Obesidade dobra no mundo nos ultimos 30 anos

Estudo diz que mais de 500 milhões de pessoas no mundo são obesas

Mais de 10% da população mundial é obesa, o dobro registrado em 1980, segundo uma série de estudos publicados na última edição da revista médica The Lancet. As pesquisas, realizadas com o objetivo de identificar fatores de risco nas doenças coronárias, apontam uma "pandemia de obesidade" como consequência de vários países se adaptarem ao modo de vida ocidental.

Os dados foram coletados com base no IMC (Índice de Massa Corporal), que é calculado ao se dividir o peso (em kg) pelo quadrado da altura (em metros). Se o resultado for menor que 20, a pessoa está abaixo do peso ideal. Entre 20 e 25, o peso é o ideal. Acima de 25, o indivíduo sofre com sobrepeso. O IMC a partir de 30 indica obesidade e maior que 35, obesidade mórbida.



Em 2008, mais de 500 milhões de pessoas no mundo todo eram clinicamente obesas, ou seja, tinham um IMC superior a 30. A incidência era maior entre o sexo feminino, com 297 milhões de casos de mulheres obesas, contra 205 milhões de homens obesos.

Isso significa que 9,8% dos homens e 13,8% das mulheres eram obesos em 2008. Esses índices eram de 4,8% e 7,9% em 1980, respectivamente.

O Brasil registra IMC de 25,8 entre os homens e de 26 entre as mulheres, o que indica sobrepeso. No planeta, 1,46 bilhão de adultos estão nessa condição.

A pequena ilha de Nauru, no sul do Pacífico, que tem 14 mil habitantes, registrou em 2008 a maior média de IMC: 33,9 nos homens e 35 nas mulheres. A ilha já liderava em 1980 a classificação da obesidade no mundo, mas com níveis consideravelmente menores (homens 28,1 e mulheres 28,3).

Entre os países ricos, os Estados Unidos, que já tinham a população com maior taxa de obesidade em 1980, permanecem em primeiro lugar, com um IMC de 28,5, seguido por Nova Zelândia e Austrália entre as mulheres, e Reino Unido e Austrália entre os homens.

O estudo recorda que o sobrepeso, que é produto da má alimentação e da falta de atividade física, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial e algumas formas de câncer. O problema seria a origem de 3 milhões de mortes por ano.

Outra conclusão destacada pelos estudos é que, em contraste com o aumento da obesidade, a proporção da população mundial que tem problemas de hipertensão (hipertensão) diminuiu entre 1980 e 2008.

Os países ricos foram os que alcançaram os maiores avanços no controle da pressão alta. No entanto, a boa notícia esteve acompanhada pela constatação que há países emergentes e pobres que enfrentam problemas que não tinham sido detectados antes.

É o caso das nações do Báltico e dos países do leste e do oeste do continente africano, que registram os níveis de pressão sanguínea mais altos do mundo, igualando os existentes em algumas partes da Europa há três décadas.

O professor Majid Ezzati, da Escola de Saúde Pública do Imperial College de Londres, explicou que esses resultados "demonstram que o sobrepeso, a obesidade, a hipertensão e o colesterol alto já não são problemas ocidentais e problemas exclusivos das nações ricas".

O doutor Mike Knapton, da Fundação Britânica para o Coração, qualificou de "assombroso" o crescimento da obesidade nos últimos 30 anos.

? É uma tendência preocupante, mas que pode ser revertida com políticas eficazes e com mudanças no estilo de vida e com a ajuda de importantes avanços na medicina.

Ele diz que a melhora nos níveis de colesterol e de hipertensão nos países desenvolvidos são a prova que há solução.

Fonte: R7, www.r7.com