Z.Leste: Saúde é o principal problema dos moradores

Z.Leste: Saúde é o principal problema dos moradores

Sem atendimento básico de saúde, os moradores dos conjuntos habitacionais da periferia Leste da capital se deslocam até outros bairros.

Maria Almeida tem 58 anos e há pouco mais de um ano foi contemplada com uma moradia no Residencial Sigefredo Pacheco, na zona Leste de Teresina. A casa própria foi um sonho realizado, mas ela não esperava que iria enfrentar um grande problema: a falta de atendimento básico de saúde.

Hipertensa e diabética, Maria precisa de atendimento médico constantemente, no entanto, a ausência de um posto de saúde na região faz com que ela tenha que se deslocar para o Hospital do Satélite para conseguir uma consulta.

Segundo os próprios moradores, os postos de saúde dos bairros mais próximos se negam a receber os pacientes daqueles conjuntos habitacionais, já que para realizar atendimento é preciso estar cadastrado no bairro.

?Sempre que vamos nos postos de saúde dizem que é pra gente procurar o posto de saúde do bairro, mas aqui não tem. De dois em dois meses eu tenho que voltar ao médico para ele me passar os remédios e muitas vezes vou para o Hospital do Satélite para ser atendida na urgência?, conta.

Assim como Maria, muitas outras famílias também necessitam de um atendimento médico. São gestantes, mães com crianças de colo e com filhos especiais que precisam se deslocar para outros bairros atrás de atendimento básico de saúde.

Cíntia Fernanda possui três filhos e um deles é especial. A sua maior dificuldade é o fato de conseguir atendimento médico próximo de casa para seu filho.

O fato de não ter agentes de saúde para atender às famílias da região faz com que os moradores, como Cintia Fernanda, precisem procurar outras alternativas e até mesmo se deslocar para o local de origem para conseguir uma consulta.

?Várias vezes precisei ir ao Risoleta Neves, na zona Norte, onde eu tinha um cadastro feito para ser atendida, pois a gente chega nos postos de saúde mais próximos e dizem que não podem atender?, explica.

Maria também já passou por isso muitas vezes e diz que é a solução para manter os remédios em dia. ?No meu antigo bairro eles acabam me atendendo pela minha necessidade mesmo?, explica ela, que já até comprou um equipamento que mede pressão para quando for necessário..soas vêm aqui em casa pra medir pressão?, completa.

Moradores reclamam da falta de serviços essenciais

O Residencial em que Maria mora é considerado o segundo maior do Piauí, com 1.195 residências construídas e foi inaugurado há um ano e dois meses. Atualmente, cerca de 80% das casas já estão habitadas, o que dá uma média de 4 mil pessoas morando no lugar.

Mas além do Residencial Sigefredo Pacheco existem outros três residenciais na região. São eles, Zequinha Freire, Wilson Martins Filho e Vale do Gavião, sendo os dois primeiros inaugurados também há pouco mais de um ano.

Embora tenham sido entregues com estrutura para morar, os problemas ocasionados pela falta de escolas, postos de saúde e até mesmo comércios têm gerado reclamações dos moradores.

E a demanda dos novos moradores é crescente: conforme aumenta o povoamento no lugar, aumentam também as necessidades e as exigências.

Faltam espaços de lazer para as crianças. Os campos de futebol são improvisados pelos próprios moradores. O parquinho construído em uma praça no Vale do Gavião fica vazio por conta do sol, e a ausência de bancos para os pais se sentarem enquanto vigiam seus filhos.

"Aqui tem muitas crianças mas não tem lugar pra eles brincarem. Construíram recentemente a praça. Mas enquanto nossos filhos brincam como nós, pais, ficamos se nem bancos possui?", indaga Lucélia Carvalho, mãe de três crianças.

Naquela região, outro conjunto habitacional já está sendo construído para receber outras centenas de pessoas. Ou seja, cada vez mais se torna necessário o fornecimento dos serviços úteis para a comunidade.

"Os serviços essenciais, que são educação e saúde, a gente não possui. Foi ótimo sairmos de um lugar, onde antes pagávamos aluguel ou moravámos em área de risco e agora ter uma casa, mas uma pessoa sair de um bairro onde tem tudo para um lugar que não tem nada é complicado. Enquanto isso, quem sofre é a população", explica Luciana, uma das moradoras do lugar.

Posto e creche serão construídos

Após cinco anos de inaugurado, o Conjunto Residencial Vale do Gavião, o mais antigo daquela região, a comunidade receberá uma Unidade Básica de Saúde e uma creche no local. As duas estruturas também atenderão os moradores dos Residenciais Sigefredo Pacheco, Wilson Martins Filho e Zequinha Freire.

A Unidade Básica de Saúde, diferente do Posto de Saúde, oferece o atendimento da atenção básica e integral à população. Dessa forma, os moradores da região terão como realizar mais perto de casa consultas médicas, inalações, injeções, curativos, vacinas, coleta de exames laboratoriais, tratamento odontológico, encaminhamentos para especialidades e fornecimento de medicação básica.

De acordo com o superintendente de Desenvolvimento Urbano da zona Leste, Marcílio Bona, as duas obras devem ser concluídas ainda este ano. "A creche já está terminando, dentro de 30 a 45 dias, pois já está em fase de acabamento. Já a Unidade Básica de Saúde deve ser concluída em 70 dias", afirma.


Saúde é principal problema dos conjuntos da periferia Leste

Embora as obras contemplem inicialmente aos demais conjuntos daquela área, Marcílio Bona anunciou que há previsão de construção de outro posto de saúde para o Sigefredo Pacheco.

"De início, a Unidade Básica de Saúde atenderá as comunidades vizinhas, mas já está previsto para ser construída uma unidade básica e creche-escola no Sigefredo Pacheco.

No Árvores Verdes, no Santa Bárbara também está sendo construída uma UBS, para atender a demanda daquelas comunidades", informa. No caso do Árvores Verdes, a construção tem previsão de ser concluída em 90 dias.

Fonte: Carolina Durães e Virgínia Santos