Jovens fazem vigília para rezar por vítimas de incêndio na boate Kiss

Jovens fazem vigília para rezar por vítimas de incêndio na boate Kiss

Ação começou em praça e se estendeu à fachada da boate Kiss. Próximos sete sábados terão vigílias semelhantes, diz pastor.

Um grupo de cerca de cem jovens realizou entre a noite deste sábado (9) e a madrugada de domingo (10) uma vigília entre a praça Saldanha Marinho, no Centro de Santa Maria, e o prédio da boate Kiss, onde um incêndio em 27 de janeiro causou 238 mortes. A ação foi organizada pelo grupo religioso Ministério Engel, que ainda fará atos semelhantes nos próximos sete sábados na cidade da Região Central do Rio Grande do Sul.

A vigília teve início por volta das 22h na praça. Os jovens rezaram ao som de canções religiosas executadas nos alto-falantes de um carro posicionado na praça. Por volta da 0h, cerca de 30 pessoas se dirigiram até a fachada da boate, enquanto o resto do grupo permaneceu na praça. Onde funcionava a casa noturna, o pastor Joel Engel conduziu uma oração. ?Vamos entregar a Deus nossos queridos jovens que se foram?, disse.

Segundo Gabriele Engel, de 24 anos, jovens de Santa Maria, Sobradinho, Arroio do Tigre, Faxinal do Soturno e Agudo se reúnem desde o dia do incêndio para prestar apoio a sobreviventes da tragédia e pessoas que perderam amigos ou familiares. ?Desde que soubemos, viemos ajudar o pessoal. Nossa igreja está aberta para quem precisar fazer hospedagem. Até ajudamos na mudança de uma senhora que perdeu um filho?, declarou.

Pai de Gabriele, Joel disse que o grupo religioso já vinha realizando algumas ações para auxiliar jovens universitários da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Segundo ele, os acadêmicos que moram na Casa do Estudante precisam ter uma atenção maior do governo federal.

?O que levou estes jovens à boate foi uma festa para angariar fundos para se formarem, e isto resultou em um acidente trágico. Eles vivem em uma situação de dificuldades?, afirmou.

Entenda

O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, deixou 238 mortos na madrugada do último domingo (27). O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco. De acordo com relatos de sobreviventes e testemunhas, e das informações divulgadas até o momento por investigadores:

- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso.

- Era comum a utilização de fogos pelo grupo.

- A banda comprou um sinalizador proibido.

- O extintor de incêndio não funcionou.

- Havia mais público do que a capacidade.

- A boate tinha apenas um acesso para a rua.

- O alvará fornecido pelos Bombeiros estava vencido.

- Mais de 180 corpos foram retirados dos banheiros.

- 90% das vítimas fatais tiveram asfixia mecânica.

- Equipamentos de gravação estavam no conserto.

Fonte: G1