Quebradeiras de coco são exemplos de luta e esperança

Quebradeiras de coco são exemplos de luta e esperança

São mulheres guerreiras, que levantam de madrugada, fazem algumas tarefas de casa, pegam seu cofo feito de palha e vão para a mata catar coco.

Elas são mães, donas de casa, arrimo de família, muitas com mais de 60 anos de idade, algumas já trabalharam ou ainda trabalham de roça, entre outras inúmeras qualidades. E todas têm algo em comum: elas são quebradeiras de coco e residem na região do Grande Dirceu. Assim como elas, existem milhares de outras mulheres quebradeiras de coco espalhadas por todo o mundo.

São mulheres guerreiras, que levantam de madrugada, fazem algumas tarefas de casa, pegam seu cofo feito de palha e vão para a mata catar coco babaçu em terrenos de propriedade alheia, mas com o consentimento dos donos dos terrenos. Elas só voltam para casa quando o cofo está cheio de cocos.

Em casa, depois dos serviços caseiros, lá vão elas quebrar a montanha de coco, recolhidos ao amanhecer do dia.

Depois de quebrados, os cocos vão para a panela, para serem torrados. Depois de torrados, os cocos vão para o moinho e voltam para a panela, para serem cozidos e retirado o azeite de coco, tão apreciado por grande parte da população nos tradicionais pratos típicos.

A casca do coco, depois de quebrado, é aproveitada para fazer carvão. O azeite é comercializado a baixo custo e revendido em comércios da região do Grande Dirceu e para consumidores que vão ao povoado buscar o produto direto da fonte. É assim a vida das quebradeiras de coco.

Algumas delas vivem na região da Usina Santana, na zona Sudeste, mais precisamente no povoado Nova Olinda. Todas têm vida difícil, algumas são aposentadas, mas nem por isso deixaram de trabalhar na roça ou como quebradeiras de coco para aumentar a renda familiar.

Maria: ?a vida é difícil, mas agradeço a Deus por ela?

Maria de Fátima de Sousa Lopes, de 57 anos, trabalha desde os 7 anos de idade quebrando coco babaçu, para ajudar a mãe. Sua rotina é acordar cedo, fazer as tarefas domésticas e catar coco. À tarde é hora de quebrar, torrar, cozinhar, peneirar o coco e retirar o azeite, acondicionar em garrafas pet e comercializar, para ajudar no sustento da família.

Maria de Fátima chega a produzir de 12 até 20 litros de azeite de coco por semana. Parece pouco, mas não é. Levando em conta que todo o trabalho é feito artesanalmente. ?O azeite é feito com muito trabalho. É uma vida difícil, mas agradeço a Deus, todo dia, pela oportunidade de estar viva e com saúde para trabalhar?, reflete.

O azeite é comercializado para o mercado do Dirceu I e consumidores que vão comprar no Povoado Nova Olinda, onde Maria de Fátima reside. Ela tem seis filhos, todos adultos. Também terceiriza os serviços com uma amiga que a ajuda a quebrar e recebe como pagamento alguns agrados. Ela junta os cocos sozinha e paga um carroceiro para levar os cofos para sua casa. Além de quebrar coco, ela ainda encontra tempo para limpar tripas de animais abatidos na vizinhança e cuidar de plantas.

Teresinha: ?tenho aposentadoria, mas não paro de trabalhar?

?Só dependo de Deus e do meu trabalho?, diz a quebradeira de coco Teresinha Alves de Sousa Silva, de 60 anos, que é aposentada e separada. Ela acorda cedo, realiza a maioria das tarefas domésticas e sai para catar coco. Desde que ela tinha 10 anos de idade ajuda a mãe a quebrar coco.

Ela conta que nasceu e se criou na localidade da Nova Olinda. Sua rotina é catar coco, cuidar da casa, de plantas e ainda faz roça em um pedaço do seu terreno, onde planta feijão e milho. ?Faço meu pedaço de roça para não precisar pedir aos outros. Porque se a gente falar em comprar as pessoas acham que a gente quer é de graça. Criei meus seis filhos, hoje todos casados, com o suor do meu trabalho?, relata a quebradeira de coco, que mora na companhia de uma neta de 17 anos e só descansa no sábado e domingo.

Ela é aposentada, mas faz questão de continuar quebrando coco, para aumentar a renda familiar. Ela faz de 10 a 12 litros de azeite de coco, por semana, dependendo da quantidade de coco que ela consegue juntar.

?Agradeço a Deus todo dia porque tenho saúde, casa para morar, meu trabalho de quebrar coco e meus bichinhos para cuidar. Tenho meu dinheiro da aposentadoria, mas não posso parar de trabalhar?, finaliza.

Antônia: ?Só paro de quebrar coco quando eu morrer?

?Acho bom quebrar coco e só vou parar quando eu morrer. Até porque não temos outro tipo de trabalho por aqui e foi o que eu aprendi a fazer desde criança?, comenta a quebradeira de coco Antonia Santos da silva, de 53 anos, que desde os oito anos de idade aprendeu a quebrar coco e nunca mais parou.

Antonia é dona de casa, cuida da família e de uma filha especial. Quando termina todo o trabalho doméstico, ela começa a rotina de quebrar coco, torrar, cozinhar, peneirar e retirar azeite.

Consegue produzir cerca de sete litros de azeite por semana. ?Só não faço mais azeite porque não tenho tempo de catar muito coco. Tenho que cuidar da minha filha deficiente?, comenta.

Ela tem três filhos e o marido a ajuda a carregar os cocos dos terrenos vizinhos até sua casa. ?A gente aqui vive disso. Não tem outro serviço para as pessoas mais velhas aqui na região, a não ser quebrar coco. O dinheiro da venda do azeite é pouco, mas serve para ajudar no orçamento da família?, reforça.

Fonte: Lindalva Miranda, Jornal Meio Norte