Sogra de modelo baleada fala sobre tensão: "Pensei que tinha sido o bebê"

Mulher estava rendida, com o filho nas costas, quando foi ferida em assalto.

A sogra da modelo Lorrane Melo Ganzriegler, de 27 anos, baleada quando estava com o filho nas costas durante um assalto a uma casa, em Goiânia, relatou em entrevista à TV Anhanguera os momentos de tensão vividos pela família. A mulher, que não quis se identificar, lembra que os criminosos apontavam armas para as vítimas o tempo todo. ?Quando eu ouvi o tiro, pensei que eles tinham matado alguém. Eu levantei a cabeça e fiquei procurando, pensei até que tinha sido o bebê?, relatou. A modelo segue internada em estado regular.


Sogra de modelo baleada relata tensão:

Sogra de modelo baleada relata tensão:

Segundo a mulher, mesmo rendidos, os parentes foram ameaçados durante toda a ação. ?Na hora eu pensei que o bebê tinha sido atingido, mas foi ela [Lorrane]. Depois a gente saiu gritando, pedindo socorro. E agora estamos aqui, à mercê da violência?, lamentou.

O crime aconteceu na noite de quinta-feira (27), no Setor Bairro Feliz, quando a modelo saía de casa. Ela estava com o filho, o noivo e os pais dele, quando a família foi abordada por três homens e feita refém dentro de casa. Enquanto um dos criminosos vigiava a rua, outro recolhia pertences das vítimas. Um terceiro ameaçava a família com uma arma. A ação durou cerca de 20 minutos e foi flagrada pelas câmeras de segurança da casa.

Durante a abordagem, o bebê permaneceu na cadeirinha, dentro do carro. Lorrane, já deitada no chão da sala, pediu que o buscassem. O menino foi colocado no sofá por um dos criminosos e, depois, no chão. Mas a criança subiu nas costas da mãe. Instantes depois, o assaltante com a arma efetuou o disparo que atingiu a cabeça da modelo. Ela foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). O bebê não ficou ferido.

Lorrane permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital em estado regular. Segundo o Hugo, ela está consciente e respira sem a ajuda de aparelhos. Até a manhã deste domingo (2), ela não havia sido submetida a nenhum procedimento cirúrgico e a bala permanece alojada embaixo da língua.

A bala entrou pela cabeça da modelo, atrás da orelha direita, e desviou, atingindo os ossos do rosto, na testa e mandíbula. ?Pelo trajeto do projétil, ele fraturou ossos da face, que precisarão ser reconstruídos. Nesse trajeto, em virtude do impacto e do calor, evidentemente órgãos adjacentes foram comprometidos, mas nada muito grave?, explicou o diretor do departamento médico do Hugo, Antônio Guise.

Tiro acidental

Após o disparo, os assaltantes fugiram, levando alianças, um relógio e um celular das vítimas. Na fuga, um deles deixou cair um celular no jardim. Com o aparelho, a polícia teve acesso a fotos e ao telefone da casa da mãe de um dos criminosos, com quem os policiais localizaram o endereço de um deles. Com a pista, o Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer) encontrou e conseguiu prender um dos suspeitos.

O homem foi encaminhado à Delegacia Estadual de Investigação Criminal (Deic), onde confessou ter sido o autor do disparo que atingiu a mulher. No entanto, ele alegou que o tiro foi acidental.

Para o delegado responsável pelo caso, Glaydson Carvalho, essa possibilidade está descartada. ?O tiro acidental teria sido se a arma tivesse caído no chão e disparado. As imagens mostram que ele claramente puxou o gatilho. Por imprudência dele, e talvez pela falta de conhecimento da arma, ele levava a arma engatilhada e colocando na cabeça das vítimas. A adrenalina do que ele estava fazendo e o despreparo o tenha levado a dar o tiro?, afirmou.

Duas equipes, com um total de seis policiais civis, continuam as buscas pelos dois assaltantes que seguem foragidos. Segundo a polícia, eles já foram identificados, mas ainda não há pistas da localização dos suspeitos. Alguns dos objetos roubados das vítimas foram recuperados com o suspeito que já foi preso. O homem detido foi encaminhado ao Centro de Prisão Provisória (CPP).

Fonte: G1