Nem marrom, nem dia 13: superstição imperam em prédio de Roberto Carlos

Na Emoções Incorporadora, imperam as superstições de Roberto Carlos: tons de roxo e marrom são vetados e agosto é mês proibido para lançamentos

- O cantor Roberto Carlos quer fazer fortuna com seus prédios azuis. Dois anos depois de lançar o primeiro empreendimento imobiliário que leva sua assinatura em São Paulo, o luxuoso home and office de 40 andares ?Horizonte JK?, no Itaim Bibi, o rei já tem na fila cinco novos empreendimentos ? quatro deles em terras paulistas e um em Aracaju.


Nem marrom, nem dia 13: superstições imperam  nos prédios de R. Carlos

No mercado imobiliário, Roberto vive um momento lindo. Estão vendidas todas as 346 unidades do primeiro empreendimento da ?Emoções Incorporadora?, que mantém em sociedade com o amigo Ubirajara Guimarães, seu empresário Dody Sirena e o irmão de Dody, Jaime Sirena. Liquidou tudo a R$ 18 mil o metro quadrado, confirmando Valor Geral de Venda (VGV) de quase R$ 300 milhões.

? O Roberto sempre falou que, se não fosse cantor, queria ser caminhoneiro ou arquiteto ? conta Jaime Sirena, que jura contar com a presença do cantor nas reuniões mais importantes de discussão dos projetos arquitetônicos da firma (outros profissionais que participaram dos projetos não confirmam a assiduidade do rei).

Sirena viaja o Brasil prospectando negócios e deixando a sociedade local em polvorosa com a possibilidade de abrigar um empreendimento com a assinatura do cantor mais popular do país. Foi assim recentemente em Natal e Salvador.

? No início, parecia um devaneio, uma ideia passageira. Mas o Roberto foi insistindo até o primeiro projeto sair ? explica o empresário, que no fim deste mês lança em Aracaju o ?Horizonte Jardins?, que reúne num único edifício 136 apartamentos de hotel e 364 salas comerciais.

Além do ?Horizonte? ? projeto voltado para as classes A e B ? a Emoções finaliza detalhes de uma segunda linha, focada em salas comerciais para a classe C, que se chamará ?Coletânea?. Uma casa também está sendo construída em Tamboré, na Grande São Paulo.

Em comum, todos os prédios trazem o predomínio da cor azul, tanto do lado de dentro quanto do lado de fora. Está nos vidros e paredes da fachada. Em detalhes do hall, sofás, almofadas, azulejos e quadros na parede. Nas imagens de propaganda dos projetos, o GLOBO identificou tons de azul-marinho, azul-turquesa, azul-piscina, azul-violeta, azul-cobalto e azul-royal.

? O projeto tem que ter unidade, o que está dentro não pode ser divorciado do que está fora. Mas tem que tomar cuidado para não ficar cansativo ? admite o arquiteto Jonas Birger, responsável pelo projeto de Aracaju.

Itamar Berezin, arquiteto do ?Horizonte JK? resume o dilema:

? A proposta inicial do JK era fachada de vidro prateado, que reflete o céu e fica bonito em dias de sol. Mas como ia fazer com a fachada cinza em dia nublado? Inviável.

Pode tirar o 13º andar?

Nos negócios, não faltam as manias do músico mais supersticioso do Brasil. Tons de marrom, roxo, lilás e preto são vetados nos empreendimentos, admite Jaime Sirena. Evento de lançamento no mês de agosto é proibido. No dia 13, então, nem se fala. Vai chamar a imprensa e mercado para conhecer um novo projeto? Que seja em noite de lua cheia ou lua nova.

? O Roberto já está até fazendo show no dia 13 ? tenta contemporizar Sirena, admitindo, logo em seguida, que o número é, de fato, um problema:

? Tentamos tirar o 13º andar do Horizonte JK, mas a prefeitura não achou viável. É um absurdo, porque nos Estados Unidos existem vários prédios sem o 13º andar ? reclama.

Perguntada sobre os motivos legais que impedem a supressão do 13º andar em um projeto residencial, a Secretaria Municipal de Habitação disse não ter localizado o insólito pedido em seus arquivos. ?Nossa legislação não impede que o interessado construa um andar sem uso e sem acesso, porém exige que a área do andar seja computada no cálculo do coeficiente de aproveitamento?, explicou, em nota.

Lançamento com direito a karaokê

Quando o prédio ficar pronto, Roberto pretende usá-lo de apoio nas visitas à cidade. Em vez de um duplex, unidade mais luxuosa, preferiu quebrar paredes e unir duas unidades compradas no 22º andar.

? Ele não gosta de ambientes divididos, prefere plano ? explica Sirena.

? Quando visitou o apartamento decorado, deu para observar que ele ia e voltava pelo mesmo caminho, prezava por uma boa área de circulação. Não gosta de zigue-zague ? confidencia Berezin.

Há 12 dias, 250 corretores de Aracaju foram convidados para conhecer o lançamento da cidade nordestina. O eterno maestro dos shows de Roberto, Eduardo Lages, apareceu de surpresa e comandou do piano um karaokê. Teve ?Detalhes?, ?Nas curvas da estrada de Santos? e, claro, ?Emoções?.

? Os corretores eram desses cantores das horas vagas. Sucesso total ? comemora Sirena.

Antes de levantar o primeiro edifício, a ideia original da Emoções Incorporadora era construir condomínios de casas nas principais cidades do Brasil. As ruas teriam nomes de músicas de Roberto; não faltaria um coreto. O projeto não vingou por falta de terreno adequado. Mas Sirena avisa: o rei ainda não desistiu.

Fonte: OGlobo