Senhoras mudam realidades com ações psicossociais

Senhoras mudam realidades com ações psicossociais

Localizado no bairro Primavera, o Projeto Carnaúba vem há 30 anos mudando a vida de mulheres que querem transformar a realidade social.

Nascido com a intenção de aumentar a autoestima de mulheres de todas as idades, o Projeto Carnaúba está há 30 anos mudando a vida de senhoras que até então se sentiam ociosas e excluídas da sociedade. Instalado no bairro Primavera, zona Norte de Teresina, o grupo é exclusivamente feminino e realiza um trabalho de cunho social e psicológico com suas trinta participantes, com idade entre 40 e 80 anos.

Além de realizarem atividades filantrópicas, elas são convidadas a partilharem suas opiniões acerca da realidade em que vivem. A partir da adoção de temas como vida cotidiana e religião, lá elas encontram um local para serem elas mesmas e não se preocuparem com os problemas pessoais, e sim com a melhor forma de ajudar o próximo.

A iniciativa provou ser acertada. Sempre de olho no bem estar social de suas integrantes, elas realizam bailes para as senhoras da terceira idade que não tiveram a oportunidade de debutar, almoços fraternos para moradores de rua, eventos beneficentes em bairros vulneráveis distribuem presentes para crianças carentes e preparam um sopão quinzenal para os menos favorecidos.

Com o passar dos anos, elas receberam convites para levar sua experiência a outros municípios. Hoje, com a Oficina de Criação de Artes, elas transformam a realidade de 12 mulheres de 30 a 70 anos do município de José de Freitas. O encontro acontece uma vez ao mês e já foram realizados cursos de artesanato, costura e bordado. Tudo com muito bom humor.

?A intenção do grupo sempre foi levantar a autoestima e valorizar o trabalho das mulheres. Antes elas passavam muito tempo em casa e não tinham nem com quem conversar, era uma vida difícil. Já estamos levando nosso grupo para outras cidades e procuramos fazer com que a mulher se sinta incluída onde vive. Elas podem ser felizes lá mesmo, não precisam procurar a felicidade na cidade grande?, conta a fundadora Maria Francisca.

O trabalho do Projeto Carnaúba vai além do desejo das senhoras em ajudar os necessitados. Também é uma atividade que melhora o estado de espírito das mediadoras, algumas em idade avançada. ?Somos tementes a Deus e evangelizar está entre nossas missões principais. Temos pessoas de todas as religiões no grupo: católicos, evangélicos e espíritas. O que levamos em conta é o amor a Deus e como podemos ajudar mais pessoas?, afirma Marisneide Carneiro Siqueira, no grupo há mais de 25 anos.

Marisneide conta que o grupo lhe trouxe muitos benefícios. Com a leitura do Evangelho e o debate com as amigas, ela aprende mais sobre a vida. Lá dentro elas se esquecem das preocupações do mundo exterior e desabafam, evangelizam, melhoram o astral, compartilham umas com as outras as felicidades, os revezes e vivem em constante estado de aprendizagem. Além de amigas, são irmãs de alma.

Projeto OCA reabilita a cidadania de mulheres de José de Freitas

As senhoras do Projeto Carnaúba ampliaram as atividades e criaram o Grupo OCA, uma oficina de criação de artes que ensina as mulheres os ofícios de corte e costura, diversos tipos de bordado e artesanato em objetos decorativos.

As reuniões são realizadas mensalmente na comunidade Bom-Viver, município de José de Freitas.

?Recebemos convites de várias entidades para levarmos o Carnaúba até eles. Fechamos parceria com as meninas de lá e nos encontramos uma vez por mês. Nossa maior conquista foi o curso de Corte e Costura. Recebemos uma doação de máquinas de costurar e levamos para lá com nossos próprios recursos. As aulas aconteciam em um casebre de palha e as máquinas ficavam em mesas de carnaúba. Foi enriquecedor para elas e principalmente para nós?, fala Maria Francisca.

Os encontros são complementados com a costumeira socialização de vivências, uma metodologia que mostrou ser eficiente para a vida das mulheres do campo. ?Nosso trabalho busca principalmente reabilitar o espírito e melhorar a cidadania daquelas mulheres. Convidamos elas a partilharem seus anseios e nos dispomos a tirar dúvidas e prestar esclarecimento no que for necessário?, pontua a fundadora.

Quando perguntadas, todas confirmam que não são professoras por profissão, mas encontraram uma maneira de ajudar o próximo passando suas vivências adiante. E com o serviço de terapia em grupo elas ajudam os outros e a si próprias.

Fonte: Olegário Borges