Sistema Meio Norte de Comunicação faz homenagem a professores do Piauí

Sistema Meio Norte de Comunicação faz homenagem a professores do Piauí

O atual reitor da Uespi (Universidade Estadual do Piauí) faz um passeio pela sua trajetória. Ele superou suas próprias expectativas, não imaginava chegar ao patamar em que se encontra

Os professores são os pais de todas as profissões. São os responsáveis por lecionar, de crianças a adultos, com paciência, dedicação e cuidado. Esses profissionais são indispensáveis para o desenvolvimento da sociedade. Sendo assim, nada mais justo que os homenagear. Para isso, o Sistema Meio Norte de Comunicação distribui hoje exemplares do Jornal Meio Norte em escolas e universidades, com matérias especiais voltadas aos professores.

E para comemorar em grande estilo o Dia dos Professores, a TV Meio Norte terá um conteúdo mais que especial na edição do programa SuperTop. Com apresentação de Raquel Dias, o programa terá uma plateia infantil, que entrevistará o maestro e professor de música Aurélio Melo. Outro diferencial do programa será o quadro “Professor da Minha Vida”, que trará personalidades teresinenses com depoimentos emocionantes sobre professores que mudaram suas vidas.

O SuperTop também exibirá matérias especiais que vão tratar da qualificação dos professores teresinenses, mostrando o lado humano desses profissionais, que muitas vezes funcionam como extensão das famílias dentro do ambiente escolar. Dentre as matérias, uma vai mostrar a rotina dos professores, mostrando como esses profissionais conseguem vencer os desafios do cotidiano e, ao mesmo tempo, oferecer educação de qualidade aos seus alunos.

Outro ponto que será trabalhado no SuperTop é a qualidade dos professores teresinenses, que se destacam na educação básica, graduação, pós-graduação e também na área de tecnologia, que tem obtido destaque pela ascensão da área em Teresina.

De vendedor ambulante a reitor da UESPI

Aos nove anos de idade, o trabalho já o acompanhava, a rotina dura vagava por todos os turnos e se encerrava sob o livro, quando não havia mais forças para continuar. No interior do Estado, precisamente em Monsenhor Gil, o menino tinha a alma de professor, os irmãos mais velhos já haviam partido na jornada pelo ensino superior na capital, mas seu estágio ainda passava pela labuta, na venda de pães e bolos nos ônibus, tal como no recreio escolar. A força de vontade se fazia como o motor para seguir em frente, estudando durante a noite, se encontrava finalmente com a sua inspiração, “o mestre”. Mais do que um sonho, era uma missão de vida, que o impulsionava dia após dia.

Nouga Cardoso faz um passeio pela sua trajetória, o atual reitor da Uespi (Universidade Estadual do Piauí) superou suas próprias expectativas, não imaginava chegar ao patamar em que se encontra. Sua vontade era apenas ensinar e transmitir conhecimento. “Não venho de uma família com tradição na docência, meu pai tem o quarto ano primário incompleto, minha mãe não concluiu o curso ginasial, no entanto sempre valorizaram e muito a questão da educação, tanto que tiveram dez filhos e todos se formaram”, diz. Filho de agricultores, ele relata as dificuldades enfrentadas continuamente e vê na simplicidade, tal como no desejo da mudança, fatores primordiais para o sucesso na carreira. “Por incrível que apareça ainda hoje meu pai trabalha com roça, gosta de atravessar Monsenhor Gil inteira para ir ao roçado.

Ele e minha mãe foram guerreiros, tiveram a coragem de assumir a educação como algo essencial para nós, mas não foi simples, era uma batalha. Durante esse trajeto, tive alguns irmãos que vieram estudar em Teresina e ficavam na casa do estudante. E nós que estávamos no interior, tínhamos que trabalhar para sustentá-los na capital”, afirma.

Essa função exigia pequenos sacrifícios, muitas vezes as brincadeiras de infância eram substituídas pelos compromissos. “Tinha que acordar bem cedo e vir pela manhã para a capital encomendar pães e bolos numa padaria, os vendia durante toda a tarde nos ônibus e pela cidade”, recorda. Os esforços, porém, não acabavam por aí. “À noite ia ao colégio e quando tinha algum intervalo, os diretores me deixavam armar uma barraquinha para vender bolo, e assim fazia”, detalha. Sua mãe era faxineira na instituição e ao ver o esforço do filho, o orgulho transbordava.

