Celular vai pagar contas

Até o fim de 2010 será possível pagar contas e transferir dinheiro usando apenas o celular

Neste ano seu celular pode ganhar uma nova função, há muito tempo esperada: ele vai virar sua carteira. As duas principais bandeiras de cartão de crédito ? Visa e MasterCard ? planejam expandir até o fim do ano projetos pilotos e parcerias com bancos no País para começar a lançar serviços de pagamentos pelo celular em grande escala. E, no fim de maio, o Rio de Janeiro recebe um dos mais importantes encontros sobre pagamentos móveis, o Mobile Money Summit, organizado pela GSM Association.

Os pagamentos ainda não são daqueles em que basta encostar o celular na máquina de cartão de crédito, como acontece em países como o Japão. Mas logo será possível usar o celular para pagar a corrida de táxi, o almoço no restaurante ou o chope do happy hour quase tão facilmente quanto se envia uma mensagem de texto (SMS). Sem cartão. A tecnologia, chamada de pagamento remoto, já passou da fase de testes e começa a ser colocada em prática no segundo semestre pelas operadoras de cartão e pelos bancos, que buscam agora aumentar gradativamente o número de estabelecimentos compatíveis com o sistema, para que o serviço chegue ao mesmo alcance que os cartões de crédito e débito já têm no Brasil.

"É o próprio celular que inicia a transação, não precisa digitar senha em nenhuma máquina, o que traz mais segurança. A pessoa coloca o código do estabelecimento e o valor da compra, e confirma o pagamento", diz Ricardo Pareja, diretor de produtos da MasterCard. "O estabelecimento não precisa nem ter a máquina de cartão, basta um celular. E, no caso da transferência entre pessoas, o telefone ainda elimina a necessidade de sacar dinheiro para pagar, por exemplo, a faxineira, mesmo que ela não tenha conta em banco." Segundo Pareja, a MasterCard, que já tem um projeto de pagamento remoto em parceria com o Itaú e a Vivo, planeja expandir o sistema para outras operadoras de celular e bancos no segundo semestre, além de lançar cartões com créditos pré-pagos para pessoas que não têm conta corrente, mas querem usar pagamentos por celular.

Do lado da Visa não é diferente. Desde 2008 a operadora de cartões tem um sistema de pagamento móvel com o Banco do Brasil e com o Bradesco. Os clientes dos bancos cadastram seu número de celular e, no ato da compra, pedem para pagar pelo celular. O número do telefone e o valor são digitados na máquina de cartão das lojas habilitadas, e uma mensagem de texto é enviada para o cliente confirmar o pagamento, sem precisar de senhas. Segundo o Banco do Brasil, são cerca de 5 mil cartões cadastrados no sistema. De acordo com Marcelo Serralha, diretor de produtos da Visa, a empresa agora busca aumentar o número de estabelecimentos filiados e de bancos parceiros. "Nunca senti o mercado de bancos demandando tantas novidades tecnológicas como neste ano. Eles estão buscando novos serviços com mais conveniência", afirma.

Prova disso é um serviço de saques sem cartão lançado pelo Banco do Brasil na semana passada, em que clientes, após cadastro, enviam uma mensagem de texto para a central do banco e recebem um código para sacar até R$ 100 nos caixas eletrônicos do banco sem usar o cartão. O diretor de gestão de canais do Banco do Brasil, Hideraldo Leitão, diz ainda que o código para o saque também pode ser enviado pela internet, no site do banco, para números de celulares de outras pessoas, como o filho que está no shopping e precisa de dinheiro para o táxi. "É uma quebra de paradigma. Estamos usando o celular e fazendo a transação financeira independetemente de um objeto proprietário, como o cartão", afirma.

O HSBC tem um serviço parecido com o do Banco do Brasil. Clientes de um pacote especial, chamado HSBC Direct, podem instalar um aplicativo no telefone celular e usar o caixa eletrônico sem o cartão. O programa gera um código único (chamado de token) para cada transação feita na internet ou no caixa eletrônico. Com isso, não é preciso usar cartão, nem digitar a senha no caixa, basta informar o código (token) e o CPF.

Fonte: Estadão, www.estadao.com.br