Revisão totalitária para o Enem une estudo e solidariedade em Teresina

Revisão totalitária para o Enem une estudo e solidariedade em Teresina

Iniciando com cerca de 80 alunos, a Megarrevisão Toti Solidária para o Enem hoje tem mais de 5 mil

Caneta e um caderno de questões eram os únicos itens materiais carregados pelos estudantes. Esses objetos se tornavam quase imperceptíveis quando se analisava apenas a vontade de aprender e de ser solidário. Isso porque conseguir reunir mais de cinco mil candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para uma maratona de estudos em um domingo, deve ter, além do fator “adquirir conhecimento”, outro motivo especial.

O fato é que estudantes de todo o Piauí e de estados vizinhos participaram na manhã do último domingo (7) da Megarrevisão Toti Solidária para o Enem. Este ano o evento comemorou sua 17ª edição e conseguiu arrecadar mais de 10 toneladas de alimentos para instituições filantrópicas e se consagrou como maior revisão solidária já realizada no Nordeste do país. Em sua primeira edição, a revisão reunião uma média de 80 alunos. Com o passar dos anos, esse número foi crescendo.

“Começamos com 80, depois tivemos 150, 250, 500, 800 e chegamos a mais de 5 mil hoje, e é uma felicidade grande observar que o projeto vem crescendo e os alunos aprovando”, destaca o professor Luciano Mourão, responsável pela iniciativa, ao frisar que a Megarrevisão é promovida por quinze professores, sendo totalmente sem fins lucrativos.

“Para mim, isso aqui é uma satisfação pessoal. Arrecadar alimento e doá-los para algumas entidades carentes de Teresina não tem preço”, completa.
Para que mais uma edição do evento se concretizasse, vários obstáculos foram enfrentados. No dia anterior, muitos voluntários se dispuseram e organizaram todo o espaço. Com sua ajuda tudo foi preparado e um dos principais propósitos alcançados: a inclusão de alunos da escola pública. Na megarrevisão, evento consolidado no Piauí, mais de 2.500 participantes eram alunos de escolas públicas.

“Essa ação queremos deixar como exemplo, para que as pessoas possam ver e começar a desenvolver projetos sociais”, coloca o professor Luciano Mourão.

Para Jurandir Filho, professor de Química e voluntário há 8 anos da revisão solidária, o mais incrível é a abrangência do evento que atraiu estudantes de diversos estados. “Caravanas de estudantes dos estados do Ceará, Maranhão, Tocantins e até de Brasília vieram participar. Além disso, alunos de mais de 10 cidades do Piauí estavam presentes”, coloca ao ressaltar que o importante para ele é a sensação do dever cumprido.

“Temos credibilidade. O evento vem crescendo e não é à toa. Além do conhecimento, oferecemos noções de cidadania”, disse.

Quem participou define o evento como sendo uma das principais revisões do Enem que são realizadas durante o ano. Maria Clara, de 16 anos, é estudante de escola pública e participou pela segunda vez e conta que, a cada ano, é ainda melhor. “Ano passado fiz a prova do Enem como uma espécie de treino. Antes do dia do exame participei da revisão e tive um ótimo resultado. Este ano, que já vou concorrer a uma vaga no curso de Enfermagem, não poderia deixar de participar e me preparar ainda mais”, comenta.

Alimentos auxiliam entidades com situação financeira delicada
Mais de 10 toneladas de alimentos arrecadadas na revisão solidária foram doadas para instituições filantrópicas, como a Casa Frederico Ozanan e a Casa de Oleiro. Segundo o professor Luciano Mourão, essa ação também proporciona a todos o verdadeiro sentido da solidariedade e promoção da cidadania.

O Lar da Esperança, instituição que presta atendimento a mais de 200 pessoas portadoras do vírus HIV, oferecendo-lhes alimentação, acompanhamento em hospitais e medicamentos, foi outra entidade beneficiada. Graça Cordeiro, responsável pela instituição, definiu o trabalho realizado pelo professor Luciano Mourão como espetacular.

“Nunca é fácil realizar um trabalho assim, mas sempre existem pessoas dispostas a ajudar. É com alegria e com prazer que recebemos esses alimentos, porque dependemos desse gesto”, declarou ao frisar que, junto com os alimentos, levará alegria para o Lar.

Raul Bonfim, sociólogo voluntário da Casa Frederico Ozanam, que atende a 42 idosos, sendo 27 mulheres e 15 homens, também agradeceu em nome dos residentes da casa.

“Há 33 anos a casa presta esse serviço à sociedade e dependemos deste tipo de doação para nos manter, ainda mais levando em conta o descaso do poder público com as instituições filantrópicas”, comentou.

Estudantes vão em busca do conhecimento
O número de inscritos no Enem 2014 superou em 21,8% o total de 2013, chegando a 9.519.827, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Ainda de acordo com o Inep, as mulheres representam a maior parte dos inscritos.

Além disso, muitos estudantes estão à procura de um segundo curso superior. Leudimar Alencar, de 49 anos, está dentro destas estatísticas.

Ela já tem 29 anos de magistério e participou da revisão com finalidade de adquirir ainda mais conhecimentos e buscar uma vaga no curso de Administração ou Direito através do Enem.

"Sempre fui estudante nota 10. Nunca paro. Sempre faço cursos de capacitação. Minha meta é nunca parar de estudar", disse Leudimar. Para ela, a megarrevisão tem função de integrar os jovens, para que eles possam sentir a realidade em relação aos problemas sociais e oferecer outros conhecimentos.

"Percebo que elas estão preocupadas com duas coisas ao mesmo tempo: em ajudar e ainda ter um curso superior.

Este também é o meu objetivo. Quero ajudar o próximo e ainda ter a chance de conseguir passar e me formar em um outro curso superior", finalizou.

O estudante de escola pública, Luis Felipe, de 19 anos, também está na busca do curso dos seus sonhos. Ele sempre quis cursar enfermagem e vai tentar conseguir uma vaga pela segunda vez.

Para ele, poder participar de uma revisão que reúne alguns dos melhores professores da cidade sem ter nenhum custo, é maravilhoso. "Tiramos muitas dúvidas aqui. Uma aula dessas não tem em todo lugar e ainda mais nesse preço", colocou.




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Fonte: Francisco Lima e Aline Damasceno