"Vou ser executado?", disse brasileiro antes de ser fuzilado na Indonésia

O governo brasileiro recebeu com "profunda consternação" a notícia da execução por fuzilamento de Gularte e disse considerar um "fato grave" nas relações entre os dois países.

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O brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte, executado na Indonésia por tráfico de drogas e diagnosticado com esquizofrenia e transtorno bipolar, não entendia o que estava acontecendo a ele até os momentos finais, disse nesta quinta-feira (30) um padre designado como seu conselheiro espiritual a uma rádio australiana.

Gularte estava entre as oito pessoas de diversos países condenadas por crimes relacionados a entorpecentes que foram executadas pouco após a meia-noite da madrugada de quarta-feira (horário local).O Brasil fez repetidos apelos à Indonésia para comutar sua pena por razões humanitárias, citando as condições psicológicas de Gularte.

O padre Charlie Burrows, sacerdote local que acompanhou Gularte em suas horas finais, disse à ABC que considerava ter preparado o brasileiro para sua execução.Gularte estava calmo e foi algemado por um carcereiro, mas ficou nervoso quando foi entregue aos policiais no lado de fora do presídio, onde foram colocadas correntes em suas pernas, disse Burrows.

"Pensei ter passado a mensagem que ele seria executado, mas... quando as correntes foram colocadas, ele disse para mim: 'Padre, vou ser executado?'", disse.Gularte foi preso após entrar na Indonésia em 2004 com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe e condenado à morte em 2005.

A família de Rodrigo Gularte, de 42 anos, apresentou diversos laudos médicos às autoridades indonésias, atestando suas condições mentais, e a presidente Dilma Rousseff fez apelos pessoais sobre o caso.Gularte foi o segundo cidadão brasileiro a ser executado na Indonésia neste ano, após o fuzilamento de Marco Archer, em janeiro, também condenado por tráfico de drogas.

O governo brasileiro recebeu com "profunda consternação" a notícia da execução por fuzilamento de Gularte e disse considerar um "fato grave" nas relações entre os dois países.

Fonte: R7