No Dia Mundial da Aids, portadora diz que combate preconceito

No Dia Mundial da Aids, portadora diz que combate preconceito

Administradora, Alessandra Modesto descobriu que tinha o vírus em 1998

A administradora de empresas Alessandra Modesto, de 42 anos, portadora do vírus HIV há 14 anos, ainda luta contra o preconceito em Piracicaba (SP). ?Muitas pessoas se afastaram de mim por causa da doença. Apesar de hoje existir mais acesso a informações sobre a Aids, o preconceito ainda existe?, contou. Neste sábado (1) é lembrado o Dia Mundial de Combate à Aids.

?A primeira vez que sofri preconceito foi há muito tempo. Eu frequentava um salão de beleza e as proprietárias ficaram sabendo que eu tinha a doença. Um dia cheguei lá para fazer as unhas e fui informada que não seria atendidada?, disse a administradora.

Alessandra contou que "ficou sem chão" quando descobriu que tinha a doença, em 11 de outubro de 1998. "Essa data nunca saiu da minha cabeça. Foi o dia em que descobri que era portadora do vírus HIV. Meu marido estava muito doente, com dores no estômago e febre alta. Foram feitos dois exames, e o de HIV deu positivo", relatou Alessandra.

"Naquela época não tinha muitos recursos e a doença não era conhecida, mas recebemos todo o apoio da família. Eu me preocupava com meu marido, que estava muito debilitado, e ele se preocupava comigo. Foi um sofrimento em família, mas eu me fortaleci. Eu tinha que ficar bem para cuidar dele e da minha filha, que na época tinha apenas 13 anos?.

Depois de quatro anos de descoberta da doença, Alessandra e o marido decidiram ter mais um filho. ?Naquela época havia uma grande preocupação em passar a doença para a criança, mas tivemos todo o apoio dos médicos, que deram o suporte e informaram que as chances de risco eram pequenas e foi o que aconteceu. Hoje minha filha está com 10 anos, tem muita saúde e não é portadora do vírus HIV.?

A filha de Alessandra do primeiro casamento, Natália Aparecida Modesto Faustino, 26 anos, contou que não foi fácil quando descobriu que a mãe tinha o vírus. ?Foi muito difícil e fiquei revoltada, porque havia acabado de perder minha avó. Fiquei arrasada, pensava que minha mãe também ia morrer. Era o que a gente pensava na época?, contou.

?Eu evito contar sobre a doença da minha mãe para os outros, porque até hoje ainda existe o preconceito. É mais tranquilo em relação ao passado, mas ainda permanece?, relatou Natália. Atualmente, Alessandra trabalha com o marido em uma oficina mecânica e também é voluntária e palestrante do Centro de Apoio aos Portadores do Vírus HIV/Aids, Hepatites Virais e Câncer de Piracicaba (Caphiv).

Convivência

Por meio deste trabalho, a administradora de empresas passa para as pessoas atendidas pela entidade um pouco da experiência de como é conviver com a Aids. Segundo dados da Secretaria da Saúde de Piracicaba, de janeiro a junho deste ano foram registrados 18 novos casos da doença do município. Em 2010, de acordo com a pasta, foram 48 e em 2011, outros 28 casos positivos.

Fonte: G1