Prêmio Piauí Inclusão Social 2013: Caminhão digital já capacitou 52 mil no Piauí

Prêmio Piauí Inclusão Social 2013: Caminhão digital já capacitou 52 mil no Piauí

Desenvolvido pela Secretaria de Assistência Social e Cidadania, a Sasc, o projeto Caminhão Digital tem atuado na área de capacitação de pessoas

Mais de 52 mil alunos capacitados em três anos. Essa é a expressiva marca alcançada pelo projeto Caminhão Digital, iniciativa que, hoje, é a ?menina dos olhos? da SASC (Secretaria Estadual da Assistência Social e Cidadania). Ao longo desse tempo, os caminhões equipados com computadores percorreram todos os grandes territórios piauienses, convertendo-se em salas de aula climatizadas e recebendo alunos com todo o conforto.

Os participantes são de famílias pertencentes ao cadastro único da assistência social, que recebem até dois salários mínimos. Grande parte dos alunos vivencia no projeto seus primeiros passos na informática e, não raro, acaba tomando gosto pela coisa. As aulas buscam dar as bases para que, posteriormente, os participantes aprofundem os estudos em outros cursos.

O curso básico é oferecido em quatro módulos distintos: o primeiro é o de IPD (Introdução ao Processamento de Dados, quatro horas aula), fase na qual o aluno toma contato com os conceitos do mundo da computação, aprendendo sobre as definições de hardware e software, conhecendo os periféricos e outros itens.

A segunda parte, com 17 horas aula, engloba a plataforma Windows. os estudantes aprendem as operações do sistema, familiarizam-se com o gerenciamento de arquivos, etc.

Logo em seguida, chega o módulo Word, também com 17 horas. Nesta parte do curso são ensinadas as características básicas do editor de texto, e os alunos passam a operar as diversas barras de ferramentas apresentadas pelo programa.

Por fim, vem o módulo de acesso à internet, fase em que os alunos entendem não só os conceitos dos navegadores, como estudam itens relacionados à navegação segura na grande rede.

Encontramos os alunos do Caminhão Digital no fim de mais um dia de aulas nas proximidades do Parque Lagoas do Norte, na capital. Na sala de aula (interior do baú do caminhão), o que se observa são olhares atentos. Uma soma de curiosidade e atenção, no semblante típico de quem está descobrindo uma avalanche de coisas novas.

E são justamente esses olhares que motivam os que têm a nobre tarefa de ensinar o ?caminho das pedras? a alunos tão especiais. Com a palavra, o instrutor Robert Pimentel, que dá aulas para as turmas da capital.

?Todos estão empenhados. Falam bastante no mercado de trabalho.

Estão ansiosos para aprender mais e, com o certificado do curso em mãos, partir para novas conquistas?, diz o instrutor, que apesar do pouco tempo de contato, já ganhou a confiança e a simpatia da turma de alunos.

Robert explica que, em Teresina, são sete turmas ao todo: três nas segundas e quartas, outras três nas terças e quintas e mais uma às sextas - esta última com uma carga horária um pouco maior. Todas, no entanto, perfazem um total de seis horas/aula por semana. No total, o curso leva aproximadamente 45 dias.

Alunos falam da experiência do curso

Na frente da tela dos computadores do Caminhão Digital, alunos de todas as idades - e com diferentes pretensões. Um exemplo interessante é o do cozinheiro Francisco das Chagas Cruz Filho, que trabalha no Hospital Getúlio Vargas há mais de 30 anos. Ele, que é morador da Vila Carlos Feitosa, conta sua história.

"Eu tinha "inveja" de quem sabe usar um computador. Queria muito aprender. Via os outros usando e ficava só na vontade. Há alguns dias eu estava passando por aqui e vi o Caminhão. Procurei me informar e achei o programa interessante. Hoje estou aqui, nas aulas. Ainda tendo um pouco de dificuldades, mas estou evoluindo", conta ele. E Francisco está mesmo empolgado: as aulas já lhe fizeram comprar um notebook, para usar em casa e continuar praticando o que é ensinado no caminhão.

O autônomo Genivaldo Sousa é colega de turma de Francisco e, assim como o cozinheiro, elogia as aulas. "Eu já havia feito um outro curso antes, mas não tive tanta oportunidade de praticar na época. Agora, estou aproveitando para tirar as dúvidas que ficaram daquele tempo. Além disso, estou me preparando, porque trabalho com vendas e o que aprendo aqui é muito exigido em minha profissão", destacou.

Quem também já fez outros cursos e agora desfruta da iniciativa da SASC é a estudante Lourdes Sales, de 16 anos. Decidida, ela planeja: "Depois daqui, quero me aprefeiçoar cada vez mais e, por fim, quero fazer webdesign".

Secretário exalta alcance e resultados do programa

O secretário da SASC, Francisco Guedes, conversou com o Jornal Meio Norte sobre o Caminhão Digital. "É uma atividade inovadora , que leva conhecimento e oportunidades aos mais longínquos lugares do Piauí. Beneficia famílias registradas no cadastro único da assistência social, mantido pela SASC, e com isso dá chances para quem não pode pagar R$ 300, por exemplo, em um curso de informática".

Guedes falou sobre a atuação do projeto em outros municípios nesta fase. "Hoje, estamos vendo o caminhão oferecer esses serviços em uma área bastante populosa da capital, na zona norte. Aqui, participam pessoas de diferentes localidades próximas, como os São Joaquim, Mafrense, Matadouro, Buenos Aires, entre outros. Mas vale lembrar que, no momento, além do que está sendo usado em Teresina, há mais três caminhões digitais em serviço: um em Cajazeiras, no vale do Canindé; outro em São João do Piauí e mais um no litoral do estado, em Parnaíba.

Ou seja, os quatro caminhões são usados de forma simultânea. "Com isso, são 1.150 alunos sendo capacitados só nesta fase do programa. Esse é um dos eixos do programa Brasil Sem Miséria: dar oportunidade de capacitação, oferecer estudos, tudo no caminho do bem", complementa Guedes.

O secretário tem procurado observar de perto a aceitação do projeto tocado pela SASC. "Os participantes acham a iniciativa formidável. Estive na semana passada em São João do Piauí, e vi alunos maravilhados. Afinal, é um caminhão climatizado e cheio de computadores voltados para o aprendizado em pleno semiárido".

















Fonte: Dowglas Lima