Jovens criam plataforma para salvar o Parque Serra da Capivara

No site, os amigos divulgam a conta da própria Fundação.

A arqueóloga e presidente da Fundação do Homem Americano (Fumdham), Niède Guidon, fez um anúncio no mês de agosto que movimentou as redes sociais: as atividades do Parque Nacional Serra da Capivara iriam paralisar por falta de recursos para manter os funcionários do parque - apenas 11% dos profissionais continuariam trabalhando. Localizado ao sul do Piauí, o um parque arqueológico inscrito pela UNESCO na lista do Patrimônio Mundial é um conjunto de chapadas e vales que abrigam sítios arqueológicos com pinturas e gravuras rupestres, além de outros vestígios do cotidiano pré-histórico.

Como forma de mobilizar a população em torno do parque, o publicitário e designer gráfico Gustavo Athayde junto ao bancário e advogado Igor Brasileiro e o empreendedor social Eky Barradas se uniram para desenvolver a campanha Salve a Serra através de uma plataforma digital. No sitehttp://salveaserra.com/ eles explicam de forma didática como funciona a campanha através dos tópicos “O que está acontecendo”, “O que é o Salve a Serra”, “O que você pode fazer agora”, “O impacto do projeto” e “O que você também pode fazer”.

 (Crédito: Kelson Fontinele)
(Crédito: Kelson Fontinele)

“A angústia surgiu da população piauiense e eu tive conhecimento do fechamento através do texto da Camila Pitanga sobre o fechamento do Parque, então eu quis fazer algo. Como eu não sei nada sobre isso, a minha intenção era criar uma conta bancária filantrópica pra ajudar a arrecadar para a instituição. O Igor trabalha em banco e é advogado, então liguei pra ele, e ele explicou que abrir esse tipo de conta é um processo demorado e burocrático.

Então encontramos no site da Fumdham que ela tem uma conta disponível para quem quiser fazer doações, e juntamos esforços para divulgar essa informação. Criamos uma plataforma para tornar essa informação mais acessível, então falei com o Eky, que é empreendedor social, e colocamos de forma clara essas informações para viralizar nas redes sociais – dessa forma, montamos o time”, conta Gustavo Athayde.

Para Igor, o sul do nosso estado é esquecido. “Eu morei lá até os 12 anos vizinho a São Raimundo Nonato. Escutava falar do Parque, da doutora Niède, mas na região ninguém ia ao parque. Não existia nada que incentivasse. A gente queria sensibilizar primeiro a galera daqui de Teresina, com uma quantia módica, a maioria da população pode contribuir. E a gente pensou que se cada pessoa da cidade de Teresina, que tem quase 900 mil habitantes, doar R$ 1, o Parque instantaneamente vai conseguir esse dinheiro. Os governantes estão tentando essa mesma quantia em Brasília, mas para ser liberada tem todo um processo, e daqui pra dezembro talvez dê certo”, explica.

 (Crédito: Kelson Fontinele)
(Crédito: Kelson Fontinele)

Eky enfatiza que é preciso haver movimentação além de manifestar angústia ou revolta nas redes sociais, e as ações devem partir das mais simples até as mais complexas. “O site explica de forma didática cada passo. É um valor simbólico, de R$ 1, que pode ser pago até com cartão de crédito pelo Paypal. Se for esperar pelo Estado, não dá certo. Precisamos parar de depender do governo para tudo e pensar o que pode ser feito para resolver, do mais simples ao mais complexo. Isso pode ser feito por qualquer pessoa que entra no site e vê a conta, sabe como doar, e sair da situação emergencial. Ideia já tem muita, a gente procura por pessoas que de fato façam algo”, ele frisa.

No site, os amigos divulgam a conta da própria Fundação, e o dinheiro doado vai diretamente para a Fumdham, sem passar por nenhum intermediário. Além disso, é possível contribuir através da compra de camisetas pelo e-commerce do site, e o dinheiro das vendas é convertido totalmente para o Parque. “A ideia da camiseta veio na tentativa de promover uma arrecadação ainda maior, com a elaboração de uma estampa para três modelos de camisetas, que alcançariam uma renda maior e será 100% revertida para a conta da Fumdham, potencializando as doações. Quem veste a camiseta está ajudando a divulgar a campanha”, Igor conta. “Com as camisetas, as pessoas se sentem mais parte do processo também. A aquisição é somente pelo site e com pré-venda, porque não temos patrocínio. A compra é agendada e com o montante do primeiro lote nós faremos a entrega. A previsão é para o mês de outubro”, adiciona Gustavo.

