Padre acusado de pedofilia diz que prisão foi por preconceito

O padre luta agora contra um câncer.

Depois de ter feito mais de cinco mil casamentos, centenas de batizados, de missas, ter sido candidato a vereador por três vezes, pelo município de Timon, ser preso acusado de pedofilia, cumprir pena na Penitenciária de Pedrinhas, ser solto e tentar dar a volta por cima, ele está de volta à vida normal. Trata-se de Dom Francisco das Chagas Silva, de 67 anos, mais conhecido por padre Beleca, piauiense, natural do município de Altos, viúvo, pai de oito filhos, apenas um reside em Teresina. O restante dos filhos mora em São Paulo.


Padre acusado de pedofilia diz que prisão foi motivada por preconceito

Atualmente, o padre Beleca reside no Bairro Dirceu Arcoverde II, na Quadra 266, casa 01, na zona Sudeste de Teresina. Ele continua realizando casamentos, de acordo com ele, através da Igreja Católica Apostólica Alexandria, a qual pertence. ?Sou arcebispo dessa igreja, mas estou à disposição dos padres da Igreja Romana. Aceito fazer parte da igreja e estou à disposição dos bispos e dos padres, para me juntar a eles. Quero ser um franciscano?, comenta o padre Beleca em relação ao desejo que ele tem de ser membro da Igreja Católica Apostólica Romana.

Para a realização de missas, o padre diz que compra as hóstias e as partículas nas mãos de irmãs da igreja católica.

?Eu não sei fazer hóstia. Então compro de irmãs da igreja católica?, ressalta.

Ele lembra que quando residia em Altos, escreveu uma carta endereçada ao ditador iraquiano Saddan Hussein, uma das principais lideranças ditatoriais do mundo árabe, morto em 2006, em Bagdá, pedindo recursos para a construção de sua igreja, em Altos. No que, segundo ele, foi atendido.

?Um representante do Saddan Hussein esteve em Altos e trouxe uma quantia, na época, não recordo o ano, de dois milhões e quarenta e cinco cruzeiros. Convidei o governador do Piauí e outras autoridades do Estado para receber o homem do Iraque, mas ninguém acreditou em mim?, relata.

Padre Beleca diz ainda que construiu a igreja, em Altos, onde hoje funciona uma creche, e falou também que sua popularidade aconteceu justamente pelo fato de falar e cumprimentar amigos e inimigos. ?Eu era e ainda sou amigo de políticos e do povo, de modo geral. Não deixo de abraçar meus amigos e muito menos meus inimigos. Jesus diz na Bíblia para nos amar, uns aos outros e tanto faz ser nossos amigos como nossos inimigos?, resume.

Briga na prisão com detento resultou em um câncer

O padre Beleca diz que não quer mais falar sobre esse assunto, mas acaba relatando sobre o que sofreu na prisão.

Ele foi preso em 2006, acusado de pedofilia, e logo depois foi para o presídio de Pedrinhas-Maranhão, onde cumpriu pena de reclusão de dois anos e nove meses, em regime fechado.

Há cerca de três anos está em liberdade e decidiu, depois que saiu da prisão, ir morar no Bairro Dirceu Arcoverde, onde mora em uma casa alugada. Tive ajuda de pessoas amigas, de Timon, para sair da prisão, mas quem me colocou em liberdade foi Jesus Cristo. Ele foi meu advogado, meu mestre e meu defensor. Orei muito e obtive a graça de ser solto?, relata.

O padre Beleca diz estar doente, com um câncer no tórax, do lado direito, provocado por uma pancada que recebeu de outro detento, no presídio. Esteve recentemente em São Paulo na casa de filhos, para fazer a cirurgia de retirada de um tumor no tórax.

?Depois da pancada que um elemento me deu, na prisão, comecei a sentir dores, depois virou um caroço e quando ele foi retirado, em São Paulo, a médica me disse que era câncer. Agora estou me cuidando e continuo fazendo meus casamentos e esperando que a Igreja Católica me aceite?, reforça.

Padre afirma que prisão foi realizada por preconceito

Quando esteve na prisão, o padre Beleca conta que deixou, em sua casa, em Timon, todos os seus pertences.

Segundo ele, após a sua prisão por policiais de Timon, sua casa ficou abandonada e acredita que pessoas desocupadas levaram todos os seus móveis e objetos pessoais. Pois quando saiu da prisão, a irmã dele lhe contou que sua casa havia sido arrombada e seus pertences furtados.

?Até o carro que eu tinha desapareceu. Mas o que era de mais valor para mim eram meus livros de casamentos e batizados, onde estavam documentados todos os trabalhos realizados por mim. Meus livros eram um verdadeiro cartório vivo?, diz o padre, acrescentando que ao saber disso, não voltou mais à casa de Timon.

Ele acrescenta que sua prisão foi por puro preconceito, por ser ele de cor negra e pobre. ?Eu disse para a juíza que me julgou que se eu fosse branco de olhos azuis e rico não teria ido para a cadeia. Na igreja romana há muito padres acusados de coisas ruins e nunca foram presos. Tudo o que fizeram comigo foi por preconceito?, reafirma padre Beleca.

Fonte: Lindalva Miranda