Peças valiosas de Clodovil são encontradas em cofre ultrassecreto

Itens serão leiloados para pagar dívidas e a para criar uma fundação.

Mais de um ano após a morte de Clodovil Hernandes, peças valiosas que pertenciam ao estilista foram finalmente encontradas. Todas estavam em um cofre ultrassecreto no apartamento funcional em Brasília, lacrado desde março de 2009.

Anéis de rubi, com as iniciais de Clodovil Hernandes cravadas em diamante. O relicário de ouro ainda guarda fotos de Dona Isabel, mãe do estilista. A caneta tinteiro com uma pérola foi usada no dia da posse como deputado. Já com outra, ele assinou o testamento.

Nesta semana, o misterioso cofre foi aberto. De acordo com um oficial de Justiça, apenas a advogada responsável pela herança, Maria Hebe de Queiroz, poderia acompanhar a ação.

Usando a computação gráfica, é possível mostrar que Clodovil escondeu o cofre em uma passagem secreta, na antessala do quarto. O estilista mandou um marceneiro construir uma porta em cima do cesto de roupa suja. Atrás dessa porta, ficava o cofre eletrônico.

Joias e canetas encontradas no cofre somam pelo menos R$ 25 mil, isso sem contar os rubis

Clodovil morreu sem revelar o código. Somente com uma senha-mestra, passada pelo fabricante, foi possível abrir o cofre. Dentro, havia seis canetas, três alfinetes de gravata, cinco pares de abotoaduras, dois brincos, três botões, seis anéis e o relicário, com as fotos da mãe de Clodovil.

Uma avaliação esses itens foi feita por Lydia Sayeg, de uma das joalherias mais tradicionais de São Paulo. O conjunto com botões de brilhante e abotoaduras de diamante vale R$ 5,5 mil. ?São brilhantes bons, porém pequenos, mas é coisa boa, muito bacana?, afirma a joalheira.

Um par de abotoaduras foi comprado em uma joalheria americana e está avaliado em R$ 2 mil. O anel de ouro com as letras C e H cravadas em diamante, em R$ 4 mil. O que há de mais valioso são os anéis. ?São anéis de rubi naturais, o que está muito difícil hoje em dia?, explica Lydia.

Para uma avaliação exata, seria necessário retirar as pedras dos anéis, o que a advogada não permitiu. ?Depende da lapidação, da cor, do defeito, da coloração. É tão diferente o preço que não dá pra arriscar?, observa Lydia.

Joias e canetas encontradas no cofre somam pelo menos R$ 25 mil, isso sem contar os rubis. Em meio a tanta coisa preciosa, algumas surpresas.

?Essa é bijuteria, não tem valor. Pode ter um valor de estimação, sentimental, mas como matéria-prima não tem valor?, avalia a joalheira. ?Este anel é provavelmente uma réplica. A pedra central é uma zirconia e a zirconia é uma imitação do diamante?.

Clodovil tinha os anéis originais com diamante, mas precisou vendê-los, segundo a advogada: ?Todas as vezes que ele ficava sem trabalho, que ele era despedido de alguma emissora, ele ficava sem dinheiro, porque o Clodovil nunca teve reserva. O que ele podia vender, ele vendia?.

Gravata de brilhantes

?Na verdade, Clodovil não dava muito valor às coisas. Veja pela gravata: ele fez a gravata e usou uma única vez?, conta o ex-assessor de Clodovil, Maurício Petiz.

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Aspas

Eu falei: ?Se alguém for derrubar aquela parede, vai descobrir que tinha um cofre ali dentro? "

A gravata, com mais de mil brilhantes, foi mostrada pelo Fantástico em novembro passado. Na época, a reportagem entrou no apartamento de Clodovil e passou bem perto do cofre. Mas a advogada e o ex-assessor fizeram segredo.

?Nós achamos que, por medida de segurança, não deveríamos contar. As pessoas poderiam imaginar que naquele cofre poderia haver milhões?, justifica Maria Hebe de Queiroz.

Foi Renata Cândido Rodrigues, uma ex-cozinheira de Clodovil, quem avisou a Polícia Legislativa. ?Eu falei: ?Se alguém for derrubar aquela parede, vai descobrir que tinha um cofre ali dentro??, conta ela.

Em agosto de 2007, Renata Rodrigues foi nomeada secretária parlamentar de Clodovil. Antes da morte do deputado, ela recebia R$ 2.600 da Câmara, mas trabalhava apenas no apartamento. Hoje ela toma conta da cadelinha Castanhola, a preferida do ex-patrão. ?Eu acho que devo isso a ele. Era o bem mais precioso que ele tinha?, acredita Renata.

O valor arrecadado deve ajudar a cobrir parte das dívidas de Clodovil, de mais de R$ 200 mil, e ainda servir para criar uma fundação

O Fantástico apurou também o que aconteceu com o brinco de diamantes que Clodovil usava no dia da morte. A joia, considerada desaparecida por pessoas próximas ao estilista, na verdade estava com um ex-assessor, que também guardava pingentes, óculos e relógios de marca. Tudo foi entregue e deve ser leiloado junto com o que foi achado esta semana no cofre secreto.

O valor arrecadado deve ajudar a cobrir parte das dívidas de Clodovil, de mais de R$ 200 mil, e ainda servir para criar uma fundação, sonho que ele deixou registrado em testamento.

?São casas que ele desenhava cor de rosa, onde iria abrigar meninas carentes, para dar todo tipo de ensinamento, desde pregar um botão até ensinar línguas, bons modos?, revela a advogada.

?Quem viu o Clodovil na televisão brigando, falando alto, xingando, aquele Clodovil não era ele. Ele falava assim: ?Dentro da minha casa, eu sou um gatinho, miudinho, pequenininho, carinhoso, frágil, delicado??, lembra Renata Cândido Rodrigues.

Fonte: g1, www.g1.com.br