Segurança disse à "CNN" que ao menos nove pessoas estavam no prédio no momento da invasão --outras 12 haviam fugido antes. O sequestrador vestia um colete preto quando foi morto e havia a preocupação de que houvesse explosivos nele.

Segundo a rede australiana "9 News", o sequestrador é o clérigo radical iraniano Man Haron Monis. Nascido Manteghi Bourjerdi, ele se mudou do Irã para a Austrália em 1996, onde trocou de nome e adotou o título de xeque. A polícia de New South Wales, no entanto, não confirmou a informação. Monis ganhou atenção na mídia por uma campanha de ódio que fez contra a presença de militares australianos no Afeganistão. Ele enviou dezenas de cartas aos familiares de soldados mortos no Afeganistão. Em abril deste ano, Monis foi acusado de molestar sete mulheres durante seu trabalho como líder espiritual. Em outubro, novas denúncias apareceram. Ele saiu da prisão sob fiança e deveria comparecer a julgamento em fevereiro do ano que vem. (Com agências internacionais)







Fonte: UOL