Manifestantes querem embargo de obra de terminal na zona Sul de THE

Os manifestantes passam o dia e a noite no local

Se não está fácil para os teresinenses que residem em áreas arborizadas conviverem com calor de mais de 40ºC da cidade, para os moradores do Parque Piauí, localizado na zona Sul de Teresina, a situação pode ficar mais insuportável ainda. Isso porque a Prefeitura de Teresina fará a retirada de 173 árvores da Praça de Ações Comunitárias do bairro, para construir um Terminal de Integração do Transporte Coletivo na região.

Um “absurdo” para quem defende as causas ambientais. Destruir a praça para fazer o Terminal é considerado “inaceitável” para os moradores do bairro e representantes de movimentos sociais. Desde sábado (3) a população decidiu se mobilizar e ocupou o local.

O engenheiro florestal Mateus Mendes faz parte da mobilização e esteve na manhã de ontem (5) na Defensoria Pública do Estado solicitando apoio do órgão para que a obra municipal seja embargada. “Não é só pelas árvores, é pelo valor da praça para a população. A Praça de Ações Comunitárias foi inaugurada há 45 anos e muitas atividades sociais são desenvolvidas nela. Além de ser uma opção de lazer para os moradores da região”, defende Mateus.

Preocupados com a causa, pelo menos 20 pessoas fizeram uma espécie de campana e estão ocupando a praça. Os manifestantes passam o dia e a noite no local e com isso a obra está com o andamento impedido. “Os moradores nos apoiam e ajudam como podem. Fazem comidas para a gente, abrem as portas de suas casas para tomarmos banho e integram nossa luta”, acrescenta o engenheiro florestal Mateus Mendes.

Morando há 25 anos no Parque Piauí, a enfermeira Vanessa Silva é contra a remoção das árvores. “Temos uma história cultural com essa praça. É uma das principais do Parque Piauí e não pode virar um Terminal de Integração”, reclama. Os manifestantes garantem que só deixarão o local quando a prefeitura afirmar que vai construir o Terminal em outro terreno que não seja uma área verde.

Ao Jornal Meio Norte, a PMT alega que, ao contrário do que é dito pela população, o projeto prevê a retirada de 96 troncos. O executivo municipal garante, ainda, que fará compensação ambiental, plantando o dobro do número de árvores que serão removidas.

Sobre executar as obras em uma área que não seja considerada “verde”, a Prefeitura de Teresina alega que tentou fazer implantação em um terreno particular, mas o preço cobrado pelo proprietário estava alto e o projeto triplicaria de valor.

Fonte: Pollyana Carvalho e Izabella Pimentel