Pesquisa traz números preocupantes sobre vítimas de acidentes no PI

Ser mais responsável pode garantir a vida de quem conduz um veículo

Fatalidades no trânsito acontecem. Isso é óbvio. Mas elas poderiam ser evitadas, ou, pelo menos, teriam menor gravidade, caso os condutores colocassem em prática o que aprenderam nas autoescolas. É o que comprova a pesquisa desenvolvida pelo médico neurologista Daniel França realizada nos anos de 2009 e 2013,no Hospital de Urgência de Teresina. O estudo tinha como objetivo descobrir as causas do índice excessivo de pacientes com traumas neurológicos internados no HUT durante o referido período.


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O Piauí, de acordo com dados divulgados em 2013 pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, lidera o ranking nacional de mortes por acidentes de motocicletas. A estatística condiz com os números descobertos pelo especialista Daniel França. O levantamento do médico revela que 70% dos pacientes com trauma neurológico do HUT são vítimas de acidentes de moto.

“Esse número é bem superior à média nacional, que é de 18 a 24%. Mundialmente falando esse índice cai ainda mais: 11%, lembrando que esse é referente ao traumatismo craniano, que é o principal causado de morte ou incapacidade de pacientes”, explica o neurologista.

Após levantar a porcentagem de vitimados em acidentes de trânsito dentro do conjunto de pacientes com traumatismo neurológico no Hospital de Urgência de Teresina, Daniel França quis ir além e descobrir a gravidade dos traumas. Mais uma vez os números descobertos foram preocupantes. “No mundo 80% dos traumatismos em acidentes são considerados leves. Já no Piauí 60% não são considerados leves, ou seja, predomina os casos com gravidade”, detalha o médico.

O neurologista acredita que a falta de obediência às regras de trânsito por parte dos piauienses é a principal razão dos resultados negativos obtidos pela pesquisa. Para se ter uma ideia, de acordo com Daniel, os números de lesões cranianas decorridas diretamente pelo não uso de capacete no Piauí é três vezes superior à média mundial, que corresponde a menos 9% dos traumatismo. “Ou seja o Estado tem  quase 30% dessas lesões”, acrescenta o pesquisador.

80% das vítimas de traumatismo não usam capacete, nem possuem CNH

A má conduta no trânsito parece realmente influenciar na classificação da gravidade dos acidentes. Em entrevista à pesquisa do médico Daniel França, a maioria dos pacientes com traumatismo responderam que não usavam capacete, não tinham permissão para dirigir e admitiram ingerir bebida alcoólica antes de conduzir suas motocicletas.

“Fiz três perguntas aos pacientes. Foram elas: você tem habilitação? 80% disse que não. Você usava capacete? 80% também respondeu que não. Você usou álcool? 50% afirmaram que bebeu. Esse último número é subestimado porque há aqueles condutores que não consideram que beberam ou que ingeriram pouca bebida”, revela Daniel.

Diante das estatísticas, o neurologista Daniel França é taxativo: “Esses pacientes que estão no HUT por trauma no crânio decorrente desses acidentes não deviam está lá desde que cumprissem as leis de trânsito. Não é suposição e, sim, uma constatação”, finaliza Daniel França.

Atendimento de vítimas por moto é 11 vezes maior que por carro

De janeiro a abril deste ano, o Hospital de Urgência de Teresina reduziu o número de atendimento às vítimas envolvidas em acidente de motocicletas em relação ao mesmo período de 2014. No entanto, o índice ainda é preocupante.

No primeiro quadrimestre de 2014, o HUT atendeu 3.929 pacientes vitimados em motocicletas e 550 em carros. Já em 2015, 311 acidentes de automóveis e 3.561 com moto (11 vezes maior). De acordo com dados do hospital, a falta de equipamentos de proteção individual e a associação com bebida alcoólica são responsáveis pela gravidade das lesões.

De acordo com dados do hospital, a falta de equipamentos de proteção individual e a associação com bebida alcoólica são responsáveis pela gravidade das lesões.

Como consequência, o HUT fica sobrecarregado com limites máximo de lotação. “O hospital realiza mais de 1 mil cirurgias por mês e mais de 50% desses procedimentos são ortopédicos e realizados em pacientes vítimas de acidentes de trânsito

“Isso está sobrecarregando o sistema de saúde, pois existem pacientes que são atendidos do hospital mais de uma vez pelo mesmo motivo são pessoas economicamente ativas, a maioria do sexo masculino com idade entre 18 e 40 anos,”considera a assessoria de imprensa do HUT.

Ação “Viva. Não mate, Nem morra” propõe educação no trânsito

Ser mais responsável pode garantir a vida de quem conduz um veículo. Os números comprovam que a educação e o respeito ao que determina o Código Brasileiro de Trânsito é capaz de reduzir o índice de acidentes. Pensando nisso, a campanha “Viva. Não mate, Nem morra” surge com a proposta de conscientização acerca de cuidados básicos que tratam sobre a postura de motoristas de automóveis e condutores de motocicletas.

A intenção é chamar a atenção da população em geral para a responsabilidade que é evitar acidentes de trânsito. A iniciativa tem o apoio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). A diretora da escola de trânsito do Detran, Jeovana Moura, aposta que a mobilização do Sistema Integrado de Comunicação Meio Norte por meio de ações educativas reduzirá o índice de violência no trânsito.

“Aposto no sucesso da campanha pois ela é conscientizadora e várias pessoas serão atingidas pelas ações integradas. Os resultados serão satisfatórios”, afirma a diretora de trânsito Jeovana.


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Fonte: Virgínia Santos e Izabella Pimentel