Para driblar escassez, moradores cavam buracos no chão para achar água em SP

Para driblar escassez, moradores cavam buracos no chão para achar água em SP

Para driblar a falta de água, moradores da região do Jabaquara (zona sul de SP) estão recorrendo a bicas e até cavando poços na terra.

Para driblar a falta de água, moradores da região do Jabaquara (zona sul de SP) estão recorrendo a bicas e até cavando poços na terra.

Foi o que fez o serralheiro David Ferreira de Brito, 28, após seu bairro, o Jardim Lourdes, ficar quatro dias sem água a partir da sexta-feira (10). 'Tinha gente sem tomar banho dois dias, sem lavar louça, estava muito difícil', afirmou Brito.

O serralheiro disse que a ideia de cavar atrás de água veio do irmão dele, o montador Anderson Brito dos Santos, 30. 'Ele me disse que a mulher dele tinha sonhado com um regato saindo de duas nuvens no céu e caindo no bananal que tem aqui perto', disse Brito.

Os dois foram a um terreno baldio ao lado de onde moram e cavaram entre bananeiras, conforme o sonho da mulher de Anderson, a ajudante de cozinha Andreia Rodrigues Ribeiro, 37.

'Tiramos um pouco de terra e já brotou a água. Aumentamos o buraco para dois metros de profundidade por dois metros de largura e forramos as paredes com uma antiga caixa d'água sem fundo', disse Brito.

'A vizinhança veio com baldes. Foi o milagre que salvou a comunidade', disse Andreia. Os moradores têm fervido a água para cozinhar e tomar banho.

A região do Jardim Lourdes é rica em água, segundo os moradores do local. A aposentada Noêmia Almeida da Silva, 72, moradora do bairro há 44 anos, tem um poço em casa. "Todo mundo fez fila quando teve essa falta de água", diz Noêmia.

A Sabesp, ligada ao governo Geraldo Alckmin (PSDB), diz que a falta de água ocorreu devido a reparos no reservatório do Campo Belo, problema corrigido na terça (14).

IMPRÓPRIA

A água retirada de poços sem certificação e sem análise é imprópria para consumo, afirma José Luiz Negrão Mucci, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP.

No Jardim Lourdes, há o agravante de o terreno estar abandonado e sujo. "Isso só aumenta o risco da transmissão de doenças. O ideal é não consumir de jeito nenhum", afirma o professor.

Segundo Mucci, a fervura da água mata somente micro-organismos, como bactérias. "Isso não adianta no caso de ela ter algum composto químico", afirma.

Clique e curta o Portal Meio Norte no Facebook

 

Fonte: FOLHA