Prevenção do suicídio é discutida entre alunos e professores

Assunto ainda é tabu na sociedade

Setembro. Um mês como muitos outros, com 30 dias e 4 semanas. Mas indo muito mais além, este período do ano é voltado para a reflexão sobre um problema grave, que tem acometido cada vez mais pessoas no mundo inteiro: o suicídio. O Setembro Amarelo, como é denominado, foi escolhido pela Associação Internacional de Prevenção do Suicídio para alertar sobre a importância de ações de prevenção.

No Piauí, várias organizações vêm se mobilizando na discussão do tema. Na manhã de ontem (23), estudantes, professores e representantes de outros setores da sociedade se uniram para dar destaque ao assunto, encarado por muitos como um tabu.

Esse tipo de morte entre adolescentes e jovens aumentou 30% no Brasil nos últimos 25 anos. Segundo a professora de Saúde Mental Milena Cavalcante, existe uma relação das pessoas com transtorno mental e as tentativas de lesão autoprovocada, que é o suicídio.

“É uma taxa tão alta que a gente se preocupa, porque 98% das pessoas que têm transtorno mental diagnosticado tentam suicídio”, comenta Milena, que também é enfermeira do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

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A professora acrescenta que a pessoa passa por momentos de crise e adaptação e em alguns instantes acha que colocando fim à vida seja solução.

No momento em que alguém se encontra vulnerável a praticar este ato, devem-se procurar mecanismos de suporte psicossocial, como a família e a Igreja. Para o padre Antônio Barbosa, a religião tenta animar a pessoa. A Igreja coloca que a frustração e as decepções fazem parte da vida e do crescimento pessoal, e a confiança em Deus não decepciona.

“É impossível viver sem fé. Todas as culturas acreditam numa força além da natureza humana, mas têm pessoas que não acreditam. Quando você nega essa condição de fé, se sente fragilizado e mais impotente diante das dificuldades”, explica o padre.

A prevenção do suicídio deve existir, tanto em momentos que oportunizem uma discussão do tema, como também em serviços de vigilância dentro das próprias instituições. Em Teresina, o PROVIDA administrado pela Fundação Municipal de Saúde e o Centro de Valorização da Vida (CVV) atuam para que as pessoas tenham uma vida mais plena e, consequentemente, previnem o suicídio.

O CVV tem uma média mensal de 2.500 atendimentos e contribui para que os números de casos diminuam. O Centro é uma entidade filantrópica formada por voluntários e oferece um serviço gratuito de ajuda emocional por telefone.

“Atendemos através do telefone 3222 0000. Oferecemos um apoio fraterno, através da compreensão e aceitação incondicional dos sentimentos das pessoas, sem críticas ou julgamentos”, afirma o coordenador de comunicação do Centro, Eyder Men.

Maia Veloso explica o papel da mídia na prevenção

Toda a sociedade tem papel fundamental na luta contra o suicídio. A mídia, como forte influenciadora de atitudes, crenças e comportamentos nas comunidades, tem um papel importante na prevenção de casos. De acordo com a jornalista Maia Veloso, existe um silêncio no Brasil e no mundo em relação a como abordar o suicídio. Apenas Austrália, Estados Unidos e Inglaterra têm orientação mais consistente de como fazer isso.

No Brasil, alguns meios de comunicação estabelecem, em seus manuais de redação, que não se pode falar deste assunto, desde que seja relevante.
“A preocupação da mídia hoje é o contágio, porque algumas pesquisas mostram que, toda vez que se divulga um caso deste, há um contágio das pessoas que estão propensas a cometer o suicídio, como se elas se encorajassem para realizar o ato”, explica a jornalista ao frisar que existe a necessidade de romper o silêncio.

“Temos a segunda capital do Brasil no ranking de morte por suicídio e o Estado em 4º lugar neste ranking, então é preciso falar. Agora não divulgar quando alguém se mata, talvez até não devesse por conta do contágio, porque é preciso muita capacitação para se falar, não pode mencionar como, em qual situação aconteceu. O que pode é abordar todas as ações de prevenção e mostrar que existem outros caminhos a serem seguidos”, conclui Maia Veloso, apresentadora do programa Falando Nisso, da TV Meio Norte

Fonte: Aline Damasceno