Praças do centro de Teresina são subutilizadas

Praças do centro de Teresina são subutilizadas

Se há algumas décadas as praças eram pontos de encontro essenciais para a sociedade de Teresina, hoje elas estão perdendo importância.

Cenário importante de Teresina, as praças que povoam o centro da cidade tem uma história tão rica e diversa quanto à própria capital. Nelas os casais de namorados vivenciavam momentos românticos, os mais jovens usavam para encontrar os amigos e os adultos as utilizavam como lugar de descanso ao longo do dia de trabalho. Mas a realidade está se alterando e as praças perdendo o brilho. O número de criminosos, pedintes e vendedores ambulantes está afastando cada vez mais os cidadãos das praças, que não cumprem mais sua função social de promover encontros e unir pessoas.

As praças estão entre os mais importantes espaços públicos urbanos da história da cidade e desempenham um papel fundamental no exercício das relações sociais entre as pessoas. Usadas como ponto de convergência da população, elas estimulam a qualidade de vida, exercitada ao ar livre.

Mas até quem depende delas para viver está descontente com a situação. ?A sujeira e os assaltos estão espantando as pessoas. Os mendigos pedem dinheiro para quem passa por aqui, quem é que vai querer sentar no banco da praça? Não dá mais para ficar tranquilo aqui, a pessoa pode ser abordada a qualquer momento, quem sabe até roubada?, fala o vendedor ambulante Francisco das Chagas, que vende picolé nas imediações da Praça Pedro II.

Teresina teve muitas praças construídas por não ser localizada no litoral e ter um clima quente. Foram uma maneira estratégica para amenizar o calor e servir como ponto de encontro da população. As praças mais antigas surgiram junto com prédios públicos relevantes, seguindo a tradição das praças europeias. A tendência se espalhou para outras zonas, que desfrutam de praças espaçosas, importantes para a constituição social de seus membros.

A Praça Rio Branco é marco de encontros e chegadas de muitas gerações. Espaçosa e repleta de assentos, ela é uma das mais frequentadas da cidade, principalmente pelos idosos. Lá eles jogam baralho, dominó, conversam com os velhos amigos e relembram o passado. É o caso do idoso José Filho, que vai à Rio Branco todos os dias e não perde uma partida de damas com os amigos de longa data. Segundo ele, a praça é quem o livra de ficar parado.

Mas nem tudo são rosas, João relata problemas comuns à sua faixa etária. ?Aqui falta mais policiamento e acessibilidade. Quem anda de bengala tem que dar a volta na praça inteira para chegar aos bancos e ainda temos que ficar de olho nos trombadinhas, que assaltam sem piedade?, conta o aposentado.

Prefeitura deve manter academias populares

Fator importante de socialização da melhor idade, as academias populares são sucesso em Teresina. De utilidade pública abrangente para todas as faixas etárias, elas desfrutam do cuidado da população. Tendo observado o potencial destes locais, a prefeitura estuda a implantação de novas academias no centro da cidade e áreas próximas.

?A população aprovou as academias populares e elas serão mantidas. Elas têm um índice de aceitação muito grande e a implantação de novas unidades deverá continuar?, avisa João Pádua, superintendente da SDU Centro/Norte. Ele explica que por enquanto não pode anunciar a instalação de novas unidades de exercícios físicos porque a Superintendência de Desenvolvimento Urbano ainda está definindo as metas para o ano de 2013.

Teresina recebeu a primeira academia ao ar livre em 2011. Instalada no Grande Dirceu, os recursos para a compra dos equipamentos foram conseguidos graças a uma parceria entre o poder político e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Na época, a prefeitura investiu mais de RS 25 mil para tornar possível a construção da obra.

Secretaria deve priorizar limpeza

Visando melhorar os serviços para a população, a prefeitura de Teresina estuda criar a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, órgão responsável pelo gerenciamento de todas as SDUs da capital. É o que informa o superintendente da SDU Centro/Norte, João Pádua.

Segundo João, há uma reunião programada para otimizar a questão das praças, mas por enquanto nada pode ser decidido. A prioridade do momento é a coleta de lixo, afetada pela greve dos caminhoneiros no fim de 2012. Ano passado, a limpeza da cidade era feita por 104 caminhões, mas o número caiu para 44 no segundo semestre.

?Logo quando assumimos, encontramos a cidade muito suja. Estamos planejando uma limpeza geral, a começar pelas galerias, que deveriam ter sido limpas ainda em outubro do ano passado. É importante darmos preferência a elas, pois o período de chuvas está iniciando e a meta é diminuir os índices de alagamento?, diz João. Após as galerias, praças de bairros, vilas e parques receberão o benefício.

Delinquentes alimentam comércio

Nem a fiscalização que proíbe vendedores ambulantes de trabalharem no centro da cidade os impede de continuar vendendo produtos na Praça da Bandeira. Durante o dia é perceptível a comercialização de aparelhos celulares importados vendidos sem nota fiscal. De acordo com o ambulante Carlos Alberto (nome fictício), muitos aparelhos vendidos por eles são provenientes de furtos cometidos por usuários de drogas que habitam nas proximidades.

Ele fala que recebe produtos oriundos de contrabando ? sem nota fiscal ou garantia ? mas um dado percentual é alimentado pelos próprios infratores, que praticam furtos na região. ?Recebemos muitos celulares dos trombadinhas, que nos repassam por cerca de R$ 20,00, cada. Um celular bom é comprado por R$ 50,00, no máximo. Sei que é errado, mas tiro o sustento da família daqui. Não posso parar de fazer isso?, retruca.

A população que utiliza a praça precisa viver em estado de alerta. Por estar localizada entre um grande ponto de ônibus e o Shopping da Cidade, a Praça da Bandeira recebe um fluxo intenso de pessoas. ?Fui assaltada quando estava saindo do trabalho. Levaram minha bolsa com dinheiro, itens pessoais e todos os documentos. Não dá para relaxar nessa praça, aqui é perigoso demais e a polícia não faz nada?, conta a recepcionista Juliana da Silva.

Fonte: Olegário Borges