Políticas públicas do movimento LGBT tiveram retrocesso no Estado do Piauí

A constatação vem do movimento LGBT do Estado, que afirma que as políticas públicas criadas até agora não têm durabilidade nem consistência

O Piauí já foi exemplo para outros Estados no que se refere aos avanços em torno de ações afirmativas voltadas para o público LGBT. Hoje, no entanto, o movimento LGBT do Estado reclama que os retrocessos são muitos e que as políticas públicas pensadas até hoje não têm durabilidade e nem consistência.

Como resultado o preconceito, a discriminação e a violência ainda são uma realidade que incomoda. Nos últimos três anos, a coordenadora de Comunicação do Grupo Matizes, Marinalva Santana, afirma que dados do Grupo Gay da Bahia mostram que foram registrados 26 assassinatos da população LGBT no Piauí. Para discutir estes temas e refletir sobre a conquista de direitos da população LGBT, bem como elencar prioridades para o avanço na cidadania desse segmento populacional, o Matizes já está organizando a 9ª Semana do Orgulho de Ser, que acontece de 26 a 30 de agosto em Teresina.

?Se formos avaliar o que tem acontecido, nós estamos retrocedendo muito. Estão sendo desarticuladas as políticas públicas que vinham sendo feitas, a Coordenadoria de Direitos Humanos, que possuía uma diretoria para cuidar de assuntos referentes ao público LGBT, foi extinta?, disse Marinalva. ?Além disso, está havendo um esvaziamento da Delegacia de Combate a Práticas Discriminatórias, o Centro de Referência Homossexual Raimundo Pereira só existe para justificar o contracheque de alguns e nós repudiamos e lamentamos tudo isso?, completou.

No que se refere especificamente à violência contra o público LGBT, Marinalva reclama que os órgãos que registram essas ocorrências são desarticulados e não há uma dimensão real dessa violência no Estado. ?Existem denúncias na delegacia, no Disque 100, no Centro de Referência, junto ao Matizes, e não temos, como eles não dialogam entre si, fica complicado fazer um mapa da violência?, argumentou.

A Semana do Orgulho de Ser tem o objetivo de levar o debate sobre a diversidade sexual para um público variado de estudantes, professores, servidores públicos, militantes do movimento social, dentre outros. Também são múltiplas as linguagens usadas para dialogar com o público-alvo: discurso acadêmico, música, cinema, teatro. Nesse período, haverá atividades em vários espaços de Teresina: universidades, logradouros públicos, escolas, etc. Além de renomados pesquisadores piauienses, participarão também estudiosos de outros Estados.

Fonte: Pollyana Carvalho