Menina é agredida e tem cabeça raspada pelo pai após notas baixas

Adolescente de 15 anos ficou impedida de sair de casa após agressão.

Por tirar notas baixas na escola, uma adolescente de 15 anos foi agredida fisicamente e teve a cabeça raspada pelo pai em Rondonópolis, a 218 quilômetros de Cuiabá. Após a agressão, ocorrida na quinta-feira (25), ela ficou impedida de sair de casa e de entrar em contato com a mãe, que é separada do suspeito.


Menina é agredida e tem cabeça raspada pelo pai após notas baixas

Segundo a mãe da vítima, que preferiu não ser identificada, a filha ficou com vários hematomas pelo corpo e recebia ameaças do pai. O crime está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, da Criança e do Idoso, do município. A adolescente passou por exame de corpo de delito nesta segunda-feira (29).

A mãe da adolescente contou que a filha pegou escondido o celular da madrasta e lhe mandou uma mensagem com os seguintes dizeres: "Mãe, meu pai raspou minha cabeça, estou careca, estourou a minha boca e meu ouvido e peguei o celular escondido. Não me mande mensagem e não ligue aqui. Te amo, beijos?. Desse modo, ela disse ter ficado em desespero e procurou a polícia. Segundo a mãe, a vítima estava morando há quatro meses com o pai.

Acompanhada da Polícia Militar, a mãe, que hoje encontra-se escondida do suspeito junto com a filha, foi até a residência do ex-marido, mas não encontrou ninguém. Ela então entrou em contato com o suspeito por telefone e perguntou sobre o paradeiro da filha. "Ele disse que estava viajando e que a minha filha estava em casa e desligou o telefone. Mas depois ligou de volta e falou que iria me matar", declarou. Em seguida, a mulher passou o telefone para o policial e o suspeito contou que a adolescente estava na casa da sogra dele.

A polícia então foi até a residência informada e pediu que a madrasta da vítima a chamasse. "Fiquei em pânico quando a vi com a cabeça raspada e cheia de hematomas", disse a mãe da adolescente, que preferiu não ter o nome divulgado. Ela registrou boletim de ocorrência na Polícia Militar e denunciou o caso à Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, da Criança e do Idoso.

Amedrontada com os atos de violência do suspeito, a mãe da adolescente disse que pediu demissão do emprego e está escondida para que ele não descubra onde elas estão. Ela conta que por duas vezes o ex-marido agrediu a filha, mas que a vítima pediu que não o denunciasse por medo da reação do pai.

"Mas dessa vez não teve jeito porque tive de chamar a polícia para tirá-la do local", avaliou.

Notas baixas

Sobre as notas baixas da filha, a mãe alega que a garota quase não tinha tempo para estudar porque trabalhava o dia todo como caixa em um supermercado da cidade, apesar de ter sido contratada como menor aprendiz. Além disso, durante o tempo que ficava em casa ela se encarregava dos afazeres domésticos. Conforme a mãe, a filha pediu ao pai que não queria mais trabalhar porque estava cansada e não conseguia conciliar o serviço com as aulas, mas ele não deixou.

"Ela estudava à noite e como andava de ônibus só chegava em casa por volta de meia-noite. No dia seguinte, acordava às 5h", afirmou. A vítima cursava o 2º ano do ensino médio em uma escola da cidade, mas depois da agressão interrompeu as aulas.

A delegada Juliana Carla Buzetti informou, por meio da assessoria da Polícia Civil, que o caso está sendo apurado, mas que para segurança da vítima não iria dar detalhes sobre o andamento das investigações. O pai da vítima não foi preso.

Fonte: G1