México confirma 312 casos de gripe suína

Os comprovadamente mortos pelo novo vírus agora são 12

As autoridades sanitárias do México afirmaram no final desta quinta-feira que o número de casos confirmados de infectados pela gripe suína no país chegou a 312. Ainda segundo o governo mexicano --que inicialmente anunciou 22 pessoas mortas pelo novo vírus influenza A (H1N1) e posteriormente disse que o número era de apenas sete--, os comprovadamente mortos pelo novo vírus agora são 12.

Das cerca de 2.900 pessoas com suspeita de contaminação --número que o Ministério da Saúde do país informou que vai parar de atualizar--, apenas 679 fizeram o teste para confirmar a presença do vírus influenza A (H1N1) até agora. Menos da metade dos 679 testados (312) foi confirmada como portadora da doença e, destas, 300 sobreviveram. Visitas às casas das famílias das vítimas também resultou em poucas novas suspeitas.

Algumas mortes das mais de 150 suspeitas --número que também não será mais atualizado-- nunca serão confirmadas, pois os corpos foram cremados antes de seram feitos os exames, informou à Reuters um funcionário do ministério.

Para o ministro da Saúde, José Ángel Córdova, o número de casos de contaminados pela gripe suína no país parece estar se estabilizando. O ministro disse que há sinais "encorajadores" no combate à doença, mas alertou que isso não quer dizer que "o vírus não esteja circulando". O número anterior de casos confirmados era de 260.

Para Córdova, um destes sinais encorajadores é a queda do total de pessoas que chegam diariamente aos hospitais temendo estar com o novo vírus. No dia 20 de abril, 212 pessoas com sintomas de gripe que poderiam ser de gripe suína procuravam as autoridades médicas contra 46 nesta quinta.

Trabalhadores da Saúde visitaram até agora 77 lares de pessoas que deram entrada nos hospitais com suspeitas da gripe e encontraram apenas dois parentes de vítimas cujos testes deram positivo para o vírus influenza A (H1N1).

Algumas mortes das mais de 150 suspeitas nunca serão confirmadas, pois os corpos foram cremados antes de seram feitos os exames, informou à Reuters um funcionário do Ministério da Saúde.

Para a OMS, há um total de 257 casos confirmados de gripe suína, em 11 países, e oito mortes --sete do México e outra, de um bebê mexicano, no Estado americano do Texas. Conforme a OMS, atualmente, a nação com maior número de casos da doença é os Estados Unidos, com 109, sendo 50 em Nova York, 26 no Texas e 14 na Califórnia. Os outros países com casos confirmados da doença são Canadá (19), Espanha (13), Reino Unido (8), Alemanha (3), Israel (2), Áustria (1), Holanda (1), Nova Zelândia (3) e Suíça (1).

Contraponto

Em resposta a declarações otimistas semelhantes de outras autoridades mexicanas, o diretor-geral adjunto da OMS pareceu mais cauteloso sobre a possibilidade de o vírus já ter atingido seu pico de ação.

"As coisas se moverem para cima e para baixo em um país, é o esperado. Seria incomum que isso não acontecesse", disse Keiji Fukuda em Genebra. "Esperamos ver mais dados do que está acontecendo por lá. Mas eu acho que mesmo no México, haverá um cenário misto."

O número de casos confirmados pelo governo americano subiu ligeiramente para 133 --número ainda não contabilizado pela OMS-- enquanto centenas de escolas fecharam as portas no país e a doença chegou à Casa Branca, que informou que um assessor do secretário de Energia aparentemente adoeceu quando ajudava a organizar a recente visita de Barack Obama ao México.

Os ministros de Saúde da União Europeia comprometeram-se a trabalhar rapidamente com as companhias farmacêuticas para acelerar a produção de uma vacina, mas autoridades de saúde americanas sugeriram que as vacinas só estariam poderiam não estar disponíveis nos próximos cinco meses.

Novos dados

Enquanto o México apresenta sinais de estabilização nos casos, o governo canadense disse que várias pessoas que estão com a gripe suína no país foram infectadas no próprio território canadense, a partir de viajantes que visitaram o México.

Há 19 casos confirmados de infecção pela gripe suína no Canadá, de acordo com o relatório mais recente da OMS (Organização Mundial de Saúde), divulgado nesta tarde, mas a as autoridades canadenses informaram que há 34 casos no país.

