Preocupação com dívidas pode gerar depressão e até suicídio

o que comprova uma pesquisa que relaciona problemas de saúde.

Em meio a um momento de fragilidade econômica no país, em que muitos brasileiros passam por problemas financeiros, é preciso ter atenção aos gastos e às contas, mas também à própria saúde. O estresse causado por dívidas, desemprego ou o medo de ser demitido pode causar dores de cabeça, insônia e distúrbios digestivos. É o que comprova uma pesquisa que relaciona problemas de saúde com as dificuldades financeiras.

Ansiedade, distúrbios de sono, irritabilidade e falta de concentração são as principais queixas dos endividados. O estudo mostra também um dado bem preocupante: para enfrentar esses problemas de saúde, 30% dos brasileiros recorrem a antidepressivos.

A psicóloga clínica Alcione Garcia explica que a automedicação é uma forma de fuga que o indivíduo encontra para poder enfrentar o momento de dificuldade. Ela recomenda a psicoterapia como forma de orientação e ajuda para que as pessoas tenham os subsídios necessários para enfrentar os problemas em todas as áreas, principalmente no que se refere ao financeiro.

“A automedicação nunca é recomendada. As pessoas têm dificuldade de procurar um profissional, principalmente da área da psicologia.

Nos momentos de crise, nós vamos procurar, dentro de nós, elementos para enfrentar a situação. A automedicação é a fuga encontrada para minimizar os seus efeitos e, nesse caso, a psicoterapia é muito mais importante, porque a medicação é paliativa”, aconselhou. Ela explica que quando uma pessoa está com dívidas e não consegue quitar as parcelas precisa conversar com os credores, negociar e se estiver desempregado é preciso ser sincero e afirmar que vai pagar seu débito. “É preciso deixar claro que você quer dialogar e está interessado em quitar sua conta”, acrescentou.

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Alcione Garcia, especialista em psicanálise afirmou que os sentimentos precisam ser vivenciados e depois é preciso deixar que eles saiam porque aquilo pode até gerar uma depressão mais severa. “Na vida, as pessoas estão muito ligadas aos bens materiais. Os problemas financeiros podem levar um indivíduo até ao suicídio, mas não podemos deixar a tristeza nos abater porque senão a pessoa não terá condições para reagir. É preciso procurar alternativas de fuga”, disse.

A psicóloga diz ainda que quando um indivíduo guarda demais seus sentimentos pode chegar até a “explodir”. Esse fenômeno pode aparecer de diversas formas, como doenças, surtos psíquicos e até espirituais, assim como problemas de relacionamento e queda de produtividade e concentração no trabalho.

“Caso essa pessoa tenha vergonha de externar suas dificuldades para família e amigos, é importante que ela procure um profissional. Essa situação pode abalá-la em todos os sentidos da vida, por isso é necessário e importante reagir o mais rápido possível”, ponderou a psicóloga transpessoal.

Ansiedade é bastante comum
O auxiliar operacional, Aristeu Soares, 44 anos, passou por problemas financeiros por conta de um acidente de trabalho e deixou de pagar a fatura do cartão de crédito. Ficar parado e sem receber nem mesmo o valor da licença médica o deixou nervoso e preocupado. “Não conseguia dormir, pois a pessoa que nunca teve problema com dívidas e depois se vê nessa situação fica em uma situação complicada e sem saber como se explicar”, declarou. Aristeu Santos afirmou que sua preocupação só melhorou após conseguir negociar o débito. Agora, ele está mais tranquilo apesar de ter que pagar um valor muito acima do que tinha antes por causa dos altos juros.

Teresinenses têm alto índice de endividamento
Uma pesquisa intitulada Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras em 2014, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), revelou que Teresina é a capital com maior valor de renda comprometida dos municípios brasileiros com 44% de endividamento.

De acordo com o economista Valmir Falcão, a estatística tem acarretado inúmeras ocorrências junto ao Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), bancos e outras instituições. Ele afirma que a maioria dessas dívidas são relacionadas ao débito com cheque especial e cartões de crédito que tem a taxa de juros de até 395% ao ano.

“Um levantamento mostra que a grande causa do infartos são causadas por problemas financeiros e questão do estresse. A nossa orientação para quem está endividado é tentar negociar e parcelar a sua dívida. A última alternativa é realizar empréstimos para quitar a dívida”, considerou.

O especialista aconselhou que é preciso procurar os credores e tentar um acordo administrativo antes que o caso vá para a Justiça. Segundo ele, os bancos preferem fazer uma negociação amigável. “Se você tem um débito com incidência de juros alta como do cartão e cheque especial você pode optar por um empréstimo consignado, pois a taxa juros é menor (até 2%)”, finalizou.

Fonte: Waldelúcio Barbosa