Solicitada saída de bispo que defendeu menina em caso de estupro

Dom Fisichella causou polêmica ao apoiar os envolvidos no caso que aconteceu em 2009

Membros da Pontifícia Academia pela Vida pediram nesta sexta-feira (19) ao papa Bento 16, em um documento, a destituição do presidente, arcebispo Rino Fisichella.

No texto, os religiosos argumentam que Dom Fisichella não fez a defesa correta da vida ao abordar em 2009 o tema da menina brasileira de Alagoinha (PE), que engravidou de gêmeos ao ser violentada e interrompeu a gravidez.

Em março do ano passado - após o arcebispo de Recife e Olinda, Dom José Cardoso Sobrinho, decidir excomungar a mãe da menina e os responsáveis pelo procedimento médico -, Fisichella saiu em defesa da menina e reiterou que "a violência sobre uma mulher é grave, e torna-se ainda mais deplorável quando perpetrada contra uma menina pobre, que vive em condição de degradação social".

Contudo, em seu texto, um artigo publicado pelo jornal vaticano L"Osservatore Romano, não ficou claramente explicitado sua condenação ao aborto e, portanto, o religioso foi criticado por outros membros da Igreja Católica e, inclusive, chegou a ser acusado de defender a morte.

"Trata-se de um estado de coisas absurdas para uma Pontifícia Academia "pela Vida", que pode ser retificado apenas pelos responsáveis pela designação do presidente", diz o documento assinado por cinco acadêmicos da Pontifica Academia e que, segundo os religiosos, foi enviado ao Vaticano.

Segundo o grupo, em decorrência do posicionamento de Fisichella, a entidade se viu obrigada a emitir um esclarecimento em relação ao tema. Por isso, pede ao papa e ao secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, a destituição do religioso de seu posto.

Questionado sobre o tema, o porta-voz da sala de imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, disse que o pedindo não foi enviado ao papa.

- Este documento não foi visto pelas autoridades competentes, que são o Papa e o cardeal secretário de Estado.

Caso de Alagoinha

O caso da menina de nove anos, que foi violentada pelo padrasto e engravidou de gêmeos, gerou comoção mundial e uma grande polêmica sobre o aborto. Logo após a gravidez ser interrompida, o arcebispo de Olinda de Recife anunciou a excomunhão de todos os envolvidos, acusando-os de perpetrarem um "procedimento contra as leis de Deus".

Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos defensores dos médicos envolvidos. Dom Fisichella defendeu o procedimento.

- Não é possível permitir que uma menina estuprada pelo padrasto tenha esse filho. Até porque a menina que corria risco de morte. Nesse aspecto, a medicina está mais correta que a igreja.

Fonte: R7, www.r7.com