Nesse período, o dom para lecionar explodia e seu futuro tomava uma direção. “Nossa casa ficava próximo à BR, então os professores iam para o ponto de ônibus e eu ficava conversando com eles. Desde esse momento foi despertando a atenção em torno da profissão, da missão de ajudar a transformar a vida de outras pessoas”, comenta.

Orquestrando Piauí: música para todos

Há cinco anos no Piauí, o professor mineiro, Cássio Martins, leciona no curso de música da Universidade Federal do Piauí. Entusiasta das artes, transforma a percepção dos alunos e insere no conhecimento a tônica do social. Levando projetos especiais para as comunidades de Teresina e também no interior do Estado, possibilitando a centenas de pessoas o primeiro contato com concertos e apresentações clássicas. A quebra de estereótipos se faz por completo e a música é transmitida para todos. Contagia, e sem preconceitos traz experiências que vão além da sala de aula, despertando o amor em cada nota.

Os sentimentos exacerbados através da comoção gerada pelos projetos, insere uma visão ampla de mundo, foge da rotina e leva o ensino prático ao extremo.

“Existe um grande programa de extensão que engloba outras ações, ao todo são cinco, através do Orquestrando Piauí, fomentamos as produções locais, nossos alunos podem demonstrar todo o seu talento”, afirma. Esse investimento no compartilhamento da cultura se expande em outras vias, explorando variados ritmos, aproximando os universitários de um mundo eclético, livre de imposições quanto ao estilo. “Temos o projeto Cultura no Campus, onde agendamos mostras de grupos vocais, bandas, além de teatro e exposições. É importante citar também o ‘Música e Cidadania’, que cria um aporte para toda a comunidade participar e é um concerto didático”, conta.

Sob esta perspectiva, Dias vê o caráter indispensável da popularização dos trabalhos, superando as fronteiras do campus. “Queremos incentivar o acesso das pessoas ao curso de música, de modo que possamos encontrar nos lugares em que passamos, alunos que se encaixem no perfil que almejamos”, comenta. Integração que pode ser sentida com os espetáculos montados na instituição, alguns deles, feitos especialmente para o grupo, provando a credibilidade conquistada com a seriedade no ensino. “Levamos os musicais para outras cidades, todo o nosso público em certas ocasiões, é leigo, é algo diferente, não temos preconceitos.

A apresentação é para quem quiser prestigiar, não existe qualquer distinção”, diz Martins. O que falta para a mensagem repassada atingir uma gama cada vez maior é o interesse por parte do poder público, algo que só é sanado com muito empenho. “É complicado explicar a linguagem musical, para o alcance ser maior os dirigentes tinham que investir”, relata.

Novos horizontes: lecionar é preciso

Após essa fase, era a hora de romper para um novo capítulo e partir rumo a Teresina. “Vim e também fiquei na Casa do Estudante, resolvi fazer Química na Universidade Federal do Piauí (UFPI) e logo comecei a ministrar aulas também na minha cidade, comecei a fazer o mesmo que os professores que via na infância, foi uma emoção”, insere. Nouga não quis parar, o mestrado em São Paulo foi mais um risco a ser corrido e deu certo. “Sempre me preocupava com o conteúdo, mas passei a atentar também para os direitos dos professores e ao entrar no sindicato deu-se todo o processo para chegar à reitoria”, destaca.
A ascensão ao posto se deu de forma gradual, existia o receio. “Tive cautela, resolvi primeiro ser vice-reitor, tentando provar que se fosse para ocorrer, no momento certo teria o meu espaço, o que aconteceu, ano passado fui eleito reitor num processo limpo”, garante. Satisfeito com o ponto alcançado, vê no reflexo da sua caminhada, uma forma de motivar os alunos. “São mais de 30 alunos de Química, com mestrado, parte deles realizado na Universidade de São Paulo (USP), isso muito me orgulha”, converge. (F.T.)

O segredo está na confiança

Apesar de não ministrar aulas como antigamente, Nouga mantém firme a missão assumida ainda quando criança.

“Às vezes a principal aula que você tem que dar não é a de conteúdo, não é um professor ruim que vai atrapalhar a vida de um aluno que sabe onde quer chegar, se ele tiver foco consegue vencer apesar das dificuldades”, declara.

