Projeto Acolhendo Vidas trabalha ressocialização nas penitenciárias

Projeto surgiu da carência que essas famílias têm de apoio


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A Casa de Detenção Provisória Capitão Carlos José Gomes de Assis, em Altos, possui capacidade para 120 detentos. Com apenas cinco meses de funcionamento, a unidade é uma das mais modernas do Estado e referência em estrutura, disciplina e atendimento humanitário a internos e familiares.

Com o intuito de oferecer um atendimento mais humanizado, a unidade vem desenvolvendo o projeto Acolhendo Vidas. Trata-se de um acolhimento feito, especialmente, com a família dos internos.

Segundo a psicóloga Raíssa Ferraz, o projeto surgiu da carência que essas famílias têm de apoio e assistência. “O trabalho é realizado durante a visita, antes da vistoria, onde acolhemos, individualmente e em grupo, os familiares, através de atividades como dinâmicas e rodas de conversas que abordam vários temas. O objetivo do acolhimento é preparar a família do reeducando para ressocialização dele”, explica.

Raimunda da Silva é mãe de um dos internos da Casa de Detenção de Altos. Ela conta que, após a entrada do filho na unidade, o jovem está mais calmo e ela também. Segundo Raimunda, o filho conseguiu encontrar apoio, mesmo dentro de uma unidade penitenciária. “A prisão do meu filho foi um impacto devastador para minha família. Antes de chegar aqui, ele havia passado por outros dois presídios, mas sempre agitado, com medo e dando trabalho. Aqui, a organização imposta e a disciplina proporcionaram mais segurança e estabilidade emocional a ele”, relata. Seu filho diz que vê que toda essa estrutura e apoio são fundamentais para sua recuperação e garante que vai se recuperar “para dar orgulho à minha mãe, que nunca desistiu de mim”.

“Quando fui preso pela primeira vez, entrei em pânico, senti uma tristeza enorme e, de presídio em presídio, me perguntava como havia chegado àquela situação. É lógico que não estou feliz em estar aqui, pois preferia estar com minha família, mas nunca fui maltratado e tenho recebido todo tipo de ajuda aqui”, relatou o jovem.

Com grande aceitação, o projeto traz as famílias para dentro do processo de ressocialização e proporciona a elas todo o apoio psicológico e de assistência social.

Segundo a assistente social Eudeli Araújo, quando um interno realmente busca a ressocialização é na família que ele procura apoio. “No nosso dia a dia, constatamos que quase 100% dos internos possuem problemas no âmbito familiar. Procuramos sanar estes problemas e ajudar ambas as partes. Fazemos ainda uma intermediação entre a instituição penitenciária e os detentos e familiares a fim de colaborar com qualquer necessidade que eles venham a ter”, afirma Eudeli.

O grande diferencial desta unidade é a equipe qualificada, composta por médico, dentista, psicólogo, assistente social, apoio jurídico e psiquiatra, que juntos trabalham pela saúde dos internos e atendem a todos os direitos exigidos por lei, de forma a garantir a humanização do sistema.

O secretário de Justiça do Piauí, Daniel Oliveira, diz que “o Acolhendo Vidas é um dos projetos da Sejus que materializam a nossa filosofia de ação, voltada à reeducação e ressocialização das pessoas privadas de liberdade, garantia dos direitos humanos, fortalecendo o vínculo familiar e mostrando que elas são parte da sociedade”.

Fonte: Ascom