Menino é operado depois de 6 anos sem conseguir "abrir" a boca

Menino é operado depois de 6 anos sem conseguir "abrir" a boca

Como consequências, o menino tinha dificuldades na fala, alimentação e higienização

Um menino de 12 anos, que havia seis anos não conseguia abrir completamente a boca, foi operado na Santa Casa de Campo Grande na quinta-feira (6). Lucas Ortiz de Morais havia adquirido uma doença chamada anquilose, que torna rígida a articulação têmporo-mandibular. A mandíbula praticamente estava soldada ao crânio, segundo os dentistas que cuidaram do caso.

Como consequências, o menino tinha dificuldades na fala, alimentação e higienização, além de sofrer com o atrofiamento da musculatura bucal, maxilar e facial. A cirurgia contou com uma equipe multidisciplinar e foi chefiada pelo cirurgião dentista Everton Pancini. A operação durou cerca de três horas e foi bem-sucedida, de acordo com o especialista. Lucas terá alta no sábado (8).

O menino ficou internado no hospital por cerca de 30 dias e foi acompanhado pela mãe, Maria Aparecida de Morais, que também tem outros 11 filhos. Ela conta que a família vive na zona rural de Ponta Porã, a 346 quilômetros de Campo Grande. O problema de Lucas apareceu gradualmente durante a infância. (Veja o vídeo ao lado do menino conversando após a cirurgia)

Quando o filho ficou com a mandíbula rígida, os pais tiveram dificuldades em atender adequadamente às necessidades do filho. "A alimentação era difícil porque tinha que ser tudo batido, batatinha, carne, essas coisas. Algumas comidas ele tinha que empurrar com o dedo, mas ele comia de tudo", relata Maria Aparecida.

Lucas ainda sentia dores no rosto quando falou à reportagem do G1, mas não demonstrou dificuldades para falar: disse torcer para o Corinthians e que o primeiro alimento que sentiu vontade de comer, após a cirurgia, era pipoca. O menino, que frequenta a 7º série do ensino fundamental, relata que seus colegas zombavam do problema dele. "Tiravam sarro de mim porque eu não podia chupar pirulito", conta.

Os dentistas que cuidaram de Lucas acreditam que a anquilose tenha se desenvolvido depois de alguma queda sofrida na infância. A doença pode ser congênita, mas na maioria dos casos é adquirida por traumas ou infecções. O próximo procedimento para a recuperação de Lucas será a fisioterapia.

A Santa Casa de Campo Grande pretende tornar-se referência em cirurgias na articulação têmporo-mandibular (ATM) na região Centro-Oeste. O cirurgião-dentista Carlos Alberto Novelli Assef, do Hospital Cema (SP), veio a Campo Grande para repassar novas técnicas aos profissionais da Santa Casa.

Fonte: G1