Protesto fecha ponte da Frei Serafim em ato pela preservação do rio Poti

Protesto fecha ponte da Frei Serafim em ato pela preservação do rio Poti

Um protesto ocorrido na tarde de sexta-feira (18) chamou atenção para as autoridades

Promovido nas redes sociais e na imprensa por vários dias, o protesto ?Atitude Simples Assim - S.O.S Rios? foi realizado na tarde de ontem, no centro de Teresina. Vestindo preto, os manifestantes concentraram-se nas proximidades do cruzamento da Avenida Frei Serafim com a Rua Coelho de Rezende, e de lá seguiram para a ponte Juscelino Kubistchek, que liga a via à Avenida João XXIII.

O protesto foi organizado pelas Ação Popular Socialista (ACS), em conjunto com a Coordenação Permanente dos Estagiários (CPE) e com o apoio de entidades sindicais.

Após bloquear a ponte por cerca de meia hora com o uso de uma faixa com a palavra ?luto?, os participantes do ato seguiram pela alça de acesso à Avenida Raul Lopes, nas proximidades do Riverside Shopping, e dirigiram-se até as margens do Poti, cujo leito está completamente tomado por canaranas e aguapés.

Os manifestantes colocaram a faixa de luto perto de um dos bueiros que despejam água de esgoto diretamente no Poti.

Para Allan Lewis, organizador da passeata, a iniciativa da mobilização pode sinalizar o começo de mais atos voltados para este tema. ?É preciso chamar a atenção para esse problema, que está cada vez mais grave?, disse ele.

Com o protesto, o trânsito ficou complicado na Frei Serafim e também nas ruas vizinhas. Durante o protesto, participantes divulgaram um abaixo-assinado em busca de ações a respeito da situação dos rios - sobretudo do Poti.

SANEAMENTO - ?Em Teresina, quase um milhão de pessoas despejam poluição no rio Poti, uma vez que apenas 17% da cidade têm sistema de rede de coleta e tratamento de esgoto. Portanto, somente quando a AGESPISA efetivar a ampliação da cobertura de esgoto na cidade é que poderemos ter um rio limpo e livre de aguapés?.

Essa é a constatação de Solange Almeida, diretora-presidente da Agência Municipal de Regulação de Serviços Públicos de Teresina (ARSETE), órgão que tem fiscalizado as ações da Agespisa no que diz respeito à questão do abastecimento de água e esgotamento sanitário em Teresina.

O diagnóstico da ARSETE está em comum acordo com o parecer da promotora de Justiça para o Meio Ambiente, Carmem Almeida, que declarou que o rio Poti se transformou em uma grande lagoa de decantação, por falta de saneamento.

O rio Poti nasce no Ceará e se estende em uma grande parte do território piauiense, banhando 16 municípios do Piauí. É um dos maiores afluentes do rio Parnaíba, eixo principal de drenagem piauiense.

Mas, apesar de toda a sua importância, a baixa cobertura de tratamento de esgoto em Teresina, somada a uma insuficiente conscientização ambiental da população, tem ocasionado uma morte lenta desse recurso natural, que agoniza em meio de aguapés e canaranas.

O trecho que vai desde a Ponte Estaiada passando pela ponte da Primavera está completamente coberto por aguapés, que são indicadores naturais de poluição.

De acordo com ambientalistas, a falta de tratamento do esgoto da capital é um dos principais motivos para a degradação do rio, que por ter um leito menor e a vazão mais lenta que o rio Parnaíba, sofre ainda mais com a poluição.

?Atualmente, um total de 17% da cidade conta com sistema de rede de coleta e tratamento de esgoto. A Agespisa já está executando a ampliação do sistema na zona Sul, o que dará um salto na cobertura para 55%. Ainda sim, não é um número bom, já que a cidade tem crescido muito e existe ainda uma grande área sem esgotamento sanitário.

Portanto, estaremos atentos e acompanharemos os planos de investimento da Agespisa para a área de abastecimento de água e esgotamento, de forma que possamos sanar em parte essa questão da poluição do Poti, recurso hídrico tão importante para a cidade?, explica a diretora da ARSETE.

Faz-se necessário também que a sociedade saiba o papel e a responsabilidade de cada órgão em relação ao rio Poti. À Prefeitura Municipal de Teresina cabe a fiscalização do uso indevido das galerias de águas pluviais.

A SEMAR exerce o controle e fiscaliza as atividades e empreendimentos, cuja atribuição para licenciar ou autorizar, ambientalmente, for dos Estados.

Já a Agespisa é responsável pela ampliação da rede de coleta e tratamento de esgotos, bem como a operação adequada dos sistemas de tratamento existentes.

O IBAMA tem a missão de promover e orientar a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a proteção do meio ambiente e a Agência Nacional de Águas (ANA) emite a outorga de uso de recursos hídricos, bem como de lançamento.

Aguapés

Os aguapés em pequenas quantidades são bem-vindos, pois funcionam como uma espécie de filtro natural, que ajuda na limpeza de pequenos poluentes circulantes na água.

O grande problema é quando eles se multiplicam muito rápido e esgotam os nutrientes da água, pois, ao morrerem, essas plantas liberam substâncias tóxicas.

Por isso, quando ocorrem em grande quantidade prejudicam a fauna aquática comprometendo a vida de outras plantas, animais e peixes que coabitam aquele espaço fluvial.

Isso ocorre porque como cobre toda a superfície da água com as suas folhas, o aguapé impede que os raios solares penetrem no ambiente aquático interferindo no ciclo natural do ambiente.

Fonte: Dowglas Lima