Ele faz um paralelo da sua vida na docência e se orgulha. “Fui um professor que motivou os alunos, de modo que eles saibam que nenhuma barreira é intransponível e capaz de destruir o seu sonho. Você tem que lutar, tem que lutar”, enfatiza o reitor.

O foco deve ser mantido até mesmo em ambientes onde tudo se volta contra. “Até onde as circunstâncias não ajudam, os sonhos não podem se perder. A principal aula que gosto de ministrar não é a de Química e sim a de motivação. Temos que dizer para os alunos que eles precisam estudar, pois precisam crescer, eles devem se preocupar com suas necessidades. O professor nessa sociedade também tem que ser amigo, pai. Tem que ser uma pessoa que compreenda o ser humano, gosto de discutir a humanidade, uma linha humanística”, compartilha.

Cardoso ainda lembra dos guardiões que contribuíram na sua vida acadêmica e agradece cada semente plantada nesse universo de emoções. “O que fez a diferença na minha vida foram as pessoas que me motivaram. Primeiro meu pai que batalhou para que estudássemos, saiu do interior para lutar por isso; meus professores sempre acreditavam que eu ia conseguir, quando eu tinha trabalhos aprovados para congressos e não tinha dinheiro para ir, me ajudaram, fizeram até feijoada, foram essenciais para que eu ocupasse o posto em que estou hoje”, conclui.

O amor pela música

Os alunos de Cássio já são adultos, mas não é por isso que o professor se limita, o amor pela música não padece as dificuldades, nem encerra a vontade de ensinar ao maior número de pessoas possível. “Participamos do projeto ‘Orquestra de Coro Infantojuvenil, em parceria com o Música para Todos, em que a maioria dos integrantes são da periferia”, destaca.

O âmbito social das iniciativas promovidas ou apoiadas pelo professor é visto com o desvio natural da rua para as ações de integração. “Buscamos aproximar os artistas dos cidadãos locais, fomentando e levando para todo o Estado, valorizando a cultura”, comenta.

A felicidade em lecionar e levar a emoção da música reaviva Cássio Martins e faz com que o seu empenho seja reconhecido. “Esse é um dos grandes poderes da música, mexer com o homem interior, pois ela trabalha com a lógica e a emoção”, diz. Expandir o lado humano, fugindo do determinismo e da mecanicidade traz ganhos imensuráveis. “Música é vida interior e quando você tem vida interior, jamais padece de solidão”, finaliza.

Professora desenvolve projeto “Vir Vendo”

A cada toque uma descoberta. O estudo abre os horizontes e impõe conhecimentos que eram difíceis de serem apreendidos anteriormente. Com a preocupação de envolver os alunos e transformá-los em profissionais dedicados com toda a sociedade, a professora de Biologia da Uespi (Universidade Estadual do Piauí) Gardênia Sousa desenvolve o projeto “VIR-VENDO” o meio ambiente, no qual, em uma parceria com a Associação de Cegos do Estado, os deficientes visuais participam de um projeto que utiliza peças em braile e 3D, como maquetes que representam células, fases do desenvolvimento embrionário e a anatomia humana, com o objetivo de que esse público consiga absorver todo o ensino da área com maior facilidade.O orgulho da docente com a iniciativa contagia os universitários, que além do ganho no âmbito acadêmico, transpiram experiências sociais, voltando para o ensino sem distinções. “Busco estimular os alunos para que eles possam seguir a carreira, valorizando a formação. Buscamos a integração e a transmissão de um conteúdo de forma efetiva”, afirma.

As dificuldades dos profissionais de Biologia em ensinar os deficientes visuais pode ser sanada com ações do tipo, fato pelo qual motiva Gardênia a seguir com o projeto, a participação é avaliativa, mas ao contrário de outras ‘provas’, essa é satisfatória e não gera sacrifícios, pelo contrário. “Já que eles estão cursando o Ensino Superior, podem vir a ter um aluno cego futuramente, então devem estar preparados para passá-los o conhecimento de modo pleno”, insere.



Proveniente de uma família humilde, Sousa sempre estudou em instituições públicas e vê com orgulho a iniciativa, desenvolvida há mais de uma década.

