Maternidade Dona Evangelina Rosa faz 40 anos com saldo positivo

A sua história se confunde com a de milhares de piauienses

Boas lembranças, histórias de superação, reconhecimento por um trabalho de excelência e, sobretudo, a projeção de um futuro de grandes mudanças. É com esse espírito que a Maternidade Dona Evangelina Rosa (MDER) completa 40 anos na próxima sexta-feira (15).  Uma marca histórica que faz a data ter uma importância imensurável. Nessas quatro décadas de existência, a sua história, que se confunde com a de milhares de piauienses, foi protagonizada por muitos avanços e pioneirismo.

Fundada em 1976, após suspensão dos serviços da Maternidade São Vicente, surgiu com o propósito de representar novos tempos na obstetrícia do Piauí. Na época  era a única maternidade pública da cidade de Teresina e, assim, se manteve durante muito tempo. Já na sua criação, a Evangelina Rosa  tornou-se Hospital-Escola, recebendo disciplinas de obstetrícia e pediatria do Departamento Materno-Infantil do Centro de Ciências da Saúde da Fundação Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Ensino

Já na década de 80  começou a se consolidar como Hospital Escola. Foi na MDER, em 1981, que foi realizada a primeira pós-graduação na área médica no Estado do Piauí. Ao fazer uma reflexão, o diretor-técnico da Maternidade, médico Joaquim Parente – que foi responsável pelo terceiro parto realizado na MDER e coordenador do Curso de Especialização em Obstetrícia - destacou  situações marcantes no decorrer dessas quatro décadas,sendo uma delas, o desenvolvimento do Ensino Médico. “O Piauí nunca tinha promovido um curso de especialização em área médica até que esse foi realizado”, lembrou o gestor afirmando que o curso foi devidamente formalizado pela pro Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da Universidade Federal do Piauí, promotora do referido curso de Especialização em Obstetrícia.

A turma, totalizando 10(dez), foi constituída por  sete docentes e três integrantes do corpo clínico da MDER. Dentre eles figuravam pessoas que conquistaram projeção política no Estado, a exemplo do médico Francílio Almeida, que exerceu mandato de deputado estadual e secretário Estadual de Saúde. A equipe que ministrou este curso de Especialização contou com a participação de três professores da Universidade de São Paulo, a exemplo do professor Alberto Raul Martinez, nome reconhecido nacionalmente, José Gonçalves Franco Junior e Olivia Lúcia Nunes Costa, além de  três professores da Universidade Federal do Piauí, com titulação de Mestre e Doutor - Professores Moisés Pedreira Pimentel, Stanley Brandão de Oliveira e Joaquim Vaz Parente.

Em 1984, foi dada a largada para Residência Médica em Obstetrícia e Ginecologia, com a Obstetrícia funcionando na MDER e a Ginecologia no Hospital Getúlio Vargas. Ele lembrou que o Programa foi iniciado, em conjunto, com o Programa de Residência em Pediatria, tal  como ainda hoje é realizado. Segundo Parente, a estimativa é de que, atualmente, cerca de 70 % dos obstetras e ginecologistas do Estado são egressos do  Programa de Residência Médica da MDER e 100% dos pediatras que  concluíram formação em  Neonatologia encontram-se  inseridos neste contexto. 

“Graças a excelência do trabalho acadêmico, a Evangelina tem estado na vanguarda, em uma linha de frente na Obstetrícia no Estado do Piauí”, lembrou o médico José Brito, diretor geral da Maternidade, ressaltando que a Instituição tem sido responsável pela formação profissional de grandes profissionais.

 Perfil

Desde seu surgimento, a MDER passou por inúmeras reformas ambientais e estruturais e hoje tem capacidade para 157 leitos obstétricos e 167 leitos neonatais que abrigam dezenas de setores compostos por profissionais capacitados e empenhados em oferecer o melhor atendimento possível. Além disso, novos setores foram surgindo e reforçando o atendimento, como por exemplo, o anexo Instituto de Perinatologia Social (IPS),  que surgiu na década de 90 com o propósito de oferecer um serviço de atendimento integral à mulher durante todo o período reprodutivo e à criança até aos cinco anos de idade.

Hoje, é a maior Maternidade do Estado e referência em atendimento para alta complexidade obstétrica e perinatal.  Responsável por 63% dos nascimentos ocorridos na cidade de Teresina, apresenta em média 1200 internações por mês das quais 900 são partos. Ao longo dessas quatro décadas, foi responsável pelo nascimento de 467.894 cidadãos piauienses.

Marcos

No decorrer desses anos, a Maternidade protagonizou vários marcos, com destaque para realização de primeira ultrassonografia em hospital público do Estado, em 1997 e a realização do primeiro teste do coraçãozinho, realizado em 2013 e que visa detectar cardiopatia congênita no recém-nascido e ainda títulos relevantes como o de Hospital Amigo da Criança -  pelo Ministério da Saúde e UNICEF - pela dedicação da instituição no incentivo ao aleitamento materno em 1997, revalidado em 2013.

