Paralisação afeta realização de 1.200 consultas no HGV

A categoria promete impedir, por 3 dias, a realização de consultas

Reivindicando o cumprimento da lei da carreira médica, o Sindicato dos Médicos do Piauí deu início ontem (01) à paralisação do atendimento médico na rede estadual de saúde. A categoria promete impedir, por três dias, a realização de consultas e cirurgias eletivas nos hospitais regionais do Estado.

A intenção do movimento é pressionar o governo a fazer a implementação da progressão por tempo de serviço do salário da classe. Contudo, a paralisação dos médicos vai prejudicar a realização de 1.200 consultas e cerca de 150 cirurgias no HGV.

O tesoureiro do SIMEPI, Renato Leal, defende que o Governo está descumprindo a lei da carreira médica, que garante a mudança de títulos adquiridos e nível profissional da categoria a cada dois anos. "Nos reunimos com o secretário de Saúde, Francisco Costa, e ele nos informou que o Estado não tem como nos dar essa progressão", contou.

Apesar da declaração do Governo, o Sindicato dos Médicos afirma que a falta de receita e o risco de extrapolar o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal do Estado, não vai enfraquecer o movimento.

"Essa história de que não há dinheiro não nos convence. Nossa progressão está prevista dentro da lei orçamentária de 2015 e deve ser paga", reivindica Renato Leal.

Durante esta terça (02) e quarta-feira (03), somente atendimentos de urgência e emergência serão mantidos nos hospitais estaduais. O impacto da paralisação foi sentido logo no primeiro dia da mobilização. Ontem (01), longas filas foram formadas no Ambulatório Azul do Hospital Getúlio Vargas.

De acordo com a diretora do Centro de Saúde, Antônia Maria, pelo menos 1200 consultas terão que ser reagendadas por conta do movimento grevista, nos três dias da paralisação dos médicos, visto que, segundo Antônia Maria, diariamente são feitas em média 400 atendimentos de diversas especialidades no local. Já as cirurgias feitas no Hospital Getúlio Vargas, que totalizam 50 por dia, também de acordo com a diretora do Ambulatório Azul, serão remarcadas.

"A principal consequência da paralisação é o paciente vir se consultar e não ser atendido. Mas garantimos que todas essas consultas serão reagendadas para os dias 22 a 24 de junho e, mesmo com atraso, os pacientes serão atendidos", promete a diretora.

Ela informa ainda que as consultas agendadas para a próxima sexta-feira (05) estão mantidas, já que o ambulatório funcionará normalmente, com atendimento a partir das 7h.

A paciente Ivana Francisca lamenta a paralisação. Ela conta que gastou R$ 50 para viajar do município de Água Branca rumo a Teresina e poder se consultar com um dermatologista. "Chegar aqui e não encontrar o médico é frustrante", reclama.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde reconhece a importância da implementação da progressão dos médicos, mas confirma que admitiu ao SIMEPI que não tem como arcar com o benefício da categoria em decorrência dos gastos com pessoal e o déficit mensal, no Governo, de cerca de R$ 25 milhões.

A Sesapi afirma que a implantação segue em estudo pela Comissão de Gestão Financeira aguardando o próximo relatório para as devidas providências.

Entre os hospitais atingidos pela paralisação estão Hospital Infantil Lucídio Portella, Instituto de Doenças Tropicais Natan Portela e Maternidade Dona Evangelina Rosa.

Seringas e agulhas usadas são despejadas na calçada do HGV

Seringas, agulhas usadas, luvas, resto de algodão e soro fisiológico foram encontrados na manhã de ontem (01) pela reportagem do jornal Meio Norte em uma das calçadas do Hospital Getúlio Vargas, próximo ao setor de coleta de resíduos sólidos.

O lixo hospitalar despejado de forma irregular prejudica os pedestres que passam pela rua, que podem entrar em contato, a qualquer momento, com os materiais e sofrerem contaminações.

"Esse lixo pode adoecer quem passa aqui. Alguém pode tropeçar e ser furado por uma dessas seringas. Acredito que esse resto tenha caído durante a saída do carro da coleta", disse o vendedor ambulante Bruno Lima.

A assessoria de imprensa do HGV informa que todos os dias funcionários do setor de limpeza do hospital fazem a lavagem da calçada para evitar que haja o acúmulo do lixo.

Ainda de acordo com a Ascom, a empresa responsável pela coleta dos resíduos é terceirizada e presta serviço para a Prefeitura Municipal de Teresina.

A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitacional (Semduh) nega a informação do Hospital Getúlio Vargas e disse que a PMT tem a incumbência de coletar apenas os resíduos das unidades municipais de saúde.

Fonte: Virgínia Santos e Izabella Pimentel