Enfermeira que agrediu cão da raça Yorkshire diz ter profundo arrependimento

Enfermeira que agrediu cão da raça Yorkshire diz ter profundo arrependimento

Segundo o advogado, a enfermeira disse que agrediu o cachorro porque o animal havia bagunçado a casa

A enfermeira filmada espancando um cachorro da raça Yorkshire em Formosa, cidade goiana no Entorno do Distrito Federal, disse nesta terça-feira (20), em depoimento à polícia, ter ?profundo arrependimento" pela morte do animal, afirmou o advogado dela, Gilson Saad. Postado no YouTube, o vídeo das agressões já teve mais de um milhão de acessos.

Segundo o advogado, a enfermeira disse que agrediu o cachorro porque o animal havia bagunçado a casa enquanto ela, o marido e a filha estavam em um restaurante. ?Ela disse que perdeu a cabeça?, afirmou Saad.

?Em relação àquilo que acabou ocasionando com o cachorro, ela disse que tem profundo arrependimento. Na infância, ela sempre foi rodeada por animais, tinha contato com animais de estimação. Não há nenhum histórico pretérito que mostre esse tipo de comportamento?, afirmou o advogado.

No depoimento, que durou quase uma hora e meia, a enfermeira negou que maltratasse o animal com frequência, ao contrário do relato de vizinhos, de que as agressões eram constantes.

O depoimento dela foi mantido em sigilo pela polícia para garantir a segurança da enfermeira. Ainda assim cerca de dez pessoas chegaram a ficar em frente da delegacia de Formosa na hora em que ela prestava esclarecimentos.

?Foram poucas pessoas. Algumas chegaram a proferir algumas palavras, mas não houve ameaça?, disse o advogado.

O advogado não descartou a possibilidade de a enfermeira acionar legalmente a família que hospedou o homem que gravou a agressão ao cachorro, por violação de privacidade. A decisão, no entanto, só deve ser deve ser tomada após conversa com a enfermeira.

?O vídeo mostra cena da casa dela, a própria criança dela aparece. Esse tipo de imagem é preservada, há previsão legal, principalmente de uma criança. Vejo boas possibilidades de levar a coisa adiante, como uma queixa-crime?, afirmou. ?Parece que essa família tinha como hobby ficar verificando o que acontecia na casa. Isso vai ser objeto de apuração também.?

O homem que gravou a agressão ao cachorro, Claudemir Rodrigues Maciel, disse que já esperava uma reação da defesa da mulher. "Não fiz nada de errado. Tomei a atitude de filmar e entregar para a polícia. Ele vai acionar tudo o que pode, para abrandar o caso para a cliente dele.?

Maciel afirmou não se arrepender de ter feito o vídeo. ?Não digo que tenho orgulho, porque o cachorrinho morreu, mas fico feliz de colaborar para quem sabe ela ter uma punição bastante severa. Ela é uma enfermeira, uma pessoa pública. Imagina ela atendendo um parente nosso?, disse Claudemir Rodrigues Maciel.

Ele disse que quando filmou os maus-tratos ao cachorro, ficou preocupado em a mulher agredir a filha pequena da enfermeira, que presenciou a cena. ?Fiquei preocupado, mas depois me disseram que ela é muito apegada à criança, que nunca bateu na menina.?

Depoimento em Mato Grosso

Maciel depôs sobre o caso nesta segunda-feira, por carta precatória, a pedido da delegacia de Formosa. No depoimento, ele afirmou que já havia visto a enfermeira bater em um cachorro da raça Shih-tzu, cerca de um mês e meio antes de ele filmar a agressão ao Yorkshire, quando visitava a família da madrinha da filha, que é vizinha da enfermeira.

Segundo Maciel, vizinhos da mulher disseram a ele que a enfermeira havia trocado o Shih-tzu pelo Yorkshire.

?Ela não espancou como fez com o cachorrinho, mas deu umas palmadas. Ela me viu na sacada e parou. Depois entrou [em casa]. Isso ficou na minha cabeça quando comecei a filmar [o espancamento do cachorro que morreu]?, declarou.

O advogado da enfermeira negou as denúncias. ?É uma informação que não procede. Primeiro porque não tenho informação sobre esse cachorro [Shih-tzu]. Como ele pode ter visto esse cachorro anteriormente? [...] Não estou dizendo que o rapaz está faltando com a verdade, mas tem algo desencontrado?, disse Saad.

Fonte: G1