O Banco de Leite Humano (BLH), desde sua criação em 1987, também tem levado títulos importante à Evangelina, como a classificação Padrão Ouro pela Rede Brasileira de Bancos de Leite.

Em 2014, implantou o Programa de Administração de anticorpo monoclonal que visa proteger crianças vulneráveis a viroses respiratórias e foi reconhecida como a primeira e mais organizada do País.

Dentre os destaques da Evangelina Rosa estão o Centro de Parto Normal, criado em 2010 e adequado em 2014 aos preceitos da Rede Cegonha, com quartos PPP (pré- parto, parto e pós-parto), o Projeto Canguru, criado em 2004, hoje é considerado referência estadual no método, compõe uma das fases de atendimento humanizado a bebês prematuros (que nascem antes de 37 semanas de gestação). Graças ao empenho da equipe composta de médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, enfermeiros, técnicos em enfermagem, assistentes sociais, psicólogos e terapeutas ocupacionais, a maternidade vem melhorando substancialmente os indicadores de saúde dos recém-nascidos de baixo peso.

Novos tempos

É importante ressaltar que a Evangelina Rosa vem  passando por um momento de grandes transformações, tanto estruturais, como de gestão de pessoal. No primeiro semestre deste ano, a Maternidade ganhou nova Unidade de Alimentação e Nutrição (UNA) e refeitório, que foi reformado e ampliado. A ampla reforma proporcionou melhoria da alimentação, que agora é preparada em ambiente seguindo os melhores padrões de higiene e segurança dos profissionais. Acrescenta-se a Casa de Resíduos Sólidos, construída para abrigar lixo orgânico, acomodado em local mais seguro.

Nos próximos dias, duas obras de importância serão inauguradas. O Serviço de Assistência às Mulheres Vítimas de Violência Sexual (SAMVVIS) está sendo reformado e ampliando e passará a contar com sete cômodos, distribuídos entre consultórios, sala de exames, banheiros, além de ampla recepção. O resultado será maior conforto e humanização no atendimento às mulheres.

Outra obra de destaque é a Casa da Gestante que está sendo construída para abrigar mães que estão com os filhos internados na Maternidade e necessitam ficar mais próximas de  seus bebês.  “No final desta gestão queremos ter concluído várias obras importantes”, estimou José Brito.

O diretor geral lembra que neste segundo semestre será iniciada a ampliação na Unidade de Cuidados Intermediários Canguru (UCINCA), que passará a funcionar com todas as normas exigidas pela Rede Cegonha, no Ministério da Saúde, e a Unidade de Cuidados Intermediários Convencionais (UCINCO).

A UTI Materna também será novamente ampliada para mais dois leitos e será colocada estruturada seguindo todos os padrões de normas de UTI exigidos e ganhará mais dois leitos. A Unidade de Cuidados Intermediários Convencionais (Ucinco) será ampliada e terá 13 leitos a mais. A unidade passará a funcionar em um espaço de 218 m², com 30 leitos, de acordo com as normas do Ministério da Saúde e uma ambiência humanizada. Segundo o coordenador do Serviço de Neonatologia, Marcos Bittencourt, haverá uma intensa melhoria no setor, que funcionará em espaço mais amplo e com melhores condições de atuação. Além disso, haverá o aumento da equipe de profissionais. “A assistência vai melhorar consideravelmente, porque vamos ter a equipe com a quantidade de profissionais recomendada”, informou o médico; lembrando que além da ambiência, o espaço maior vai diminuir o risco de infecções cruzadas.

Para compor a fase de aperfeiçoamento, foram adquiridos 40 monitores, desses, 20 são considerados topo de linha. Os demais são intermediários que servirão para equipar as unidades de cuidados não críticos. Além desses, está prevista a chegada de outros equipamentos neonatais que vão proporcionar uma melhoria significativa para o grande gargalo da maternidade, que é a neonatologia.

Em processo de reorganização, a MDER pretende promover e assegurar melhorias e fomentar um modelo de gestão. “Estamos em processo de mudança, já nos preparando para a nova maternidade”, comenta o coronel Gerardo Rebelo, Superintendente de Assistência à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde.

Outro ponto da transformação é funcional. Uma reestruturação de equipes está em andamento  de coordenações, como, por exemplo, a Núcleo de Ensino e Pesquisa que está sendo melhorado. A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), reorganizada neste ano, já apresenta resultados, assim como Comissão Interna de Prevenção de acidentes (CIPA). Além de todo esse trabalho,  profissionais de vários setores estão sendo qualificados através treinamentos administrados pelo Núcleo de Educação Permanente (NEEPs). Todo esse esforço acontece em regime de cooperação e visa melhorar e manter a qualidade nos serviços oferecidos.

Fonte: Com informações da Ascom