A diferença de números entre a OMS e os governos tem sido constante desde o início dos casos de gripe suína, com mais de um recuo das autoridades locais para se adaptarem aos rígidos critérios exigidos pela organização. Nesta quinta-feira foi a vez de o Peru voltar atrás e desmentir que haja um caso de infecção no país.

1° de maio

Nesta quarta-feira, o presidente mexicano, Felipe Calderón, pediu que as pessoas aproveitem o feriado de 1º de Maio para ficar em casa e evitar mais transmissão do vírus. "Quero exortá-los todos que nestes dias de folga que vamos ter, nesta ponte que irá de 1º a 5 de maio, fique em tua casa com a tua família; porque não há lugar mais seguro para evitar contagiar-se do vírus da gripe suína que tua própria casa", afirmou Calderón em um discurso à nação na véspera de completar uma semana de declarada a emergência sanitária.

Para evitar as concentrações, o governo do México ainda suspendeu as aulas em todo o país, bem como as apresentações culturais e artísticas. Na capital permanecem fechados os bares e restaurantes. O presidente afirmou ainda que fechou os serviços não-essenciais do governo e prédios de empresas privadas, enquanto o número de doentes passa de 2.500.

O ministro da Fazenda, Agustín Carstens, calculou as perdas econômicas pela emergência sanitária entre 0,3 e 0,5% do PIB caso a crise tenha duração de três meses.

Mesmo com o aumento no número de infectados, a OMS descarta a mudança no nível do alerta. "Vemos que a doença continua evoluindo, que há lugares em que o número de casos continua aumentando, como no México. Em outros países, como os EUA, as ocorrências se mantêm estáveis; por isso, em termos epidemiológicos, não se justifica elevar o nível de alerta", disse o diretor Fukuda.

Alerta

O atual nível de alerta da OMS para a gripe suína é de 5, em escala que vai de 1 a 6, desde esta quarta-feira. Na interpretação da organização, isso significa que a pandemia (epidemia vasta, talvez global) seria iminente.

Mesmo com o aumento no número de infectados, a OMS descarta a mudança no nível do alerta. "Vemos que a doença continua evoluindo, que há lugares em que o número de casos continua aumentando, como no México. Em outros países, como os EUA, as ocorrências se mantêm estáveis; por isso, em termos epidemiológicos, não se justifica elevar o nível de alerta", disse o diretor do órgão, Keiji Fukuda.

Brasil

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo descartou nesta quinta-feira a suspeita de gripe suína de um homem de 28 anos, que estava internado no Instituto Emílio Ribas sob observação após apresentar sintomas da doença depois de chegar de uma viagem ao México.

Ele não estava entre os casos considerados suspeitos pelo Ministério da Saúde, que passou de dois para quatro subiu para quatro o número de casos suspeitos da gripe suína no país --um em São Paulo e três em Minas.

Segundo a secretaria paulista, outras nove pessoas estão internadas em hospitais do Estado após retornarem de países atingidos pela doença, embora não sejam considerados casos suspeitos segundo os critérios do Ministério da Saúde.

Porcos

Nesta quinta-feira, a OMS mudou o nome da doença para atender a indústria, que previa queda na venda de carne de porco --Gana, Rússia, China, Equador e Ucrânia restringiram importações de carne suína do México e dos Estados Unidos--; e os defensores de animais, que temiam sacrifícios de porcos --como o anunciado pelo Egito. "Estamos abandonando a denominação [...] porque o vírus está cada vez mais humano e cada vez menos tem a ver com o animal", afirmou o porta-voz da OMS, Dick Thomson.

Em comunicado, a OMS reiterou que o consumo de carne de porco está liberado, desde que a carne seja bem cozida.

Cautela

O vírus é transmitido como o de uma gripe comum, de pessoa para pessoa, mesmo dias antes de os sintomas aparecerem ou depois de eles terem sumido. Por isso, ao visitarem doentes, familiares devem ter acesso limitado e seguir as mesmas precauções adotadas pelos profissionais da saúde --usar óculos e até uma "blindagem" facial. Em todos os casos, a recomendação é para que pessoas com sintomas de gripe fiquem em casa.

Os sintomas em humanos são parecidos com os da gripe comum e incluem febre acima de 39ºC, falta de apetite e tosse. Algumas pessoas com a gripe suína também relataram ter apresentado catarro, dor de garganta, náusea.

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br