No Parque é possível apreciar belezas naturais com o conjunto de quatro serras – Serra da Capivara, Serra Branca, Serra Talhada e Serra Vermelha – com diferentes ambientes e paisagens onde se pode contemplar os monumentos geológicos, a fauna e a flora da caatinga. Os aventureiros também podem se divertir com a realização de esportes no entorno do Parque, desde caminhadas na caatinga, passeios de bike e outras emoções. E, por fim, o conjunto de 1.354 sítios arqueológicos cadastrados, com 183 deles preparados para a visitação turística, sendo 17 deles acessíveis a pessoas com dificuldades de locomoção – uma riqueza da nossa história a ser apreciada.

 (Crédito: Kelson Fontinele)
(Crédito: Kelson Fontinele)

Além da ação emergencial de arrecadar o dinheiro necessário para que o parque continue funcionando, os três amigos desejam despertar a consciência da população para a importância do Parque Nacional, considerado o berço do homem americano.

Quando vamos a outros estados, o que não falta são opções de turismo incentivado para conhecer. Você entra no aeroporto e vê as placas atrativas, e tem muitas opções. Mas você chega a Teresina e não tem nada. Em Recife, você entra num centro histórico daquele e volta no tempo, é muito lindo. Quando fui no carnaval, fomos recebidos na rodoviária por uma banda e pessoas colocando aqueles colares coloridos. Não tem como não querer voltar”, Igor exclama.

Os amigos apontam a falta de investimentos na pouca procura da população pela visitação, que desestimularia os empresários locais. “Nós temos uma demanda reprimida, precisamos de chamadas para ações. O interesse dos empresários virá quando houve mais pessoas procurando visitar. Lidamos com muita burocracia hoje, temos que ultrapassar muitas barreiras”, diz Eky. Igo acrescenta que o potencial do parque é pouco explorado pelos visitantes. “A estrutura do Parque hoje abarca até 7 milhões de visitantes – entretanto, atualmente não ultrapassamos 25 mil pessoas. Temos que valorizar o projeto inicial da Niède”, disse.

Com divulgação precária, poucas pessoas sabem que a Serra da Capivara, apesar de ficar a 520km daqui, tem estrada toda asfaltada, e conta com infraestrutura para receber os visitantes, com guaritas para a recepção dos turistas, estradas, Centro de Visitantes, trilhas, escadarias e passarelas que permitem, com segurança e conforto, o passeio do visitante. Mas atenção: para conhecer o Parque é necessário estar acompanhado de um condutor de turismo, que pode ser agendado nos hotéis e nos receptivos turísticos.

Para quem tiver dúvidas de como chegar, o site da Fundação é recheado de informações sobre o que esperar do Parque Nacional Serra da Capivara, localizado no sudeste do Piauí, com infraestrutura nos municípios de São Raimundo Nonato, Brejo do Piauí, Coronel José Dias e João Costa.

 (Crédito: Kelson Fontinele)
(Crédito: Kelson Fontinele)


CIDADES PRÓXIMAS COM AEROPORTO

São Raimundo Nonato/PI (distante 10 km)

Aeroporto da Serra da Capivara, inaugurado em novembro de 2015.

Estrada para Dirceu Arcoverde, São Raimundo Nonato

Tel: (89) 98105-9379

Petrolina/ PE – distante 303 km de São Raimundo Nonato/PI

Aeroporto Internacional Nilo Coelho – Rod. BR-235, Km 11. Tel: (87) 3863-3366

DESLOCAMENTO DE ÔNIBUS

De Teresina/PI – ônibus diário, três vezes ao dia, a partir do Terminal Rodoviário de Teresina.

Terminal Rodoviário Governador Lucídio Portella

Rodovia Gov. Lucídio Portella, s/nº, Bairro Redenção

Tel: (86) 3229-9047 / 3229-9048

De Petrolina/PE – ônibus diário, uma vez ao dia, a partir do Terminal Rodoviário de Petrolina.

Terminal Rodoviário Governador Nilo Coelho

Avenida Nilo Coelho, s/nº, Bairro Gercino Coelho

Tel: (87) 3862-3200

DESLOCAMENTO DE CARRO

A partir de Teresina/PI – pela BR-316, continuar pela BR-343 até Floriano, girar à direita para a BR-230, depois seguir pela PI-140 e continuar na BR-324 até São Raimundo Nonato (rota com 520 km).

A partir de Petrolina/PE, pela BR-235 até Remanso/BA, continuar pela BR-324 até São Raimundo Nonato. Após a cidade de Remanso, há cerca de 100 km de estradas não asfaltadas (rota com 303 km).

Faça uma doação

Transferência / Depósito

Banco do Brasil | Ag: 2660-3 | C/c: 443322-X

CNPJ: 07.682.107/0001-06


 (Crédito: Kelson Fontinele)
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 (Crédito: Kelson Fontinele)
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 (Crédito: Kelson Fontinele)
(Crédito: Kelson Fontinele)
 (Crédito: Kelson Fontinele)
(Crédito: Kelson Fontinele)
 (Crédito: Kelson Fontinele)
(Crédito: Kelson Fontinele)
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 (Crédito: Kelson Fontinele)
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Fonte: Mayara Valença