Uruguai e França empatam em estreia na Copa

Uruguai e França empatam em estreia na Copa

Campeões mundiais deixam a tradição no vestiário e fazem jogo arrastado

Tirando a tradição, sobrou pouco. França e Uruguai estrearam na Copa da África do Sul nesta sexta-feira, mas esqueceram no vestiário o status de campeões mundiais. O jogo arrastado e repleto de erros no estádio Green Point, na Cidade do Cabo, terminou com o placar que mereceu: 0 a 0. Cercados de desconfiança às vésperas da competição, franceses e uruguaios abriram os trabalhos fazendo muito pouco para mudar a opinião de suas torcidas. Nem Henry e Loco Abreu, lançados na fogueira no segundo tempo, conseguiram salvar as pátrias.

A Celeste volta a campo no dia 16, contra a África do Sul, enquanto os Bleus voltam a campo no dia seguinte para encarar o México. Sul-africanos e mexicanos também empataram na estreia, mas lideram o grupo A porque cada um fez um gol.



O Green Point, que foi construído especialmente para a Copa do Mundo e engoliu quase R$ 1 bilhão nas obras, só encheu em cima da hora nesta sexta-feira. Entre os 64.100 torcedores, a maioria era de franceses, que encheram os pulmões para cantar o hino.

Quando a bola rolou, contudo, houve muito motivo para euforia. O primeiro tempo se arrastou de forma monótona, com raríssimas chances de gol nos dois lados. Vestindo branco, os Bleus tomaram a iniciativa e tiveram a primeira oportunidade com Govou, que completou um cruzamento rasteiro na pequena área, na frente do goleiro Muslera, mas mandou para fora.

A resposta celeste veio com Forlán, que cortou para a direita e bateu forte da entrada da área, em cima de Lloris. Onipresente, o atacante uruguaio voltava para buscar jogo, batia faltas e concentrava todas as ações, mas ainda pecava nos passes perto da área.

O melhor lance da primeira etapa foi uma defesa espetacular de Muslera, que foi buscar no ângulo uma falta cobrada por Gourcuff. Fora isso e dois balões de ar que caíram no campo e estouraram com pisões de Lloris, os únicos momentos notáveis foram os cartões amarelos para os franceses Ribery e Evra, ambos pelo mesmo motivo: puxar um adversário.

Aos 40 minutos, a torcida percebeu que era melhor se divertir sozinha e começou a fazer uma ola. Era mesmo a hora de ir para o intervalo.

O segundo tempo começou do mesmo jeito, enquanto Henry aquecia de um lado e Loco Abreu, do outro. Até os 17 minutos, nada de relevante aconteceu. Com o estádio em silêncio, Toulalan deu uma entrada dura em Pereira e levou cartão amarelo. Velho conhecido dos brasileiro, o zagueiro Lugano foi tirar satisfações e esquentou o clima.

Diante da monotonia, começaram as trocas. A Celeste lançou Lodeiro no lugar de Gonzalez e Loco Abreu no de Suarez. Mas a torcida vibrou mesmo, como se fosse um gol, quando Henry tirou o agasalho e substituiu Anelka aos 26. Malouda também entrou no lugar de Gourcuff.

Lodeiro só ficou 18 minutos em campo. Foi o suficiente para fazer duas faltas duras, levar um amarelo e um vermelho. Aos 36, encerrou sua estreia na Copa e deixou o campo com as mãos na cabeça, desconsolado.

Um minuto depois, com a França toda no campo de ataque, Henry teve a primeira chance. O atacante aproveitou a não marcação de um impedimento e cabeceou com perigo para fora. Logo em seguida, ganhou a companhia de Gignac, que substituiu Govou.

Desinteressado no jogo, o Uruguai ainda ganhou tempo com a entrada de Eguren no lugar de Perez. Aos 43, o toque de ironia. Henry que classificou a França para a Copa usando a mão na jogada do gol contra a Irlanda, reclamou de um toque de mão do Uruguai. O juiz mandou o jogo seguir.

A torcida ainda se animou para dois últimos suspiros. O escanteio cobrado por Malouda foi afastado pela zaga. No último minuto, Diaby sofreu falta na entrada da área. Após Lugano receber um cartão amarelo por retardar a cobrança, Henry foi para a bola, mas Loco Abreu, na barreira, desviou a bola, afastando o perigo.

E a estreia dos dois campeões mundiais terminou mesmo com um empate melancólico.

Fonte: Globo Esporte