Ocupações em calçadas põem pedestres em risco nas vias da capital

Circular pelas vias da capital é um verdadeiro desvio

Não é novidade, os problemas que os pedestres enfrentam ao acessar as calçadas, principalmente as do centro de Teresina, que têm servido de estacionamentos e pontos de vendas para camelôs. Nessas circunstâncias, os pedestres são obrigados a seguir seu trajeto passando pelas avenidas, correndo o risco de serem atropelados.

As ocupações irregulares nas calçadas infringem a Lei Complementar Nº 4522 de 07/03/2014 do Código de Postura do Município, que estabelece aos pedestres o direito à circulação de forma acessível, autônoma e segura nas calçadas da cidade, sem limitações de qualquer natureza.

Por não terem, muitas vezes, o seu espaço no trânsito respeitado, os pedestres ocupam o 2ª lugar no ranking das vítimas fatais no trânsito, com 26,8% do total, só perdendo para condutores, que contabilizam 56,6% das vítimas fatais, segundo Relatório Trimestral do Projeto Vida no Trânsito de 2014.

A equipe do Jornal Meio Norte passou, na manhã da quinta-feira, (17), pelo centro de Teresina, em especial pela Avenida Frei Serafim, para ver de perto como os pedestres sobrevivem com esse caos.

Ao longe da avenida avistamos o aposentado Valdemar Pereira, 73 anos, que seguia em zigue-zague, para desviar de barraquinhas, ônibus e pessoas.

Questionamos a ele se é sempre complicado o simples ato de caminhar pelas calçadas. “Muito difícil. O risco de sermos atropelados é imenso. Além de poder cair na própria calçada com os desníveis e pedras”, pontua.

Valdemar Pereira sugere ainda um projeto de lei que estimule aos proprietários a manter limpas e acessíveis as calçadas da capital. “Andei por quase todo o centro e onde passo é essa luta.

Acho que se houvesse uma lei que estimulasse os proprietários do terreno a limpar e manter em ordem as calçadas, os pedestres teriam mais tranquilidade”, indica.

Para Nala Meireles, dona de casa, o maior risco que os pedestres enfrentam é de serem atropelados por conta da pressa. “Na vida corrida que estamos, passar pela Frei Serafim e outros locais movimentados é um grande risco de vida.

Só o fato de ir para a avenida passando por um local que é só dos ônibus é um risco. Até porque é toda hora ônibus aqui”, destaca a pedestre, que também deslocava-se em zigue-zague, revezando a calçada e a avenida.

A Superintendência de Desenvolvimento Rural (SDU/Centro -Norte), através do gerente de fiscalização Enéas Costa, revela que não há projetos que melhorem a acessibilidade nas calçadas da Avenida Frei Serafim:

“A gente trabalha fiscalizando para que tal barraca não tome 100% do acesso das calçadas, já que para a retirada dos camelôs requer discussões mais complexas”, explica.

Já a Superintendência de Trânsito de Teresina (Strans), por meio da gerente de Educação de Trânsito, segundo Samyra Mota, o órgão faz a autuação de veículos estacionados de maneira irregular.

Já quanto ao comportamento do pedestre no trânsito, ela explica que este deve desviar dos obstáculos com cuidado e atentar também para as áreas sinalizadas ou não.

“O pedestre é o mais frágil no trânsito, por isso o cuidado é dobrado. Ele deve observar os sinais de trânsito, placas e faixas. Redobrar a atenção quando não há sinalização.

E quanto as calçadas, se tiver algo atrapalhando a passagem, este pode desviar pela avenida, contanto que reotorne o mais rápido possível à calçada”, esclarece.


Fonte: Thays Teixeira e Márcia Gabriele