Piauí é pioneiro por teste rápido para diagnosticar o calazar

De janeiro a junho de 2015, foram notificados 80 casos

O Piauí foi escolhido para sediar o projeto-piloto de teste rápido de imunocromatográfico, utilizado para diagnosticar a leishmaniose visceral canina, conhecida como calazar. Ontem, dia 03, técnicos da Saúde foram capacitados sobre a aplicação do teste, durante Fórum sobre a doença.

Além de ser área endêmica para a doença, o Piauí foi escolhido por ser uma área onde o kit utilizado para o diagnóstico da doença é similar ao teste rápido. “Os técnicos já conhecem um teste similar a este que está sendo apresentado durante o Fórum. Agora serão repassadas as técnicas de aplicabilidade. Não é um novo teste, e sim uma nova técnica que será somada ao que já é feito no Estado”, explica Gregório da Silva Júnior, coordenador de Leishmanioses da Diretoria da Unidade de Vigilância e Atenção à Saúde (Duvas).

Segundo Lucas Edel Donato, representante da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, o teste rápido DPP era o único disponível no mercado, o que causava transtornos, quanto à disponibilização dos quites de exames aos laboratórios estaduais. Recentemente o Ministério da Saúde adquiriu um novo quite de diagnóstico de teste rápido para leishmaniose, o Alere, para suprir a redução de 35% que houve na compra do DPP.

No Estado, de janeiro a junho de 2015, foram notificados 80 casos de Leishmaniose Visceral Humana (LVH), com dois óbitos confirmados no município de Parnaíba. No mesmo período foram notificados 16 casos de Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA), sem registro de óbito.

Gregório da Silva Júnior afirma que, em todo o Piauí, existem cerca de 19 municípios prioritários com transmissão de intensa a moderada para o calazar, como Teresina, Floriano, Picos e Parnaíba. Por conta disso, técnicos destes locais estão recebendo todas as orientações, para que possam repassá-las a outros técnicos da Saúde de seus municípios.

Após a capacitação, será feito um mapeamento em todo o Estado sobre a incidência de casos. Dependendo dos casos confirmados, será feito um planejamento para fazer o pedido dos quites ao Ministério da Saúde para aplicação dos testes. “Este material é importado e o Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente. Quando feito o pedido, o Laboratório Central do Estado (Lacen) terá disponível o teste rápido para detectar a doença”, acrescenta Gregório.

Além de Lucas Edel Donato, Andreza Pain foi responsável pela orientação aos técnicos, que se tornarão multiplicadores deste conhecimento. Ambos fazem parte da equipe da Funede (Fundação Ezequiel Dias), de Minas Gerais, que é referência em controle da doença.

Fonte: Aline Damasceno