Atuante na área de ficologia (ramo da biologia que estuda as algas), ela se sente lisonjeada em ministrar aulas e principalmente em desenvolver pesquisas no Piauí.”Foi uma quebra de paradigmas quando consegui trazer a Sociedade Brasileira de Ficologia pra cá, hoje temos respaldo e podemos despertar o desejo nos universitários em seguir nessa especialidade”, diz.As dificuldades provenientes, muitas vezes, da falta de uma estrutura ideal, não deixa que os sonhos se percam no caminho. “É um amor maternal, você se dedica de corpo e alma a profissão, deixa até sua vida pessoal de lado”, detalha a professora de Biologia. Ela conta que se dedica o dia inteiro na sua atividade, o cansaço vem, mas o sensação de dever cumprido compensa. “A felicidade em ver ex-alunos fazendo mestrado e/ou doutorado faz com que tudo valha a pena”, concluia.

Elo de amizade alavanca o desempenho

Estabelecer um elo de amizade com os alunos é o grande desafio de cada professor. Através dessa relação o trabalho fica mais fácil e os resultados positivos começam a deslanchar. Atualmente, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) impõe que essa ação se dê de forma plena, conseguir estimular e trazer novos parâmetros sempre causa estranheza ou certa resistência. Na Escola Municipal Mário Faustino, em Teresina, essa realidade não era diferente, com nota média de 3,2 na mensuração, medidas drásticas tinham que ser tomadas para aumentar a motivação e alavancar o desempenho; tal objetivo só foi possível através do empenho de todos os docentes, entre eles, o professor de geografia Francisco de Assis. Agora, sete anos depois, a escola colhe os frutos do trabalho e alcança 6,5 na mensuração, um dos índices mais altos da rede pública na capital, o que eleva os sentimentos e traz a sensação de dever cumprido, tal como a obrigação de continuar acertando.

A evolução gradual constatou a dedicação de cada um dos profissionais em inserir os alunos nos temas debatidos em sala de aula, refletindo diretamente no aprendizado. “Temos uma filosofia de organização, onde procuramos desenvolver vários projetos extraclasse, que vão até mesmo a seleção dos destaques, para que se desperte o interesse na educação”, conta Assis. Na instituição, o docente destaca a iniciativa “Conte até dez”, que ajuda no combate à violência. “Nós professores assistimos a apresentação, na qual fizemos todo uma mobilização em torno da busca pela paz, dando obviamente continuidade e informando”, destaca.

Acima da média nacional no IDEB, a escola espalha por todos os cantos o reflexo da gestão e do empenho dos mestres do ensino. “É uma iniciativa contínua, vai desde a professora alfabetizadora, ao acompanhamento psicopedagógico até mesmo a integração dos alunos especiais, fazendo com que o aluno se sinta responsável pelo crescimento da instituição”, afirma. O papel de Assis nessa evolução é reverberado pela diretora da unidade, Marinalva Barbosa, que compartilha a dedicação de todo o quadro da Mário Faustino. “Estamos tentando chegar a primeira colocação, e a força de vontade dos educadores que temos vai nos levar a isso, são mais de 800 alunos no Ensino Fundamental, sendo que alguns estudam em dois turnos, lutando para melhorar dia após dia”, comenta.

Parte dessa louvável evolução, Assis alerta para a responsabilidade em continuar a se dedicar na sala de aula. “Eu entendo a importância de estar nesse nível, mas o desafio é se manter lá em cima”, observa. Os problemas enfrentados pela comunidade que cerca a unidade contam também no momento de definir a energia empregado na missão de ensinar. “Muitas vezes temos que ser multiprofissionais, ser pai, irmão, amigo, antes mesmo de ser professor; assim nas minhas aulas procuro sempre fazer um paralelo com a realidade em que eles vivem”, diz.

O prazer na profissão fica explícito ao lidar com o sucesso de ex-alunos, é o maior reconhecimento, a maior glória que um professor sonha alcançar. “A emoção que a gente tem em vê-los se destacando, com um bom emprego, uma formação, é indescritível, você percebe que a energia vai se irradiando e se tornam cidadãos corretos”, aponta o professor de Geografia. Por fim, ele constata que mesmo com os aparentes desafios, o segredo é nunca desistir.“Uma aluna entrou em contato comigo para pedir desculpas, pois engravidou no segundo ano do Ensino Médio e eu disse para que ela não esquecesse dos seus sonhos, assumisse a realidade, mas que procurasse seguir em frente e continuasse a estudar”, complementa.

Fotos: José Alves Filho e Moises Saba

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Fonte: Francy Teixeira